Eu e a Carla

A minha vida e a da Carla cruzaram-se, corria o ano letivo de 1993/94. 
Estávamos na mesma turma pelo que iríamos partilhar a mesma sala de aula durante todo esse período. 
Conhecia a Carla apenas de vista, dos corredores do liceu. Digamos que não era uma tarefa muito difícil dado que ela tinha um certo grau de popularidade. A minha tarefa ficava assim mais facilitada. No sentido inverso seria, certamente, muito mais difícil. 
Embora estivéssemos os dois na área das ciências, eu andava pela turma B e ela pela turma A. Só no nosso 12.º ano nos encontramos finalmente. 
Uma das coisas boas que esse ano me trouxe foi a sala 7 do antigo pavilhão 1. Do lado da janela, na última carteira, ficava eu com o amigo Nepinhas. Na fila do meio, também na última carteira, ficava a Carla com a amiga Susana. Não foram precisos muitos dias para que se começassem a trocar bilhetes, conversas e risadas em plena sala de aula. Tenho muitas saudades das míticas aulas da professora Angelina Martins que era uma jóia de pessoa e uma brilhante professora. Tenho saudades, também pelos ensinamentos que me deu, mas sobretudo das anedotas que acompanhavam os apontamentos que fornecia, das cómicas respostas que dava quando alguém ingenuamente perguntava “posso entrar?”, tenho até imensas saudades das piadas do Jonas. Mas o que me faz viajar mais no tempo para chegar a essa sala 7, são mesmo as memórias dos inúmeros episódios passados com o Nepinhas, a Susana e a Carla. É difícil enumerar tamanhas memórias. O receio de as estragar obriga a atenção e cuidado redobrados. 
Em casa, dentro de uma pequena caixa, guardo ainda essas cartas e bilhetes trocados, com a ternura de quem leva um filho pelo braço. 
Aos poucos, mas fazendo muito, a Carla foi-se tornando a minha melhor amiga. 
Sabes... 
Sinto falta daquele festival vicarial em que partilhámos o palco, primeiro com a canção da Escola Secundária que creio que se chamava “A família está doente”. Houve um dia em que fomos todos para tua casa e passámos a tarde a ouvir boa música. Talvez por isso ainda hoje tenha um carinho especial pelo álbum “Get a Grip” dos Aerosmith. 
Como Rossas ganhou esse festival, tive a felicidade de pisar o palco no Pavilhão Rosa Mota onde nos acompanhaste desde a primeira hora contribuindo até com as camisas que os elementos do coro usaram nesse dia. Tudo o que a palavra “Ressurreição” possa englobar esteve lá nesses dias o que faz com que quando chegar a minha hora eu me possa sentir reconfortado. 
Lembro-me de te fazer algumas visitas no Pão-de-ló, entre as quais uma em que te levei alguns textos para te ajudar numa festa da catequese, creio eu. Lembro-me ainda de, numa dessas vezes, me mostrares várias fotos daquele festival no Palácio de Cristal, fotos essas que podes começar a procurar pois não tenho nenhum exemplar e vou-te chatear um dia destes. Disso não tenhas dúvidas. Lembro uma foto em particular que mostra a minha ansiedade momentos antes de subir ao palco e que te fazia sorrir de forma quase descontrolada enquanto me mostravas. 
Há ainda aquele passeio de Religião e Moral de tão boa memória e que a foto acima tão bem documenta. 
Fomo-nos afeiçoando e, aos poucos, quando dei por mim, estava a querer saber coisas de ti e tu a querer saber coisas de mim. 
Ias perguntando das minhas atuações de teatro (aí eu ainda estava a dar os primeiros passos) ou pelas minhas aulas de piano. Nenhum outro colega ou amigo me fazia isso nessa altura. 
Ficaste amiga dos meus amigos o que, deves reconhecer, era uma tarefa relativamente fácil, dada a elevada qualidade das pessoas que me rodeavam na altura. 
Até que o ano letivo acabou. Íamos entrar para a universidade. Sem internet, facebook ou telemóveis. Perdemo-nos. 
E, acredita, nisso de perder, eu sou um ás. A vida ensinou-me que o “não sair à noite” tem as duas faces da mesma moeda. Tornou a minha vida extremamente preenchida de pessoas boas, atividades e feitos de que muito me orgulho. Mas, e há sempre um mas... Também fez com que perdesse alguns dos meus bons amigos que, entretanto, encontraram outros bons amigos. De vez em quando voltamos a encontrar-nos, falamos um bocadinho, mas lá volta cada um para o seu lufa-lufa e a vida continua em caminhos estranhamente opostos. E isso, às vezes, rasga bem fundo cá por dentro. 
No nosso caso foi bastante diferente. Estivemos cerca de 17 anos sem nos vermos ou falarmos (salvo algumas felizes exceções). Como aquela, em 1997, que me fez caminhar no autocarro do Calçada várias vezes até ao Porto para depois poder tocar, em pleno órgão da Sé do Porto, a tua missa de finalistas. 
Mas voltando ao reencontro... Passados todos esses anos, em plena praça no centro da vila, voltamos a falar como se a nossa última aula de matemática na sala 7 tivesse sido no dia anterior. Como se no dia seguinte fossemos trocar mais algum bilhete. 
Acabámos por marcar um jantar e, ainda que com alguma dificuldade de agenda, conseguimos cumprir. E eu não me esqueço que estiveste lá no meu último concerto pela Banda Musical de Arouca, um dia muito importante para mim.
É certo que, desde aí, tem sido difícil encontrar uma nova data para novo encontro. Mas acredito que o lanche que está prometido em minha casa aconteça um dia destes. E sabes o que é mesmo fixe? É que podes voltar a perguntar-me pelo piano, pelos festivais ou pelo teatro. Apenas acrescentei qualidade ao que fui fazendo, mas continuei a andar por esses caminhos. Sei muito bem que pelo menos metade da vida já passou, mas ainda acredito que são esses mesmos caminhos que me levarão ao sítio certo. 
Tenho saudades tuas. Vê lá se arranjas tempo para um lanche em minha casa que eu vou ver se faço o mesmo. É uma das minhas resoluções de ano novo. 
Beijinho e bom ano.

