Ana Ivanovic

Confesso.
Sempre gostei muito de ténis.
Desde pequenino.

Rescaldo de um fim-de-semana

Não. Esta foto não foi tirada no fim-de-semana passado. Mas podia muito bem ter sido.
Pela primeira vez desde há muito tempo tive um fim-de-semana como o comum dos mortais. Talvez até bem melhor em alguns aspectos. Tive um sábado com a manhã e a tarde completamente livres para descansar e estar com a minha Rita pequenina e à noite fui comer uma cabidela a casa do grande amigo Américo onde havia uma mesa grande e cheia de boa gente. Não é todos os dias que temos a sorte de estarmos sentados à mesa a ouvir as maravilhosas histórias do Sr. Adelino ou a trocar dois dedos de conversa com o Américo, o Padre João Pedro ou o Vítor. Ou trocar algumas risadas com a Paula, a Susana ou a Lina. E tudo isto apenas pelo prazer de estar. Foi uma noite fantástica estragada um pouco apenas pelo desaire inesperado do Benfica em Setúbal. Mas adiante... Deu tempo para o Américo mandar umas valentes guitarradas e mostrar que está disposto a aprender mais e mais; deu tempo para o Padre João Pedro mostrar que também se sente à vontade com a guitarra e deu tempo ainda para se cantar o Chico Maravilhas ainda que eu já não tivesse bem presente a totalidade da letra. Mas o "tinto maduro" fez o resto. Abençoada noite. Muito obrigado Américo. Do fundo. Mesmo.
Bem... Ainda eu não estava completamente refeito de noite tão boa e tão fora do comum quando no dia seguinte dava por mim a almoçar, novamente fora, desta feita em casa do meu irmão e da Sara. Desta vez a cabidela deu lugar a um frango divinal impossível de superar. A não ser que já estivesse disponível o tal forno de 600 Kg... Ahahah! E dizia o outro: "600 Kg? Só se for a marca". Ahahah!!!
Enfim, mais uma refeição onde se confraternizou de uma maneira que eu não fazia há muito tempo. Mesmo muito. Tudo isto acompanhado de um "verde branco" e rematado com um descafeinado no final. Pelo meio ainda deu tempo de tocar o que a Bia anda a treinar para a audição da Academia e para me rir a valer com as frases engraçadas do Dinis de "capa e espada". Um autêntico D'Artagnan, diria eu. O "Pirata Azul", diz ele, naquele seu jeito engraçado. Muito obrigado pelo almoço. Muito. Mesmo.
Depois tive que voltar para Rossas onde me esperava um ensaio em pleno domingo à tarde. Pensavam mesmo que eu conseguia um fim-de-semana sem nenhum ensaio? Só em sonhos. E até aí me diverti bastante. Enfim...
Tudo isto só para dizer que valeu a pena.
Que venham mais dias como estes.
Um grande abraço.

Miguel

P.S. Na foto: Eu, a Odete e a Rita, como já devem ter reparado...

