O Verão de 1992


“Sou alta” - diz a Amizade.
“Sou profundo” – diz o Amor.
E lembram bem, na verdade,
Montanha e vale, ao sol-pôr,
Pois antes que o sol resvale
Ao pélago, onde se banha,
Já dorme em sombras o vale
E há ainda sol na montanha.

As palavras são do poeta João Saraiva. Ainda não as conhecia em 1992 mas hoje parecem fazer todo o sentido.
Quando escrevo este texto estou só. Há uma cadeira encostada a uma parede de pedra e eu encostado à cadeira. E uns pássaros lá ao fundo a mudarem de árvore em árvore e de galho em galho. De vez em quando picam o chão mas depois voltam ao mesmo lufa-lufa. Estes simples pormenores, juntamente com o tempo airoso que se apresenta, não demoram a levar-me, novamente, para outros tempos. Ai, saudade...
A varanda da casa dos meus pais foi, em tempos, um lugar privilegiado. Mesmo já sem o sabor de outros tempos, era a essa varanda que recorria para ficar a olhar para o antigo recinto da escola primária. Só e apenas isso. Antes das grades e, sobretudo, antes do necessário Polo Escolar. Porque mesmo despovoado trazia memórias que não se conseguem escrever. Apenas sei que revolvem as entranhas, enchem o coração e espremem a alma até a última lágrima cair ao chão. Dentre elas, as melhores serão, porventura, as do Verão de 1992. Aquele em que, para além dos amigos do costume, trouxe também os amigos “franceses” Daniel e Jorge (e as suas primas) que durante todo o período de férias marcavam presença nesse recinto sagrado desde os primeiros raios de sol até ao céu ficar escuro como breu onde até a própria noite já há muito se teria deitado.
Para além do meu irmão, do Pedro, do Tono, do Carlos, do Sérgio, do Paulo das Silveiras ou do João do Selmo, tínhamos nessa altura também o Miguel “Confiança” que embora estivesse por Rossas ainda há pouco tempo já se tinha adaptado aos novos colegas e cedo entrou connosco em muitas aventuras. 
Dessa varanda vi, vezes sem conta, a frase “Cá vou eu” que se tornou célebre e nós lá saberemos porquê. O que nos rimos com isso. E aquele dia em que cheguei com a minha bicicleta novinha em folha e me pediste para dar uma volta... Dói um bocado vê-la abandonada na garagem do meu pai e com as mudanças todas estragadas. Um dia destes mando-a consertar só para ter o prazer de conseguir fazer novamente o percurso da Barroca até casa dos meus pais com a roda da frente no ar. Isto, se ainda mantiver a destreza desses dias. Duvido. Mas sonhar não tem limites, não é?
Os jogos de baliza a baliza sem defender com as mãos era uma das brincadeiras favoritas e tantos foram os episódios de buscar a bola ao campo de milho por chutar com força a mais. E eu lembro algumas dessas histórias e as entranhas voltam a revolver cá dentro.
Depois havia também a “ida às cerejas” que certa vez acabou com uma aventura por meio de pirilampos. E lembro-me de algumas vezes levar uma mesa para o coberto onde passávamos a tarde a jogar ao sobe e desce. Esse Verão trouxe ainda a particularidade de trazer umas aventuras extra que obrigaram a fugir por entre o milho.
Hoje, a esta distância, sei que o Verão de 1992 nunca deveria ter terminado. Nunca. Mas terminou. Nem o recinto sobreviveu. Resta apenas a varanda, ainda, para avivar um pouco a memória, voltar a ter amigos e encher o coração.
Os pássaros voltam a mudar de galho lá ao fundo. É hora de voltar ao presente. Antes de me “desligar” do passado, enquanto me levanto, volto a lembrar as palavras de João Saraiva e volto a cabeça para trás para me fixar nas montanhas. Talvez não seja descabido continuar a viver desta forma. Afinal de contas, “há ainda sol na montanha”.