Miguel

Não há tempo para ter tempo...

 
Não há tempo para ter tempo.
Uma constante na minha vida que se tem agravado neste último mês. 
Isso é mau porque nos priva de fazermos muito do que gostamos e, sobretudo, de estar com aqueles que realmente gostamos de estar.
Este mês tem a particularidade de me ter atirado para fora de casa em todos os serões fruto de um sem número de ensaios, reuniões e atividades que o meu corpo começa a dizer, ainda que de forma indireta, que tenho de parar.
Não há tempo para ter tempo. E isso é mau.
Quando damos por ela estamos a sair de manhãzinha de casa e a regressar já pela noite dentro, em hora muito avançada, e com os filhos a dormir.
Todos os dias ao sair de casa, quer pelo estado do tempo, pela intensidade do vento, pelas folhas no chão, sei lá... Mas, dizia eu, ao sair de casa, lembro-me sempre de algo que já não faço mas que gostei muito de ter feito.
Os últimos dias têm-me dado um manto branco logo pela manhã e eu, antes de entrar para o carro, olho para os lados da Felgueira onde na minha meninice fui várias vezes ao musgo para fazer o presépio do “grupo coral dos pequeninos”. Outras vezes, ao chegar a casa na hora de almoço, olho o comando da consola que o Tiago esqueceu no chão e penso para mim mesmo: “logo à noite vou dar uns tiros na ps4 ou jogar wii em família” mas logo caio na realidade.
Não há tempo para ter tempo. E isso é mau. Ou não. Há sempre um lado positivo. Nem que seja o lado mais pequenininho. E o lado positivo é que acabamos por chegar a um ponto em que não dá mais. O tempo “perdido” em grandes viagens até à universidade tem sido um ótimo conselheiro. Faz-nos perceber que o Variações sabia umas coisas quando escrevia “Muda de Vida”.
Enquanto isso não acontece vou-me agarrando a alguns desses flashes que costumam surgir quando saio de manhã bem cedinho. Há uns dias foi este “Escape from the Planet of the Robot Monsters” que me passou pela cabeça. A princípio achei estranho pois, como o tempo é muito escasso, costumam ser grandes clássicos a assaltar-me a memória. Mas desta vez não. O jogo não é mais do que mediano mas, talvez devido aos excelentes gráficos, me tenha voltado a cativar. Faz lembrar um tempo em que se comprava um jogo pela beleza da “capa da cassete”. O que é certo é que estes dias tenho andado intrigado a pensar em como um jogo tão mediano não me sai da cabeça.
Um dia destes dou por mim a desmarcar algum ensaio. Só para tirar as dúvidas.
O pior é que, lá está...
Não há tempo para ter tempo.
E isso, afinal de contas, é mau.
Ou talvez não.
Logo à noite vou ouvir o “Variações”.
Só que, lá está mais uma vez...
Não há tempo para ter tempo.
Raios...
Menos mal. Lembrei-me agora que dá para ouvir no carro, durante as viagens...