O Cortejo de Carnaval

Ontem realizou-se mais um cortejo de Carnaval em Rossas. Por motivos de força maior, não pude sequer marcar presença no tradicional leilão, também para contribuir com alguma coisa mas, sobretudo, para estar com pessoas com quem não nos cruzamos habitualmente no dia-a-dia. Até nisso este cortejo foi diferente.
Quando era pequenino, ainda muito antes do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas organizar anualmente um concurso de mascarados, eram os cortejos que davam a oportunidade da malta de Rossas mostrar as suas habilidades na elaboração de "caretas" e disfarces. O povo aderia em massa. Na parte baixa da freguesia havia até espaço para dois cortejos: o da parte baixa e o da parte de cima da estrada nacional. Lembro-me de cortejos em que até "árabes" montados nos seus cavalos apareceram; ou de ver o Fernando Antunes com uma chupeta num carrinho de bebé; ou a primeira vez que andou por lá um gorila montado numa bicicleta e que andei todo o caminho a tentar descobrir quem seria o autor de uma ideia, na altura, ainda muito original. Só no final vim a saber que se tratava do Dário, um dos 14 filhos da senhora Emília da Portela. Recordo que as carrinhas com ofertas eram sempre muitas, assim como os tractores de lenha. Num desses anos a carrinha do lugar do Paço, cuja responsabilidade coube inúmeras vezes ao saudoso Sr. Costa, levava um autêntico grupo rock: eu era o vocalista com um cadeado a servir de microfone. Mas o que impressionava mais era mesmo a bateria, estrategicamente colocada e tocada pelo Luís do Selmo. Bons tempos.
E falar desse dia, para mim, é sobretudo falar de ti. Íamos sempre mascarados. Fosse como fosse. Mesmo quando o cortejo começou a perder o fulgor de outros tempos. Éramos uma espécie de resistentes. Conseguíamos encontrar sempre um casaco velho ou umas calças rotas, calçavam-se os sapatos "ao contrário" e já estávamos prontos para mais uma tarde de riso. Nada de fantasias compradas ou algo que se parecesse com isso. A alegria estava mesmo nessa simplicidade. Era, realmente, uma das coisa que eu mais gostava: andar pelo cortejo a tentar descobrir-te lá no meio. Recordo, com saudade, um cortejo em especial. Descobriste-me primeiro. Deste por mim e eu não dei por ti. Até que te aproximaste de mim. Vinhas completamente embrulhada num cobertor. Chegaste bem junto a mim, abriste o cobertor e, por baixo, lá estavas tu, com uma roupa completamente normal. Olhei-te e disseste-me apenas: "Vim de cobertor. O que é que achas"? Desatei-me a rir até nunca mais parar. Ainda hoje, se me perguntarem, eu digo que esse foi o melhor disfarce de sempre que apareceu num cortejo em Rossas. E que ninguém me ouse contrariar.
Na foto, não sei se ainda te recordas, mas somos mesmo nós os dois no ano de 1996 se a memória não me atraiçoa. Dá uma saudade ao ver essa Escola Primária com esse sol num domingo à tarde. Como eram tão bons esses domingos. Enfim...
Sabes... A minha Rita ainda é muito pequenina, mas não há-de faltar muito para começar a dar atenção aos disfarces de Carnaval. Quando chegar a essa altura vou-lhe contar, com todo o entusiasmo de que for capaz, as nossas histórias dos cortejos de Rossas. E quando ela já souber escolher o seu próprio disfarce para levar ao concurso do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas e me vier pedir ajuda, vou ficar todo contente se ela me disser que quer ir de "cobertor". Porque tem infinitamente mais valor um cobertor pensado por nós do que uma princesa "comprada" no supermercado.
Um abraço enorme.

Miguel

P.S. Parece que o concurso de mascarados do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas é já no próximo sábado à noite no Centro Cultural. Talvez ainda apareça por lá. Pelo menos para a Rita se ir ambientando...

Cartoolices 001

Foi ainda em 2008 que surgiu a ideia de criar uma "tira humorística". Trabalhava então em Viseu na Escola Grão Vasco e foi lá, num daqueles dias em que o horário nos prega grandes partidas e que temos de permanecer na escola porque temos o horário "esburacado", que nasceu o "Cartoolices". Foi num desses espaços mortos que comecei a dar forma a esse desejo que antecipadamente tinha deixado crescer dentro de mim. Bem sei que a minha habilidade para o desenho não chega sequer ao razoável mas, mesmo assim, decidi avançar. Sempre fui um grande fã da Mafalda; tenho todas as "tiras" dela criadas pelo saudoso Quino. Como sou um leitor assíduo d'A Bola, também fui crescendo com o hábito de começar a ler o jornal pela última página, precisamente aquela que traz o "Barba e Cabelo". Mas, adiante...
Tinha que encontrar, pelo menos, duas personagens. Foi assim que logo surgiram o Tó e o Ulisses que, bem vistas as coisas, se estivermos bem atentos à espécie de trocadilho, acabam por dar o nome à rubrica hoje inaugurada: "Cartoolices". Apesar de arrancar hoje para uma vida que espero longa, de periodicidade semanal (pelo menos), a sua primeira aparição pública aconteceu num blog "piloto" criado para o efeito, no dia 14 de Dezembro de 2008. Logo aí senti o potencial destas duas personagens. Apenas 5 tiras mais tarde, decidi guardá-los aqui numa prateleira até sentir que fosse oportuno lançá-los para um lugar onde merecem realmente estar.
E hoje chegou o dia. Chegou a hora.
Espero, pelo menos todos os domingos, trazer até vós este "Cartoolices". Ficarei satisfeito se a diversão que encontro ao criar as diferentes tiras for semelhante àquela que encontrarem ao lê-las.
Bem, desculpem lá este palavreado mas prometo que é só mesmo neste dia da "estreia". Nas próximas deixarei mesmo só a "tira".
Um grande abraço.

Miguel, Tó e Ulisses.



P.S. Clica na imagem para veres em tamanho maior. Vais ver que vale a pena!!!