Knack, Trials Fusion e a PS4

No Natal deram-me um presente de sonho. Pelo menos para um amante dos videojogos desde tenra idade como é o meu caso. O ZX Spectrum e o Commodore Amiga já há muito que lá vão pelo que a PS4 recebida foi acolhida de braços bem abertos.
O tempo é que não chega para nada. Os dias já não se contam pelas mesmas horas que se contavam noutros tempos. Os afazeres (extra) que me arranjam quase diariamente foram-se acumulando anos e anos sem fim até que o meu corpo, muito recentemente, tratou de dizer à minha cabeça que já não dava para mais. Já não dá para aguentar, pura e simplesmente porque o corpo, de facto, já não aguenta. Como é possível “não ser possível” sequer jogar umas cartas, descansadinho, em casa? Já não me lembro da última vez que o fiz, nem sequer em que ano terá sido. E eu até tenho boa memória...Mas adiante!
Na altura em que a PS4 aterrou lá em casa eu ainda tive uns diazitos na época natalícia para desenhar em mim a ilusão de que era ainda um adolescente. E foi assim que ainda consegui acabar o simpático Knack (não está à altura de um Ratchet & Clank mas consegue ser divertido) e perder algumas horas com o excelente Trials Fusion. Um autêntico vício. Excelente.
Depois tudo foi ficando paradinho lá em casa, sem tempo para qualquer uso. Sabiamente, aos poucos, fui enriquecendo a minha coleção de jogos a pensar nas férias que se avizinham. É certo que os tempos são mesmo outros e as férias grandes, com o tempo, foram ficando cada vez mais pequenas. Mesmo assim espero conseguir realizar a minha “vingança”. E para o fazer basta apenas conseguir, nesses dias, dar uma espreitadela aos jogos que tenho na prateleira ainda por experimentar: Destiny, Far Cry 4, Metro Redux, The Last of Us, Assassin’s Creed IV, Wolfenstein, Killzone ou The Order 1886 entre outros. Ora digam lá se não se avizinham umas férias bastante “mais ou menos”?
Aviso já os meus amigos que assim que entrar de férias, poucos serão os dias e as horas em que o meu telemóvel estará ligado. O meu objetivo, a longo prazo, será mesmo prescindir de tal empecilho durante os 365 dias do ano. Porque gente a dar-me que fazer é coisa que não falta. Mas isso é conversa para outro texto...
Um abraço e boas férias, que as minhas ainda não chegaram mas hão-de vir, se Deus quiser.

Dia 14: Chris de Burgh



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 14 – Chris de Burgh

No dia de Páscoa consigo mais uns minutos para deixar mais um pequeno texto neste blogue. Desta vez para dar seguimento à lista de 30 artistas que de alguma forma marcaram o meu percurso da adolescência e juventude e que me comprometi a partilhar aqui neste meu cantinho. Ainda ficam a faltar 16 mas eu hei-de lá chegar.
Hoje trago-vos Chris de Burgh. Cheguei até ele há muitos anos atrás através do meu irmão e do incontornável Borderline. Só isso seria motivo mais do que suficiente para merecer lugar de destaque nesta minha lista de memórias musicais. Ainda hoje é das canções que mais gosto de tocar no piano. Mas felizmente Chris de Burgh trouxe muitas outras de igual qualidade.
Acredito que Lady in Red e Missing You sejam as que os outros comuns mortais mais lembrarão. Mas eu guardo boas memórias ao som de So Beautiful, Much More Than This, The Head and The Heart e, sobretudo, este Here is Your Paradise que vos deixo.
Um compositor que usa muito o piano. Talvez por isso me tenha conquistado desde o início. E hoje voltei a ouvir Borderline outra vez, e outra, e outra, e outra...
Boa Páscoa (e boa adolescência/juventude) para todos.
Até amanhã.