Como eu gostaria de envelhecer

Este fim de semana foi um bocadinho estranho. Voltou aquela sensação de fazer algo que se gosta muito e percebermos  que isso nos faz mal. Porque de forma paradoxal nos faz mais tristes. E ninguém pode gostar de estar triste.
Fui ao jantar da Banda Musical de Arouca e lembrei-me a toda a hora dos meus tempos de Escola Primária. Nos anos 80, enquanto criança, brincava com uma imensidão de amigos logo pela manhã. Depois, ao toque da campainha, lá ia cada um para a sua sala conforme a classe que frequentava.
No sábado à noite essa imagem surgiu-me frequentemente na cabeça. Não que tenha brincado com alguém (longe disso) mas porque de forma similar também as pessoas foram conversando umas com as outras até que, na hora do repasto, cada qual foi para a respetiva mesa conforme o grupo de amigos mais chegado. É estranho ter feito (fazer) parte de uma família tão grande e bonita com é a da Banda Musical de Arouca durante quase trinta anos e, na hora da verdade, não ter uma mesa do meu "grupo de amigos". Dá para me pôr a pensar onde terei falhado.
Valeram aqueles cinco minutos com a Margarida que foram realmente genuínos e aqueles outros cinco minutos do lado de fora da tenda com o amigo "Costa" que me perguntou pelos meus pais e me abraçou com o olhar de forma sincera.
Encostado a um esteio, do lado de fora, vi chegar a Eva que me cumprimentou com dois beijinhos e me perguntou: "Aqui fora? Sozinho?" ao que eu respondi: "Prefiro estar sozinho cá fora do que estar sozinho lá dentro".
Eu bem sei. A minha forma de estar na vida é muito estranha. Mesmo que digam a toda a hora que sou um exemplo e tal... Às vezes quase que preferia não o ser mas não acabar de forma tão solitária. Mas isso logo passa. E a razão encontrei-a hoje de manhã em casa dos meus pais. Deus revela-se de formas estranhas. Tudo o que descrevi atrás se relativizou quando me dei conta que gostaria de envelhecer como o meu pai. Ele sim, verdadeiramente um exemplo a seguir e que, curiosamente, faz o seu caminho mais ou menos de forma solitária. Mas sempre com a sua companheira de toda a vida e com os filhos e os netos que muito o querem e amam. E era assim que eu um dia gostaria de envelhecer: com a minha companheira de sempre, com os meus queridos filhos e netos perto de mim, e com muitos e longos textos como aqueles que li hoje de manhã saídos da "pena" do meu pai e que retratam tempos em que tinha verdadeiros amigos.
Um dia pai, hei-de ser como tu.
Nunca me deixes que eu nunca te deixarei. E assim seremos sempre pelo menos dois.

O Miguel "Confiança"


Creio não errar ao dizer que conheci o Miguel “Confiança” corria o ano de 1990. A minha memória costuma ser mais ou menos nítida pelo que é minha convicção que ainda não foi desta que me atraiçoou.
A minha infância e adolescência foram de ouro. Os amigos eram em grande número e dos melhores que a face da terra havia conhecido. Deus foi bastante generoso comigo, talvez por isso mesmo não me canse de lhe agradecer. Apesar disso, em 1990, resolveu colocar ainda mais um rapazito no meu caminho. Os pais vinham do Porto para morar, imaginem, na casa mesmo ao lado da minha. Da janela de minha casa via-se perfeitamente o recinto da escola primária. Era lá o ponto de encontro de toda a pequenada para todo o tipo de brincadeiras. Lembro-me perfeitamente de olhar pela janela e ver o Miguel a fazer o reconhecimento do recinto montado na sua BMX branca e preta. Felizmente, nessa altura, fazer amigos era muito mais fácil. Foi só sair porta fora e em menos de um minuto já sabíamos que ambos tínhamos o mesmo nome, ele era do FC Porto e eu do SL Benfica e que que tínhamos em comum o gosto pelos videojogos; ele com um ZX Spectrum +2 e eu com um ZX Spectrum +3. Feitas as apresentações ficava logo tudo decidido: éramos amigos.
Há montes de histórias que poderia aqui contar tendo o amigo Miguel “Confiança” (era assim que o chamávamos) como protagonista. Em boa verdade porque foram muitas as partidas que lhe pregámos. Eram uma espécie de “teste” para poder pertencer à ”seita”.
Lembro-me de ter ficado deslumbrado quando vi a enorme coleção de videojogos para o Spectrum que possuía. Quem me dera por a mão àqueles jogos todos, mesmo nos dias de hoje.
Sabes Miguel, recordo muitas vezes algumas das nossas melhores histórias. Lembras-te quando num final de tarde, tinhas chegado a Rossas ainda há poucos dias, tentaste sacar um cavalo com a tua BMX em frente ao pessoal? Disseste “Cá vou eu”, levantaste a roda da frente e... Bem, aquilo correu um bocadinho mal. Estatelaste-te no chão, o guiador furou a tua t-shirt e ainda te aleijaste um bocadinho. Rimo-nos até quase rebentarem os pulmões. Desculpa. É uma característica própria do ser humano rir dos males alheios. Mas não deste “parte fraca”. Levantaste-te e disseste: “Podia ter sido mau. É preciso é saber cair”! Rimo-nos ainda mais pois estava lá o Zezito das Senras (não sei se te lembras dele) que logo responde: “Não que isso de cair tem cá uma sabedoria”...
Desculpa algumas das partidas que te fizemos (embora não tenha sido o mentor de nenhuma delas, confesso que participei numas quantas).
Lembro-me de uma em particular quando estávamos a jogar futebol no recinto da escola com a tua fantástica bola e ela foi ao campo de milho em frente à escola. O que é certo é que a bola nunca mais aparecia e fomos todos lá para o meio do milho procurar. Até que a bola apareceu e alguém deu o alerta... menos a ti. Então viemos todos para o recinto da escola e tu lá no meio do milho a procurar. Enfim, brincadeiras de miúdos mas que hoje são recordações que guardo como se acabasse de meter uma barra de ouro dentro de um cofre.
Há ainda a memória de passar alguns dias das férias na Serra da Freita em que te convidámos e acabaste por não vir pois tinhas ficado de castigo por não teres anotado os números da “Casa Cheia”.
Há tantas histórias Miguel, tantas...
Como aquela de ir roubar cerejas e alguém ter ficado amedrontado com o aparecimento de pirilampos. Ou a outra de estarmos a jogar ao sobe e desce no recinto da escola e pedires para trocar cinco cartas enquanto dizias alto e bom som: “Quem arrisca não petisca”! Delicioso! E tantas outras! Sei lá...
Tenho saudades tuas, sabes? Desde esses anos vi-te apenas por mais uma vez. Foi já há algum tempo, a atravessar a praça, mesmo no coração da nossa vila. Não tive coragem de ir ter contigo e dar-te um abraço. Desculpa. Fiquei ao longe a olhar-te até desapareceres para dentro do centro comercial. Nesse bocadinho vi o rapazinho de há 25 anos atrás e outras tantas boas memórias. Talvez por isso me tenha detido sem ir ao teu encontro. Decidi conservar as memórias da forma imaculada que as guardo. Julgo assim ser mais feliz. Mesmo querendo muito ter-te agradecido.
Olho para trás e tenho pena que tenhamos crescido.
Obrigado por teres sido um bom amigo.
Queria desejar-te um ótimo aniversário.
Espero tê-lo conseguido.