We Are the World - 25 Anos Depois



Foi em 1985. Há 25 anos atrás.
Escrita por Lionel Richie e Michael Jackson e com Quincy Jones na produção, "We Are the World" foi gravada por vários artistas com a intenção de ajudar a combater, na medida do possível, a fome no continente africano. Foi um sucesso de vendas em todo o mundo conseguindo, na altura, angariar mais de 30 milhões de dólares. Uma iniciativa que merece os maiores aplausos. Ainda hoje, ao ver o vídeo, fico completamente arrepiado ao ver e ouvir tanto talento reunido num mesmo estúdio: Lionel Richie, Michael Jackson, Tina Turner, Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Cindy Lauper, Paul Simon, Billy Joel, kenny Rogers, Diana Ross, Ray Charles, etc, etc...
Passaram 25 anos.
Entretanto, no Haiti, aconteceu o que todos sabemos.
Mais do que uma obrigação acabou por se tornar uma vontade.
Vários artistas voltaram a juntar-se, desta feita por uma nova causa. Já sem Michael Jackson (fisicamente, por razões óbvias) mas com Lionel Richie e Quincy Jones. A estes se juntaram, entre outros: Pink, Natalie Cole, Celine Dion, Enrique Iglesias, Santana, Lady Gaga, Toni Braxton, Bono, etc, etc...
Desconheço a data de lançamento mas fica a promessa. Quando estiver nas lojas eu serei um dos que irá trazer um exemplar para casa. Porque esta é também uma forma de ajudar a reerguer um povo. Mesmo sem estarmos no terreno.
Um abraço.

Miguel

P.S. Deixo, acima, a gravação de 1985. Digam lá se não sabe bem vermos as caras de alguns deles e ter de fazer um pequeno esforço para os reconhecer.

O Fim dos Scorpions...

É oficial. Os Scorpions anunciaram que o seu mais recente álbum de originais que irá sair no próximo dia 19 de Março será o seu último trabalho. Farão uma última digressão e depois será... o fim. Está tudo no site oficial da banda: http://www.the-scorpions.com/english/
Lembro-me muito bem do primeiro contacto que tive com esta Banda. Estávamos em meados dos anos 80 e andava eu ainda na escola primária. Ainda não havia o Top+ na TV mas aos sábados, ao fim da tarde, passava o "Top Disco". A minha irmã Cristina adorava ver o programa e acho que foi isso que acabou por me contagiar também. Lembro-me bem de liderarem as tabelas canções como "I just called to say i love you", "Last Christmas", "Tarzan Boy", "Life is Life", etc, etc, etc... E lembro-me também do incontornável "Still loving you" dos Scorpions com um videoclip com alguns efeitos engraçados se tivermos em conta que estávamos em meados dos anos 80. Adorava quando o cabelo do Klaus ficava avermelhado...
É inegável que já há alguns anos entraram na sua fase descendente da carreira, mesmo assim, com uma ou outra "boa malha" a ter em conta. Mas o melhor ficou mesmo resguardado na década de 80 e início da de 90. "Holiday" e "Wind of Change", esta última intimamente ligada à queda do Muro de Berlim estão no topo das minhas preferências mas muitas outras me proporcionaram momentos únicos: "Always Somewhere", "Believe in Love", "Lady Starlight", "You and I", Living for Tomorrow", "Moments of Glory", "Send me an Angel", "A Moment in a Million Years", etc, etc, etc... Isto, sem esquecer aquela versão de "Love of my Life" dos Queen acompanhada só com piano. Divinal.
Agora restam essas boas memórias, o que já não é pouco.
E aguardar por esse último álbum que, segundo os próprios, é dos melhores de todos os que gravaram. Fico à espera.
Até sempre.

Miguel

P.S. A imagem que vos deixei diz respeito a um álbum que saiu no início da década de 90 e que reunia, à altura, as melhores baladas do grupo. É um album pelo qual tenho um carinho muito especial. Não me perguntem porquê.

Miguel, onde estás?