GCRR Sub-12 - Verão 1986

Equipa de sub-12 do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas que participou no Torneio de Futebol Infantil/Juvenil – Verão 1986

Em cima (da esq. para a direita): Pedro Silva (“Selmo”), António Almeida (Paço), José Paulo “Krespim”, Pedro Tavares (cap.)
Em baixo (da esq. para a direita): Miguel Brandão (Eu), Vítor Azevedo (Curro), Pedro Vieira

Tinha apenas 10 anos quando representei pela primeira vez o G. C. R. Rossas que tanto amo. O Grupo, esse, era ainda mais novo… Tinha (oficialmente) apenas 5 anos. Era assim uma espécie de irmão mais novo…
Guardo, com uma nitidez invulgar, as imagens desses tempos em que o “futebol”, para mim, era “jogar à bola”… Tenho saudades de jogar naquele recinto minúsculo da Escola Primária em que quatro pedras desenhavam os postes imaginários das balizas; dos remates por alto que não contavam golo porque o guarda-redes “não lhe chegava”; das bolas de borracha, dos sapatos estragados e das calças rotas no joelho; das habilidades que aprendi a fazer com uma bola, tão sabiamente ensinadas pelo meu irmão (que nestas coisas de “jogar à bola” sempre foi muito melhor do que eu); das inúmeras tardes passadas a dar toques sem deixar cair a bola no chão (chegaram a ser mais de 1000 toques de seguida, com apenas 10 anos…); da escolha das equipas através do par ou ímpar… enfim!!!
E nesse Verão de 1986, o Grupo abriu-me as portas de um sonho, a janela de todas as ilusões… Nesse Verão, tenho a certeza que fomos os melhores… Mesmo caminhando de derrota em derrota (só ganhámos um jogo e empatámos outro), mesmo sendo um Grupo de “bolsos vazios”, cheio de nada e coisa nenhuma, para mim, era cheio de tudo… Dava-nos, nesse torneio, um campo grande para jogar, com redes nas balizas e tudo!!! E, por quarenta minutos, podíamos dar pontapés numa bola “a sério” e passar a bola a um amigo que nesse dia até vestia uma camisola igual à minha e tudo… Que saudades desses equipamentos emprestados pelo Sport Rossas e Malta que tinham os números cosidos nas costas… É daí que vem a curiosidade de jogar sempre com o número 2. Foi o número que me calhou em sorte, na altura… E as saudades das sapatilhas velhas que já não serviam ao meu irmão e das meias até ao joelho que podia usar nesses dias e que o meu irmão me ensinava a calçar… E quando o árbitro apitava, era o paraíso… A partir daí, podia ser todas as imagens que criara, deitado na alcatifa do chão da minha casa de infância, a ouvir o Ribeiro Cristóvão no rádio, a relatar todas as jogadas do meu Benfica… E mesmo sendo derrotados pelos outros, e estando a perder a bola constantemente para outros pés mais habilidosos que os meus, não trocava esses momentos por nada… Como eu queria ter 10 anos outra vez, para voltar a receber a bola nos pés e, naqueles escassos segundos em que a conseguia manter em meu poder, voltar a sentir o Benfica todo nos meus pés… Foram tantas e tantas as vezes que fintei com o nome de “Chalana” ou “Diamantino”, tantos os livres que marquei como sendo o “Carlos Manuel”… E como sabiam tão bem aqueles golos marcados à “Nené” do calção branco… O que poderia eu desejar mais?!! Por isso, perdoem-me se digo que fomos os melhores… Porque afinal, o que é que pode ser melhor do que isto?!!! E o nosso Grupo, o tal dos “bolsos vazios”, cheio de nada e de coisa nenhuma, deu-me isso tudo… O que mais poderia eu pedir?!!
Hoje tenho 38 anos. O Grupo tem 33. Já não consigo descortinar na minha memória todas as coisas que fiz a representar o Grupo. Mas sei que foram muitas. Certamente muitas mais do que aquelas que estás a pensar… E, ao longo de todos estes anos, fui convivendo com as mais variadas pessoas em todas essas actividades… Todas essas pessoas que ajudaram a fazer o Grupo, aquilo que ele é hoje. Porque o Grupo que eu tanto amo não é um símbolo ou emblema… O Grupo é “as pessoas”… E, às vezes, quando estou no palco a representar, sinto-me todas elas (onde eu também me incluo), com os seus “nadas”, a dar tudo a um Grupo que nunca me dá menos do que aquilo que eu lhe dou.
Sim. Tenho 38 anos. Tenho saudades dos meus companheiros da foto. Também agora, mas sobretudo daqueles rapazinhos, com os mesmos nomes, mas que tinham 10 anos e que faziam trocas de cromos de jogadores nos intervalos da Escola Primária, e que brincavam comigo com os carrinhos e os bonecos, à macaca, ao pião, ao arco ou às escondidas...
Obrigado Grupo Cultural e Recreativo de Rossas.