Miguel

22 de outubro de 2017

Há dias que sabemos que vão ser bons. Porque vão ficar na nossa história.
Por isso, a certa altura, é natural ficarmos um bocadinho ansiosos. É então que se decide começar a preparar esse dia com alguma antecedência.
Este foi o dia em que me tornei presidente do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas. Comecei a prepará-lo bem cedo, há mais de trinta anos.
Hoje tenho 41 anos mas quando era ainda muito pequenino, tinha apenas 5 anos, ganhei um irmão mais novo. Chamava-se Grupo Cultural e Recreativo de Rossas e tinha sido lavrada a sua escritura no dia 11 de junho de 1981.
A meu primeiro contributo oficial dentro da associação foi no atletismo. O Grupo estava a dar os primeiros passos, ainda sem equipamentos para todos, mas corri como nunca tinha feito até então na prova da minha terra. Fiquei em 33.º lugar. Pouco importa. O que haveria de ficar para a história é que o GCRR estreava-se no atletismo e eu estive lá.
Entretanto o GCRR também lançava sementes no Teatro (a sua principal atividade) havendo duas tentativas para ensaiar duas peças com as crianças disponíveis. Nenhuma chegou a cena na altura mas estive nos ensaios que se fizeram. Na primeira, que agora não recordo o nome, eu faria um papel de príncipe. Na outra, seria o ator principal na comédia “Apanhado em Flagrante”. Ainda tenho os papéis cá em casa passados com a letra da minha mãe. É certo que não chegámos a fazê-la em palco. Mas o GCRR lançava as primeiras sementes depois de ter sido fundado. E eu estive lá.
Depois o GCRR começou com as equipas de futebol infantil/juvenil para participar no famoso Torneio do Parque. A equipa não era das mais famosas mas, que importa isso?! Já sabem, não é? O GCRR estava a começar e eu também estive lá.
Até que, a 29 de julho de 1988 o GCRR, desde a sua fundação, levava pela primeira vez a cena um espetáculo. Foi na freguesia de Tropêço. Já sabem, não é? Eu também estava lá. Na plateia, é certo, pois ainda era muito novo para aquelas lides. Mas estava lá.
Já perceberam a ideia, pois já?
Até aos dias de hoje há milhares de datas que se podem encontrar no riquíssimo Historial do GCRR e há uma coisa que é comum: é que estive sempre lá. Sempre.
É por isso para mim um enorme orgulho poder hoje dizer que sou o 11.º Presidente do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas. Conheci todos os meus antecessores e reconheço a todos eles o enorme trabalho que fizeram. Saiba eu honrar esse legado e o GCRR estará, certamente, num bom caminho.
Um abraço sentido a todos os sócios e amigos, de uma forma especial àqueles que estiveram lá nessa primeira hora.
Conto convosco.
Obrigado por confiarem em mim.

