Bohemian Rhapsody: o filme

13 de julho de 1985.
Uma data que um verdadeiro amante dos Queen dificilmente esquece. Pelo contrário, uma data que conquistou a eternidade. O dia em que os Queen fizeram a sua memorável atuação no Live Aid. Mesmo os outros, os que têm outras preferências musicais, são quase unânimes em reconhecer essa performance como uma das melhores, não da história dos Queen, mas, isso sim, das melhores da história do Rock.
Mas, vamos ao início... E o início está numa preparação de um filme que começou de forma desastrosa há muitos anos atrás. Quando anunciaram o Sacha Baron Cohen para o papel do Freddie eu deixei de ver as notícias sobre uma possível concretização do filme. Como seria possível o que o Brian e o Roger estavam a fazer depois do (já difícil de digerir) afastamento público do John?!
Felizmente os erros foram parados a tempo. O projeto parou. Foi repensado. O caminho tinha de ser outro. E, vendo bem, a verdade é que estamos sempre a tempo de fazer bem as coisas. Foi por isso, por acreditar que as coisas ainda podiam ser bem feitas, que, quando o projeto ressurgiu, reerguendo-se praticamente do zero, eu não dei muita importância. Escolhi um certo afastamento. O medo que o caminho a seguir fosse igual ou pior era algo que deveria ser realmente levado em conta. Até que me fui apercebendo das escolhas que estavam a ser feitas e comecei a sentir que as coisas poderiam estar a levar o rumo certo. Depois vi umas entrevistas do Rami Malek e fiquei realmente esperançado que finalmente isto ia correr bem. Depois, foi só tentar ler o menos possível sobre o assunto para me deixar surpreender na altura de colocar os olhos na tela. Aconteceu ontem no Norteshopping. Depois de uma corrida atribulada com direito a avaria na máquina da bilheteira, lá me consegui sentar no lugar ao lado da Odete antes do início da sessão. 
O receio de que algo corresse mal tinha quase desaparecido depois de ter obtido algum feedback, ainda que indiretamente, através de amigos de longa data. Ao contrário do que imaginava anos antes, preparei-me para o melhor e não para o pior. O filme lá começou e logo sou surpreendido com o tema da 20th Century Fox cheio de guitarradas: “Isto promete”. Toda a apresentação dos créditos iniciais é feita tendo o Live Aid como fundo e eu fico com a certeza de que isto hoje não pode correr mal. E não correu. Bem pelo contrário. Estou em sintonia completa. Ou não tivesse eu também começado este texto pelo Live Aid.
Confesso que conhecia já praticamente todas as pequenas histórias dentro a História que o filme nos apresenta. Mas não me canso de as ouvir. E ouvi-las contadas daquela forma soberba só me pode deixar agradecido. Pensei que abordariam a totalidade da vida do Freddie mas, focar o filme direcionando-o para a brutal interpretação daquele dia 13 de julho de 1985 foi um golpe de génio. Enquanto amante da música dos Queen tenho de estar grato a quem assim decidiu. Mesmo que isso obrigue a muita boa música ter forçosamente de ficar de fora.
Foi bom ver darem o protagonismo merecido à Mary Austin e assistir a algumas piadas interessantíssimas. Claro que a composição do “We Will Rock You” não foi mesmo assim mas essa cena ficou muito boa. Enquanto os via bater o pé e as palmas fui lembrando as palavras de um jornalista qualquer que terá escrito sobre essa mesma música: “Se alguém sonha compor uma canção para coroar o mundo, está a perder o seu tempo: ela já existe desde 1977”.
Não sei se o filme é bom ou não. Não percebo nada de cinema. Mas percebo de música e percebo dos Queen. Emocionei-me em boas partes do filme (ou não estivesse a sua boa música sempre presente em alto som). O Rami Malek está de parabéns pois fez um bom trabalho, mesmo sem saber tocar piano. Fiz uma viagem no tempo. Várias. Bem sei que ainda existem bons amigos que me dizem constantemente que devo olhar em frente. Sou capaz de aceitar isso, embora perceba mais facilmente que desconhecidos não me entendam. Mas um dia hei-de conseguir que os meus amigos percebam que, pelo menos no meu caso, olhar para trás é a melhor forma de seguir em frente. Devo muito daquilo que sou à maravilhosa música dos Queen que está muito bem retratada neste filme.
Obrigado Freddie, Brian, Deacon e Taylor.
Mais uma vez. E outra E outra. E outra...

2 comentários:

Fernando Tavares disse...

Coincidencia! Ontem tambem fui ver! Não percebo tanto de Queen como tu mas é o grupo que mais gosto!
Sim, muito graças a ti !
O filme está qualquer coisa, claro que faltam muitas musicas boas, mas sinceramente os queen so tinham musicas boas!
Obrigado Miguel por partilhares os teus conhecimentos!
Viva Os Queen e o eterno Freddie
Grande Abraço

Anónimo disse...

Caríssimo.

Como conhecedor dos Queen, e não apenas ouvinte, deve ter reparado nas falhas que o filme apresenta ao retratar a história e que é indesculpável (datas trocadas,...).

Além disso, algumas cenas do Freddie eram escusadas. Após ter visto o filme fiquei com a sensação que o filme é mais para denegrir (de forma subtil) o Freddie do que para recordar os Queen.

... de Guimarães!