Miguel

E tu, ainda te lembras do Freitas?

Há dias que demoram a chegar até nós. Porque não sabemos a data exata. Apenas acreditamos que vão chegar e mais nada. E isso torna a espera mais demorada mas também o encontro final mais gratificante.
Corria o ano letivo de 1988/89 quando entrei para o 7.º ano do liceu. Muitas coisas eram bastante diferentes dos dias de hoje. As famílias eram maiores, as roupas eram mais escassas, os penteados mais originais e o meio de transporte mais utilizado para chegar à escola ainda era o autocarro.
Aos amigos de Rossas e Várzea que me acompanharam do ciclo, juntaram-se outros da freguesia de Chave. Dentre esses estava o Freitas que foi meu colega de carteira em muitas aulas e de quem tenho aventuras para contar que dariam certamente para escrever um livro.
A princípio, na nossa sala 11, o Freitas ficava na carteira da frente ao lado do Abílio (um amigo que o acompanhou da Tele-Escola) mas, como estavam sempre na brincadeira, não tardou o dia em que uma das professoras o trocou de lugar para uma das carteiras do fundo. Isso fez com que se mudasse para a carteira ao lado daquela que eu partilhava com o meu amigo Rui. Quando fizemos o nosso primeiro teste nessas condições acho que o Freitas viu aí uma pequena mina de ouro. Como nessa altura eu era um óptimo aluno, ele agora poderia trocar papelinhos comigo e melhorar as notas dos seus testes. A tática estava traçada: brincadeiras com o Abílio em mais umas quantas disciplinas, mesmo procedimento por parte dos diferentes professores e, quando me fui dando conta estava a resolver vários testes do Freitas em outras tantas disciplinas. Eu e o Rui, que também ajudava no esquema, principalmente a Matemática.
Já no 8.º ano o Rui haveria de reprovar com 3 negativas (como é que é possível?!) pelo que na transição para o 9.º ano o lugar de meu colega de carteira ficou livre. Não é difícil de adivinhar, pois não? Foi assim que na pequenina sala 28 do pavilhão 3 passei a ter a companhia do Freitas na maior parte das disciplinas. Tempos tão saborosos.
Gosto de fechar os olhos e voltar a estar lá. Para mim é um exercício muito fácil. Talvez por ser um exercício de coração. E eu fecho os olhos e volto a ver as camisas com padrões, umas calças claras (não me perguntes porquê) e, sobretudo, as sapatilhas da “Centro” que andavas com frequência. Nesse escuro que me traz o passado, chegam também as aulas de Educação Física e os célebres jogos de “turma contra turma” que animavam todas as manhãs e as horas de almoço. Nesse silêncio consigo ouvir pulos e gritos de “hora-livre” e as saídas às 18h15 onde se ia esperar a camioneta à vila.
A voz do Freitas, sei-o agora, continua igualzinha. Um timbre que reconheceria nem que outros 20 anos se passassem (mesmo que agora fales 5 línguas diferentes fluentemente). Como os tempos eram outros (nem telemóveis, nem internet entre outras coisas), durante quase 20 anos carreguei comigo a mágoa de nunca mais ter visto o Freitas. E logo ele que era como que um símbolo daqueles anos de ouro que passei no liceu. Um dos primeiros rostos a aparecer quando volto àqueles dias.
Até que fui encontrando alguns dos amigos dessa altura e fomos começando a fazer crescer a ideia de um jantar para juntar a malta dos antigos 10.º e 11.º B. E eu só pensava que alguém haveria de conseguir encontrar o rasto do Freitas. E esse alguém teria de ser eu.
Ainda não consigo disfarçar o meu sorriso quando te liguei e ao explicar-te quem falava deste lado a tua primeira reação foi: “como é que conseguiste o meu número?”. E falámos, falámos, falámos...
Foi óptimo ter-te cá em casa no domingo e saber como te vão correndo as coisas. Ver que estás diferente mas que no fundo, estás igual. Os anos passam e cada um foi fazendo a sua vida. As coisas são mesmo assim.
E o jantar há-de chegar Freitas. Prometo. Lá para Agosto de acordo com a tua disponibilidade. Será essa a vontade da grande maioria dos outros, acredito. Até para voltar a ver o Carlos pois também não lhe ponho a vista em cima desde essa altura. Mas mesmo que assim não fosse jantaríamos os dois. Para voltar a colocar a conversa em dia. Para o futuro ficar mais risonho por nos lembrarmos um bocadinho mais do passado.