Miguel Brandão

E tu, ainda te lembras do Clube de Vídeo?

As melhores recordações que trago dos finais da década de 80 e início da de 90 são os amigos. Ponto.
Depois há aquelas memórias mais queridas de coisas que fazíamos com esses mesmos amigos. Uma das que mais me eriça a pele é o antigo clube de vídeo que existia no centro comercial. Todos os finais da tarde depois das aulas, ou já noite dentro antes de mais um ensaio da banda, ia com o Pedro ver as novidades.
Confesso que dei pouco lucro ao negócio. Aliás, se ainda houver registos, basta procurar pelo número de sócio 699 (o cartão creio que ainda anda cá por casa) para verificar que foram poucos os movimentos feitos com tal cartão. Já o Pedro era um cliente muito mais assíduo. Eu era mais envergonhado pelo que ficava muitas vezes do lado de fora a olhar pela vitrine a variedade de fitas disponíveis. Havia preços para tudo. Os filmes normais andavam pelos 100$00 e 150$00, outros mais requisitados pelos 200$00 e as novidades mais procuradas ficavam por 250$00 por um dia. Por isso gostava de ir com o Pedro. Ele entrava pela loja dentro e pegava nas caixas dos filmes para ler as sinopses e eu lá perdia o medo e ia “à boleia”. Foi assim que ganhei cumplicidade com muitos dos filmes das fotos. Para todos os estilos, uns melhores do que outros, vi todos esses (e muitos mais), alguns muitas mais vezes do que aquelas que o comum dos mortais aguenta. Ainda nos dias de hoje é frequente a minha querida Odete sorrir quando estou a fazer zapping. Diz ela que não sabe porque ainda faço zapping se acabo sempre por deixar no canal que está a dar um filme dos anos 80. Isto cá para nós, eu acho que ela está a exagerar um bocadinho. Quando não joga o Benfica, às vezes, também vejo os Jogos sem Fronteiras, os Soldados da Fortuna ou os Três Dukes na RTP Memória. Chego mesmo a pensar que eles só passam aquilo na TV por minha causa pois mais ninguém deve ver aquilo. Mas, adiante...
Estávamos a falar do clube de vídeo. Andava no 9.º ano do liceu quando os meus pais compraram um vídeo lá para casa. Por essa altura havia apenas a RTP o que fazia com que a esmagadora maioria das pessoas tivesse apenas acesso a um canal de televisão. Ter um vídeo em casa não era para qualquer um pelo que tenho noção que fui um grande felizardo. Fiz-me nessa altura sócio do clube de vídeo e logo no meu primeiro aluguer tive um problema: aluguei o filme “Continuaram a chamar-me Trinitá” com o Bud Spencer e o Terence Hill que o meu primo Picatojo tinha aconselhado e fi-lo por uma semana. O problema é que ao devolver o filme, no computador estava apenas indicado o aluguer por um dia. Só depois de uma exaustiva explicação consegui sair sem pagar multa. Uma falha de comunicação. Perfeitamente natural. O que é certo é que eu tinha pago mais de 400$00, creio, e depois de tudo bem explicado, do outro lado do balcão houve a compreensão necessária. Acabaria por alugar apenas uma meia dúzia de filmes pois o meu pai não era muito de dar dinheiro para essas coisas. Também por isso, juntávamo-nos em grupo em casa de alguém para assistir a algum filme alugado ou que tínhamos conseguido emprestado lá no liceu. Foi assim que vi a maioria dos filmes nas fotos acima. Tenho mesmo muitas saudades dessas sessões e dessa trupe. Nesses dias julgava que seria assim para a vida inteira. Obviamente, não foi. Acho que o meu gosto pelos filmes dessa época, no fundo, é uma oportunidade que encontro para me sentir mais próximo desses amigos. Desses, ou de outros quaisquer. Creio que não haverá mal nenhum nisso. Neste aspecto, acho que fiz mais pela vida do que ela por mim. Ainda bem que na maioria das vezes não é assim.
E tu, também visitavas o clube de vídeo?