Às vezes penso que as coisas poderiam ser diferentes. Outras vezes não e aceito-as assim como são de forma mais natural.
Às vezes apetece-me ir mais longe. Outras vezes não e fico parado neste meu canto onde ninguém dá por mim.
Às vezes quero fazer de mim algo diferente. Outras vezes não e deixo-me estar para não me perturbar.
Às vezes, ao olhar as muitas fotos que trago cá por casa, dou comigo a pensar se seria possível voltar a fazer certas coisas. Sinto a minha força a faltar. Já não consigo mobilizar e mobilizar-me como em tempos o fazia em apenas uma fracção de segundo.
Costumo dizer (na brincadeira mas muito a sério!!!) que sou o rapaz de 33 anos mais velho do mundo. Com tudo o que fui atirando para cima dos meus ombros juntamente com tudo aquilo que conseguiste lá colocar, terei já talvez ultrapassado os 70 quase mesmo sem dar por isso.
Ao longo de todo este tempo convivi com um número interminável de bons amigos de quem tenho muitas saudades. E o problema é esse... Aos 33 anos não se deveria ter saudades dos amigos. Pelo contrário: deveria estar-se com eles!!!
Abracei-os na hora da chegada mas já não tenho presente a hora da partida. Foram desaparecendo assim de mansinho como quem olha o pôr-do-sol em silêncio. Dizem-me que a vida é mesmo assim mas eu acho que não estava preparado para isso. Pelo menos não desta forma.
Hoje, e tirando raríssimas excepções, penso não estar a exagerar ao dizer que estar com alguns amigos é, para mim, sinónimo de estar em alguma reunião ou em algum ensaio de alguma coisa. Nunca apenas pelo prazer de estar.
É por isso que sinto saudades. Já não sei o que é ir cantar os Reis e poder fazer maroteiras enquanto os outros estão entretidos no jantar. Já não sei o que é dar uns chutos numa bola ao final da tarde. Já não sei o que é participar numa festa de Natal ou nalgum espectáculo sem ter que me preocupar com o que vamos ensaiar e avisar todas as pessoas. Já não sei o que é ir ao cinema ou, pura e simplesmente, jogar uma "bisca dos nove" ao sol, na varanda.
Antes combinávamos coisas e tínhamos prazer nisso. Não sei...
Não estava preparado para isto.
Acho que preciso de outro dia como o da foto em que segui à risca o teu conselho de me pôr a jeito. Então fui com a Odete até à praia para ler o teu texto sobre o pôr-do-sol. Dos melhores dias da minha vida.
A propósito: hoje voltas a "revolver-me as entranhas" com as tuas palavras para o Fábio. Serviram também para mim. Mesmo sendo eu o rapaz mais velho de todos os que nasceram em 1976. Ou talvez por isso mesmo...
Andava à minha procura e sinto que fiquei mais perto de me encontrar.

Até breve.

N1 - Fido Dido



A música, não raras vezes, tem o dom de nos transportar para tempos e locais que outrora nos foram queridos. Neste particular, o cd que hoje partilho convosco tem o dom de me levar até aos melhores dias da minha vida. Onde nunca tive a solidão por companheira. Onde a minha sanidade mental ainda se reconhecia quando via a minha cara reflectida no espelho. Onde as preocupações eram poucas ou, pura e simplesmente, não existiam. Onde nunca me sentia sozinho, nem mesmo (ou principalmente) no meio de muita gente.
Lembro-me de apanhar o autocarro da Calçada às 8h30 em Rossas. Era Dezembro. Estávamos nas férias do Natal. Com a companhia do eterno Pedro lá partimos rumo a S. J. da Madeira onde iria gastar algum do dinheiro que havia ganho como prémio de mais uma temporada ao serviço da Banda Musical de Arouca. Comprei, nesse dia, 6 cds de música. Foram os meus primeiros cds. Pagos com o meu dinheiro. Um deles foi este "N1" que trago agora no carro para me ajudar a fazer a viagem de Arouca até Torres Vedras. Faz-me reviver tanta coisa...
Lembro-me que por essa altura a Associação de Estudantes do liceu teve a ideia pioneira de colocar umas colunas potentes junto à "capela" para dar música a toda a escola durante os intervalos. Era este o cd que mais passava. Devo isso ao meu grande amigo Freitas que já não vejo há mais de uma dezena de anos. Enfim...
Ponho o volume no máximo e deixo-me levar pelas músicas... "What's Up", "Creep", "Forever in Love", "Condemnation", "Everybody Hurts", "Go West", etc, etc, etc... Quando dou por mim estou já lavado em lágrimas a conversar com Deus e a agradecer-lhe por me ter proporcionado, em tempos, dias tão bem preenchidos.
Chego a Torres Vedras, arrumo tudo o que há para arrumar e deito finalmente o meu corpo na cama para mais uma noite de descanso. E é assim que adormeço agarrado ao travesseiro. A desejar acordar bem cedo no dia seguinte, para voltar a apanhar o autocarro da Calçada das 8h30 para S. J. da Madeira.
Por favor, digam-me que isto não acontece só comigo...
Um abraço.

Miguel

Bohemian Rhapsody... pelos Marretas!!!