E tu, lembras-te do Freitas?

Dia 13: Scorpions



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 13 – Scorpions

Os Scorpions são um dos meus grupos de eleição.
É impossível falar deles sem recordar as suas muitas poderosas baladas.
As mais antigas, se calhar por isso mesmo, são as que me deixam mais saudade. 
Fecho os olhos e vejo imagens nítidas. Com pormenores a salientarem-se naturalmente. De facto, todas essas baladas me transportam para memórias tão boas que não fazem qualquer sentido quando acompanhadas de outros acordes. Há momentos que foram meus e dos Scorpions e de mais ninguém. E isso é impossível mudar. Ficará comigo até ao fim dos meus dias.
- “Believe in Love” foi meu, do meu sofá e da minha aparelhagem com o som próximo do limite máximo.
- “Always somewhere” foi meu e de um tempo que, infelizmente, já não volta.
- “Living for tomorrow” foi meu e de uma cassete que o Pedro me gravou. Lembro-me que chegava ao fim da música e eu invariavelmente lá fazia rewind para voltar a ouvir tudo de novo, vezes e vezes sem conta...
- “Wind of change” foi meu e de toda a gente.
- “Holiday” foi meu e de uma noite no recinto da escola primária ao som do rádio do meu irmão, com os amigos de sempre, e com o Carlos aos pulos a cantar forte quando o Klaus começava aquela parte “Longing for the sun you will come”...
- “You and I” foi meu e da Odete. Foi por essa altura que decidimos começar a nossa linda caminhada em conjunto há quase 19 anos atrás.
E tantas, tantas outras que comigo criaram uma relação especial.
Olho para trás e facilmente percebo que grande parte do meu percurso se confunde com a boa música dos Scorpions. Por isso, quando de qualquer forma alguma música dos Scorpions te chegar aos ouvidos é muito provável que eu também lá esteja. Muitas saudades desses tempos, mesmo sendo grande parte desse mesmo tempo ainda actual.
Estarei por aí, “Always somewhere”.
Acredito profundamente que "The best is yet to come".
Até breve.

Dia 12: Joe Cocker



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 12 – Joe Cocker

As coisas por aqui vão andando muito devagarinho. A um ritmo bastante lento, é certo. Mas vão andando. E hoje consigo dar mais um passo nas minhas memórias musicais. E é assim que chega a vez de Joe Cocker.
Logo à partida surgem na memória Unchain my heart, Up where we belong ou o inacreditável You are so beatiful com a brilhante interpretação do Joe Cocker mexendo as mãos como se estivesse a tocar piano. Excelente.
Mas o que me transporta mesmo para as melhores memórias são o Edge of a dream e o All I know (feels like forever). A primeira porque estava inserida no álbum Love Classics 2 que saiu em 1993 e que descobri aí que tinha o dedo do Bryan Adams. Uma óptima canção.
A segunda saiu da mente brilhante de Diane Warren, autora de inúmeros êxitos que chegaram até nós na voz das mais variadas estrelas pop/rock. Gosto especialmente desta última música. Parece fazer jus ao nome que tem. Ao re-ouvir aqueles acordes todas as boas lembranças que surgem parecem querer dizer que realmente tudo “feels like forever”. No bom sentido.
Até já.