Hoje era dia

Hoje era dia de levantar cedo.
Entre as 9h e as 10h da manhã já estaria por certo a carregar tralhas para a carrinha do amigo “Repolho”. Já tínhamos trocado cumprimentos e meia dúzia de graçolas com algumas asneiras à mistura. Acredito que faz parte da famosa “mística”. Com o corpo cansado mas de alma cheia estaria a trocar sorrisos com o Pepé escondido na parte da trás da carrinha enquanto os meus colegas tentavam obter o “livre trânsito” para aceder ao centro da vila para efetuar a respetiva descarga de material. Porque hoje era dia de preparar tudo com o maior zelo possível.
Hoje era dia de olhar o sol de forma diferente. Porque ia ser a minha maior companhia durante toda a tarde.
Hoje era dia do “amor à farda” e das “borboletas”.
Hoje era dia de lembrar os que já não estão. Quem o irá agora fazer?
Hoje era dia de estar sozinho no meio de uma multidão. De ficar sentadinho no meu canto a pensar em coisas que passavam despercebidas a todos os outros.
Hoje era dia de ouvir o Sr. Garrido a falar com alguém e perceber a cada instante o que é o amor à Banda Musical de Arouca.
Hoje era dia de ouvir as histórias do padrinho e de rir com as suas brincadeiras com os mais novos ou com as meninas.
Hoje era dia de suar e suportar o calor indo buscar forças onde nem sequer sabemos que existem porque o ar se torna mais “rarefeito” depois de duas ou três minis.
Hoje era dia de lembrar os Bailados Egípcios, as “Reflexões” ou a Pop Show n.º3.
Hoje era dia de ficar a olhar o Valdemar e deixar a admiração crescer naturalmente. Com pessoas assim a humanidade parece fazer mais sentido.
Hoje era dia de rir para o Cajarana que traria certamente os últimos óculos da moda para manter aquele seu charme “moderadamente espetacular”.
Hoje era dia de festa sem procissão.
Hoje era dia de viajar interiormente e fazer o balanço de mais um ano.
Hoje era dia de passar pelos carrosséis com o Pepé para mais um jogo naquele divertimento que nós sabemos.
Hoje era dia de ser noite. De tocar a Tannhauser com a destreza de um Usain Bolt, com a delicadeza de quem trabalha filigrana e com a simplicidade de quem toca um vira.
Hoje era dia de dar boleia ao Nando que, no final da festa, estaria já junto ao palco para fazer comigo o regresso a casa.
Hoje era dia de arrumar as tralhas enquanto a maior parte dos sobreviventes estava já instalado nas tasquinhas.
Hoje era dia de dizer “para o ano há mais”.
A verdade é que hoje foi igualmente dia de levantar cedo. Ainda mais cedo. Mas para trabalhar. A vida muda bastante num simples par de anos. Em frente ao computador lembro aquela nossa conversa rápida em que por entre todas as palavras que sempre me dispensas com muito carinho retive aquelas que disseram: “no último ano notava-se que tu já não era tu. Já não eras o Cebolinha. Sempre ali sozinho, no palco”... Deu-me que pensar.
Engraçado que neste tempo todo desde que os dias deixaram de ser dias, o mais próximo que estive de falar com alguém sobre este amor que nos une pela Banda Musical de Arouca foi na festa deste ano em Tropêço quando uma querida amiga de longa data a quem quero muito, reparou na minha atenção de ouvinte especial e se abeirou dizendo: “Então? Como é estar deste lado?”. Foram os dez minutos que mais falei sobre o assunto. Queria que tivessem sido duzentos. Porque falar da Banda Musical de Arouca, quer seja do lado de dentro, quer seja do lado de fora, é sempre motivo de orgulho e prazer. Faz bem à alma. De fora, há ângulos novos que se notam de forma mais nítida (“como a nossa casa só existe quando estamos fora dela, ou qualquer coisa assim”).
Hoje, nem sequer poderei assistir à entrada. Espero ter algum tempo para ir ouvir um bocadinho e “matar o vício”.
Hoje era dia de vestir a farda. 
Hoje era dia.