Aqueles que me conhecem sabem da minha enorme admiração pelos "Queen". Aliás, chamar-lhe admiração peca por escasso tal é a minha relação com toda a música criada por aqueles 4 génios. Tal relação leva-me a possuir um número interminável de cassetes, cd's, vhs, dvd's, livros de partituras, entrevistas aúdio em inglês das quais nem percebo uma palavra, etc, etc, etc... Digamos que aquela música apanhou-me "de repente" aquando da minha infância/adolescência e nunca mais me largou.
Quem me conhece sabe ainda que a minha música preferida de todos os tempos tem a assinatura do incontornável Freddie Mercury sendo uma obra-prima que mistura "pop-ballad" com "ópera" e "heavy-metal" de forma soberba. Costumo dizer que há coisas que nunca mais esqueço: quando os meus pais me deram uma bicicleta nos meus anos, quando o Carlos Manuel marcou o golo à Alemanha e que deu o apuramento para o campeonato do mundo de futebol de 1986, a primeira vez que vi teatro e a primeira vez que ouvi "Bohemian Rhapsody". Foi este o tema que fez com que me apaixonasse por toda a obra.
O que quem me conhece talvez não saiba é da minha admiração pelos "Marretas", em particular pelos velhotes rabugentos do camarote: Statler e Waldorf. Transportam-me para tempos de meninice onde, para mim, o "Balão Mágico" era o céu.
Pois bem... Esta semana que passou, enquanto passava os olhos pelo telejornal dei particular atenção a uma notícia em especial. Para assinalar os 18 anos da morte de Freddie Mercury a 24 de Novembro, os "Marretas" decidiram fazer uma homenagem ao talentoso músico e vocalista e criaram o seu próprio "videoclip" de Bohemian Rhapsody. Como devem imaginar, para mim foi algo de extraordinário.
Deixo-vos agora em paz para que apreciem com calma este momento divinal.
Um abraço e até à próxima.

Miguel

P.S. Um abraço para o António Jorge que no seu "Rumo" também não deixou passar este momento em claro.

Esta vida de marinheiro está a dar cabo de mim...


Talvez o nome João Aguardela não te seja familiar. É triste.
Mesmo olhando para a foto que te deixo, mesmo assim, talvez o nome e a cara continuem a não parecer algo de familiar. É triste.
Imagina agora que te falo de um dos mentores de projectos como “Megafone”, “Linha da Frente” ou “A Naifa”. Ainda não? Nada? É triste.
E o grande obreiro e fundador, em 1987, de um grupo “rock” chamado “Sitiados”? Sim? Ainda não? É triste. Muito triste.
Pois bem…
João Aguardela vai ser homenageado por músicos e amigos em Lisboa, pelo que fez ao serviço da música portuguesa. Não serei a pessoa mais indicada para falar de todos os seus feitos. Nem mesmo de alguns. Mas sei dizer-te que a sua música andou, não poucas vezes, de mãos dadas com a minha querida adolescência. Quem não se lembra da célebre “Vida de Marinheiro” que passava nas rádios vezes e vezes sem conta e que fez com que aquele seu disco vendesse mais de 40 mil cópias? Tenho saudades. Muitas. Lembro-me da primeira vez que li o nome João Aguardela. Não sabia quem era mas só podia ser um bom músico ou não estivesse esse nome nos “créditos” da canção “A Noite” popularizada no início dos anos noventa pelos também saudosos “Resistência”. E eu tenho saudades. Também porque essas músicas cheiram às memórias desses tempos de ouro. Cheiram à minha sala antiga onde ficava dobrado no sofá com a aparelhagem ligada ao máximo. Cheiram às tardes passadas em casa do Pedro ou às tardes passadas no Cheiro Verde a jogar bilhar (ai se a minha mãe sabia!!!). Cheiram à saída do autocarro de manhã cedo, em frente ao liceu, onde se encontravam amigos para a vida como o Freitas ou o Bruno. Cheiram aos 15, 16 ou 17 anos onde não posso mais voltar e onde fui tão feliz.
João Aguardela, entre muitos outros prémios, foi distinguido em 1994 com o Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Autores. Ainda hoje, por vezes, nas grandes viagens de carro que sou forçado a fazer, quando dou por mim estou a trautear “Vamos ao circo…”
Tenho saudades. Já disse?
João Aguardela partiu aos 39 anos em Janeiro último vítima de cancro. Cedo demais, dizem. Dizemos. Mas ainda bem a tempo de cumprir a sua missão. Pela música que nos deu. Pelo menos no que a mim diz respeito.
Resta deixar um obrigado. Sincero. Sentido.
Até sempre.

Miguel