Dia 11: Guns'n'Roses



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 11 – Guns'n'Roses

Depois de um longo período de interregno eis que retomo a minha lista de memórias musicais a que resolvi chamar em tempos de "30 Dias / 30 Artistas".
Foram já dez as excelentes memórias partilhadas. Hoje prossigo esta caminhada com outras lembranças igualmente de ouro.
Trazer a adolescência para perto de nós é voltar frequentemente ao que de melhor os Guns'n'Roses nos trouxeram. Dentro dessa boa música estão, à cabeça, Don't Cry, November Rain, Live and Let Die, Paradise City ou aquela deliciosa versão de Knockin' on Heaven's Door. Que saudades...
Na cabeça ainda estão entranhadas as cores que pintavam as capas dos álbuns Use Your Illusion I & II que o Pedro tinha e que fez o favor de me emprestar na altura para eu passar tão precioso som para cassete.
Depois era ouvir até cansar o que, como se sabe, é bastante difícil.
Muitas saudades desse tempo e, sobretudo, muita angústia por nos dias de hoje o tempo não sobrar para ouvir tão boa música.
Por hoje fico por aqui.
Amanhã haverá mais. Espero eu.
Boas memórias por esses lados?
Grande abraço.

Feira das Colheitas

A Feira das Colheitas acabou. 
Confesso logo à partida que haverá uma quantidade enorme de gente a quem esta magnífica festa diz muito mais do que a este simples mortal que hoje vos escreve estas linhas. No entanto, e como bom arouquense, isso não impede que nutra por ela aquele carinho que estará nos genes das gentes desta terra. E a edição deste ano, no que a mim diz respeito, teve as suas particularidades. Desde logo, apanhou-me numa fase muito introspectiva. O facto de estar na festa mas "longe da multidão" levou-me a muitas avaliações interiores, tão necessárias quanto proveitosas (embora, por vezes, dolorosas).
Sabia de antemão que estaria ocupado em "trabalho" na sexta-feira, no sábado e no domingo. Isso, só por si, deveria ser motivo de análise e de apreensão logo à partida. Como se pode aproveitar uma Feira das Colheitas assim?!
Mas comecemos pelo início. Costuma ser o mais sensato...
Por saber a pouca disponibilidade que teria nos outros dias, a quinta-feira foi aproveitada para passar um bocadinho nos carrosséis com a Odete e ficarmos os dois deliciados a ver os risos dos nossos pequeninos. E como é tão bom podermos dar-lhe um pouco de mimo de vez em quando... Tenho de agradecer à Odete essa noite pois, a verdade seja dita, o cansaço era tal que nem queria sair de casa e foi ela que me convenceu. Ainda bem.
Nos restantes dias o plano era outro. A missão passava pelo apoio necessário à realização do Encontro de Concertinas e dos Cantares ao Desafio, pela execução de clarinete durante todo o sábado ao serviço da Banda Musical de Arouca e pela apresentação do Folclore durante todo o domingo. Não sobrava tempo para mais. E isso fez-me viajar para "dentro". Analisar. Reformular. Seguir. Reagir.
Deu ainda para passear um bocadinho (pouco) sozinho pela festa. Vi, ao longe, grupos de amigos juntos em amena cavaqueira. Caras conhecidas de outros tempos que mantêm os laços do passado. Uns felizardos. Ainda bem.
Já não tenho os amigos de outros tempos para ir aos carrosséis, andar pela festa ou beber uns copos. Nada de mais. Apenas fica estranho. E no meio de tudo isto levei com duas "pedradas no charco". A primeira na sexta quando estive à conversa com o amigo Neno que vejo tão poucas vezes mas que nunca esquece os fantásticos tempos de outrora. É desta que vai sair o tal jantar com alguma da malta do 10.º ano. Já estou a tratar disso amigo. Já estou a tratar disso. Obrigado pela nossa conversa.
Depois foi a vez de no sábado reencontrar uma das minhas melhores amigas de sempre e que já não via há uns 17 anos. E isso é muito tempo. Mesmo. Mas, no sábado, não pareceu. Por isso foi em tempos uma das minhas melhores amigas. Porque mesmo sem nos falarmos tanto tempo, no sábado, fizémo-lo como se a nossa última conversa tivesse acontecido na véspera. Como se o tempo não tivesse existido entretanto. E eu creio que é isso mesmo que acontece com os verdadeiros amigos. E ficou prometido um novo encontro, desta vez sem deixarmos passar tanto tempo. Porque há muito para contar e para saber. Uma óptima surpresa.
Pelo meio tive a Odete e os meus pequeninos a ver-me na Banda e a apresentar o folclore, o melhor que a festa me poderia trazer.
Dos vários amigos com quem passeava pela festa noutros tempos, nenhum sobrou. Mas há um, de quem gosto muito, que tem sido a minha companhia nestas últimas edições e que me acompanha sempre mesmo quando estou a maior parte do tempo em trabalho. E este ano não foi diferente. Obrigado Nando, és das melhores companhias que eu poderia ter. Acabámos a festa no carro, a caminho de Rossas, concordando que foi bom e a desejar que para o ano seja ainda melhor. Acredito que sim, e que acabará mais ou menos como este ano: contigo no carro a caminho de Rossas. Se assim for, serei um homem feliz.
Até para o ano.