O Alexandre fez 50 anos

Olá Alexandre.
O tempo é o que é e não há muito a fazer em relação a isso. Ou se calhar há e por isso é que há pessoas que nos marcam mais que outras; depende do que fazemos no tempo que passamos com elas. Não sei.
É frequente viajar no tempo. Em muitas dessas vezes basta um raio de sol com o ângulo certo, um cheiro a Primavera, uma prata de rebuçado encontrada no chão ou um olhar fortuito sobre uma das árvores do antigo recinto da escola primária e logo os interstícios do cérebro se revolvem levando-me através de memórias de um tempo que deveria ter parado nele mesmo.
Há dias foi mais ou menos assim; ao passar os olhos pelo facebook vejo que fizeste 50 anos. E, de repente, apetece andar 30 anos para trás. Creio que estávamos ainda nos anos 80 quando se falava lá por casa que iria chegar do Brasil um primo do Zé António. Chamava-se Alexandre e tinha uma habilidade particular para o desenho. 
Era ainda muito novo quando te vi envergar a digníssima camisola do GCR Rossas naquela mítica final do Torneio do SAJU ganha nas grandes penalidades e que tu próprio já comentaste algures aqui no meu blogue de forma tão carinhosa e detalhada que me fizeste lembrar o meu irmão que também guardava todas as edições do jornal “A Defesa de Arouca” onde vinham todos os resultados e classificações. Entretanto fui crescendo, o que me deu o direito a partilhar o campo contigo em diversas equipas do GCR Rossas onde, creio, usavas habitualmente o número 4 e foste, muitas vezes, o nosso capitão. Tive mesmo muita pena quando há poucos anos atrás ajudei a organizar um jogo de Velhas Glórias e não conseguiste estar presente. Temos de pensar numa nova oportunidade agora que o campo até já está relvado e tudo...
Há ainda a memória de assistir no extinto palco da antiga residência paroquial à comédia “A Boémia” onde deste vida a uma das cómicas personagens juntamente com o Fernando Antunes, a Vira e o Zé António, entre outros. Felizmente tenho esse registo em vídeo para rever sempre que a memória começar a falhar.
Quis ainda o destino que eu fosse estudar na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto onde também estudaste, o que me fez partilhar algumas (poucas) viagens no saudoso autocarro do Calçada onde falávamos do teu sporting e do meu benfica e onde fiquei a saber da tua afeição pelo Vasco da Gama que agora passa de quando em vez na Sic Radical nos jogos do Brasileirão por volta das dez da noite. E eu lembro-me de ti...
Terá sido também nessas viagens que fiquei com a ideia que gostavas de leitura de ficção (também científica) onde me falaste do monstro de Frankenstein, por exemplo, a propósito de um livro que estavas a ler nessa altura.
Mas uma das memórias que me dá uma maior nostalgia tem a ver com aqueles sábados à tarde onde foste a minha casa para que eu gravasse na minha aparelhagem algumas cassetes com a boa música do “Alan Parsons Project” que, confesso, na altura, desconhecia.
Lembro ainda uma reunião que se fez no centro, no salão da catequese, para averiguar o resultado de uns inquéritos escritos que se tinham realizado sobre o jornal Cruz de Malta. A ideia era saber o que era mais apreciado assim como o que se devia melhorar. Lembro perfeitamente da resposta do meu pai à questão: “O que gosta mais de ler no jornal?”. Resposta do meu pai: “O editorial e os artigos do Alexandre”. Quem me dera rever as respostas a esses inquéritos. Certamente me trariam deliciosas memórias. Lembro em particular um artigo sobre o Garrincha que me deu muito prazer a ler.
E é isto Alexandre. Uma simples constatação no facebook de que fazias 50 anos fez-me recuar no tempo. Pelas estradas boas da vida ainda que, por vezes, sinuosas e íngremes, como aquela que nos leva até ao lugar da Cavada. Obrigado.
E parabéns, já agora.
Temos de marcar um convívio ou uma “futebolada” com a malta dessa altura. Para nos rirmos e falarmos desses tempos.
Um abraço.

Miguel

O Último Concerto: Parte II

Hoje a sensação é um bocadinho estranha. Afinal, para além do último concerto que relatei neste mesmo blogue no passado dia 28 de março, havia ainda um outro “último” concerto. Ou talvez não seja bem isso. É mais uma espécie de “Encore”, mas de grande qualidade.
Saio do trabalho a correr com tempo apenas para uma paragem rápida em casa para trocar de roupa. E é assim, já todo de preto, que entro no carro com destino a Aveiro.
Ao entrar no Auditório sou surpreendido pelo Luiz que, juntamente com o Rodrigo, nos vai dirigir dali a pouquinho. Vem ao meu encontro e pergunta pelo meu blogue. Por momentos penso tratar-se de um lapso auditivo mas ele faz questão de continuar e de me dar os parabéns pelos textos sobre o coro do DeCA. Agradeço da forma mais simpática que sou capaz e aproveito para retribuir o agradecimento pela forma como todo o repertório foi trabalhado durante as aulas. Desejámo-nos “sorte” e fui procurar o meu lugar no meio do coro.
No meio de todo o burburinho habitual, naqueles momentos que antecedem as atuações, houve tempo para tomar consciência que tudo parece estar a acontecer de forma diferente. O destino como que adivinha que se trata da última atuação. As 21h dão lugar às 18h, o professor Lourenço dá lugar ao Luiz e ao Rodrigo e a Sé de Aveiro passa a vez àquela que é a sala de todos os dias: o novo Auditório que temos agora de colocar bonito para o público, como quando se arranja um bocadinho melhor a nossa casa para receber uma visita importante. Só as meninas bonitas não têm que dar lugar a outras. Continuam as mesmas: bonitas, doces e delicadas. Deambulam pela sala como poemas largados ao vento.
Os meus colegas começam a aproximar-se e, os mais chegados, cumprimentam-me com a célebre frase do “Brandão” que há-de continuar por mais uns tempos enquanto ainda nos arrancar alguns sorrisos da cara. Entretanto o professor pede quatro voluntários para ajudar a passar um estrado. Durante algum tempo permaneço como voluntário único. Estranho. Finalmente dois colegas juntam-se a mim nessa nobre missão. Chegados ao outro Auditório, o velho, damos conta que afinal o que estava planeado para quatro pessoas era perfeitamente executável por duas pelo que lá venho a alombar com um estrado juntamente com outro colega.
Já todos em posição em cima dos estrados, somos convidados a fazer o aquecimento. Faço-o com todo o gosto e empenho que sou capaz embora pense para mim que eu e o meu colega de carga não precisaríamos (alguns risos)!
E o concerto começa. Desta vez, muito diferente de todas as outras. Por tudo acontecer tão rápido. Não houve tempo sequer para um nervoso miudinho. Nada. Talvez por isso, mais do que as memórias visuais, tenha apostado nas auditivas. A beleza desta vez foi realçada pela delicadeza das vozes que pareciam desenhar sons no ar como quem trabalha filigrana.
E o concerto acabou. A porta do Auditório abre-se para a saída e volto a encontrar cá fora aquela vida que passa sempre a correr. Como se tivesse que chegar ao carro de forma mais rápida que aquela com que o Jesse Owens percorria os 100 metros. Fazer música com os meus colegas traz-me essa calma que não encontro em muitas das horas do meu dia-a-dia. É do que mais sentirei saudades quando acabar a licenciatura: fazer música em conjunto. É natural.
A viagem de regresso dura cerca de uma hora. É lá que se mastigam estas boas memórias que sei que ficarão guardadas durante algum tempo. O suficiente para ser mais feliz à minha maneira. Chego a casa e lembro a voz da Amália quando encontro “dois braços à minha espera” numa casa que é portuguesa. Abraço e mimo os meus filhos enquanto penso que não há nada mais “tonal” que o riso das crianças.
Há caras que provavelmente não voltarei a ver. 
Foi o último concerto. 
A noite anoitece.
Suspensão.
Barra dupla.

Os Animais das Caixas de Fósforos


Antes da febre dos animais do Pingo Doce que me trouxe duas cadernetas lá para casa com a Rita e o Tiago em plena aceleração para ver quem primeiro acaba a coleção, muito antes disso, dizia eu, outros animais eram procurados. Tudo quando eu tinha mais ou menos a idade dos meus filhos.
Primeiro lembro-me de uma caderneta intitulada “Fauna Selvagem” que os meus irmãos tinham lá para casa mas as memórias que tenho é de uma caderneta já com os cromos colados e fazendo parte do passado. Gostava de ficar a admirar aqueles animais estranhos e coloridos mas era uma coleção já “fora de circulação” pelo que há outras que me são mais queridas.
A primeira tem o nome de Zoo Disney e lembro-me perfeitamente do dia em que o meu irmão chegou com a caderneta novinha em folha lá a casa. Corria o ano de 1981, tinha eu 5 aninhos apenas. Como eu a gostava de folhear. Fi-lo vezes sem conta. Durante muito tempo invejei (no bom sentido) o meu irmão. A minha casa de infância era minúscula mas ele tinha direito a uma gaveta enorme, cheia de cadernetas, inteirinha só para ele. Lembro-me que, quando o meu irmão não estava, tinha de pedir autorização à minha mãe para ver a gaveta das cadernetas. Como eu era muito pequenino ainda estava em idade de estragar muitas coisas. E há coisas que não se podem estragar. Felizmente essa coleção resistiu ao passar dos anos como se pode ver na foto deixada acima.
Mas a minha coleção de animais preferida é aquela das caixas de fósforos. Completei-a por três vezes. A primeira acabou por se perder com o tempo. A segunda, onde as caixas de fósforos eram contornadas por uma linha cor-de-rosa, dei-a na altura, creio eu, ao meu primo José Ilídio, que dividia comigo muitas das brincadeiras, uma das quais tinha as referidas caixas de fósforos no papel principal. A terceira vez que fiz a coleção, foi a que ficou para a história. É aquela que deixo na foto e que guardo de forma carinhosa no sótão de minha casa. Com essas mesmas caixas e com o meu primo José Ilídio, fiz montes de corridas nos muros da antiga escola primária. A cada letra correspondia um animal. Pois nós tivemos a feliz ideia de a cada letra fazer corresponder um país e era assim que fazíamos autênticas corridas, com a ajuda de um dado. Era assim que os muros da escola se transformavam em autênticos Jogos Olímpicos. Não demorou muito para que o Pelicano começasse a ser o animal preferido; afinal de contas, o “P” era a letra do nosso Portugal. E era assim que, mesmo sem dar muito nas vistas, o número seis do dado aparecia com mais frequência sempre que a vez calhava ao Pelicano fazendo-o correr mais veloz que os seus oponentes.
Sabe bem recordar. Na realidade, não era bem assim. Mas naqueles muros, na ponta dos nossos dedos, Portugal era quase sempre sinónimo de ouro olímpico. Porque às crianças tudo é possível. E com uns pais que nos dão “asas”, tudo é permitido. Até ser feliz com as coisas mais simples. É muito reconfortante ter vivido num tempo em que as melhores brincadeiras da infância estavam dentro da nossa imaginação.
Um grande abraço, Lídio!