Queen Forever

É já no próximo dia 10 de Novembro que chega às lojas o tão falado novo álbum dos Queen. Infelizmente, para os fãs incondicionais como eu, este álbum de "novo", tem realmente muito pouco. Mais do que isso: é um pouco que acaba por saber a isso mesmo, muito pouco.
Custa a crer que com tanto material "inédito" para trabalhar (e todos sabemos como hoje em dia com o Pro Tools facilmente se fazem óptimos milagres) a esmagadora maioria das canções sejam velhos êxitos. É certo que continuam a ser de qualidade muito superior a tanta coisa nova que anda por aí mas, continua a saber a pouco.
Pergunto-me como é possível ignorar "rarities" do nível de "I Guess We're Falling Out" ou "It's So You" (só para citar alguns) que facilmente se tornariam novos êxitos depois de devidamente trabalhados. E isso sim, seriam realmente inéditos. Os verdadeiros fãs (e são tantos) preferem isso e não uma milionésima versão de muitos outros grandes êxitos que já todos sabemos de cor a salteado e que não necessitavam de um novo cd para os continuarmos a ouvir até à exaustão.
Custa a engolir que se faça passar a grande ideia que o prato forte deste álbum é um suposto inédito "There Must be More to Life Than This" com o Michael Jackson que eu já tenho em minha posse há mais de uma dezena de anos. E não estou a falar da versão a solo do Freddie que já em 1985 era fenomenal... Como é possível?!
No entanto, apesar de todo o hype, nem tudo são pequenas desilusões.
Felizmente a versão mais lenta de "Love Kills" está muito boa e o "Let me in Your Heart Again" acaba por funcionar realmente como um verdadeiro inédito (embora não o seja na totalidade). E isso acaba por ser suficiente para me deixar inebriado por uns tempos. E volto a apaixonar-me por tudo outra vez. Como se voltasse à adolescência. Como se as canções fossem realmente novas...
Mas fica sempre o gosto amargo de sentir que tudo poderia ter sido feito ainda melhor. Muito melhor.
Talvez isso explique o porquê do John Deacon há muito se ter reformado. É um homem muito sábio.
Mesmo assim, obrigado.
Vou estar sempre aqui.