Dia 05: Bryan Adams



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 05 – Bryan Adams



As primeiras recordações que tenho da música feita por Bryan Adams são de uma cassete que andava lá por casa do seu álbum “Reckless”. Foi assim o meu primeiro contacto com “Run to You”, “Somebody”, “Heaven” e “Summer of 69”. Já muito mais tarde chegaria o respectivo livro de partituras para me fazer ficar colado ao piano durante algum tempo. Muito boas memórias.
Depois surgem memórias ainda melhores ao som das músicas do álbum “Waking Up the Neighbours” (embora preferisse as músicas de “Reckless”) onde o êxito "(Everything I Do) I Do it For You" assume um papel de destaque pois traz-me o sol e o calor da Serra da Freita, o Toyota Corolla do meu pai ou a carrinha de caixa aberta do Sr. Isaías. E, com isso, traz também bons amigos desses tempos. Muitas vezes, é assim que os recordo: ao som de “Can´t stop this thing we started”, "There will never be another tonight" e “Thought I’d died and gone to heaven”.
Restam ainda as excelentes memórias daquele dia em S. J. da Madeira onde comprei, entre outros, “So far so good” que, para além dos maiores êxitos do músico, trazia ainda “Please forgive me”. E eu tenho mesmo muitas saudades.
Depois disso, há ainda muitas outras músicas que me trouxeram outros tantos bons momentos embora mais solitários, especialmente “Back to you”.
Digamos que hoje o dia será bem passado.

Amanhã há mais.

Dia 04: Pet Shop Boys



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 04 – Pet Shop Boys

A partilha de hoje é um daqueles casos típicos em que a canção é muito mais importante que o grupo em si. Confesso que os Pet Shop Boys me dizem muito pouco. Não sou um seguidor atento da música que vão fazendo. Mas entraram na minha vida no ano lectivo de 1993/94 quando eu frequentava o 12.º ano através deste "Go West" que entra tão facilmente no ouvido.
Na altura não tínhamos o youtube para ouvir toda a música que quiséssemos e à hora que nos desse "na telha". Tinha chegado uma aparelhagem nova lá a casa há relativamente pouco tempo e eu recordo-me que entre os primeiros cds que os meus pais me deixaram comprar estava uma colectânea "N1 - Fido Dido" que trazia, entre outras boas malhas, este "Go West".
Faz-me lembrar alguns dos meus melhores amigos.
Amanhã há mais.

Dia 03: Simply Red



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 03 – Simply Red

Outro dia, outra banda, outras recordações.
Hoje andei com a lágrima pelo canto do olho ao som de Simply Red. É incrível como este auto-desafio de recordar uma banda por mês me está a fazer melhor do que poderia imaginar. Sei que parece soar um pouco egoísta mas não há outra forma de o dizer.
É fácil explicar a presença deste "For your babies". Era uma das músicas do álbum Stars que saiu no início da década de 90. Isso explica o facto de ter sido a canção eleita: para além da sua qualidade, a altura em que passava no Top+. São muitos os videoclips que ainda tenho gravados em vhs e "For your babies" também lá está. A lembrar-me que já fui muito feliz ao som dessa música. Mesmo havendo muitas outras que gosto de visitar com algum frequência: "If you don't know mw by now", "Stars", "Holding back the years" ou "You make me feel brand new", por exemplo...
Vou só fechar os olhos mais um bocadinho.
Amanhã há mais.

Dia 02: Eric Clapton



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 02 – Eric Clapton

Como eu já suspeitava o tempo é praticamente nulo para passar por cá. Mesmo assim teimo em tentar cumprir a promessa de 30 dias seguidos com 30 artistas diferentes.
Hoje é dia de voltar a lembrar amigos da adolescência. Voltar a ter bem presentes os corredores do velho liceu. Voltar a paixonetas antigas e aos penteados milimetricamente ajustados em casa para chegarmos à escola o mais possível parecidos com o ídolo que fosse moda na televisão.
Muitas são as músicas que me transportam para esses tempos e lugares. É assim que construo a esmagadora maioria da banda sonora que acompanha os meus dias. Entre todos esses sons está sempre o de Eric Clapton. Sempre. Foi difícil a escolha entre "Wonderful Tonight" e "Tears in Heaven" que, simplesmente, adoro.  Optei por este último tema pois traz consigo mais recordações desses dias de ouro.
E por hoje fico por aqui. Porque o dia foi intenso e o tempo é mesmo muito curto. E sobretudo, porque a nostalgia já se apoderou de mim e as palavras começam a fazer pouco sentido.
Grande abraço.
Amanhã há mais. 

Dia 01: Dire Straits



30 Dias / 30 Artistas – Bandas – Videoclips

Dia 01 – Dire Straits

Começo hoje uma série de 30 publicações seguidas, à cadência de uma por dia. Ao longo de 30 dias, sem interrupções (espero eu), irei recordar artistas e músicas que, independentemente da sua qualidade, me transportam para alguns episódios e fases da minha vida que me deixam muitas saudades. E pronto. Não há muito mais a dizer. Durante os próximos trinta dias as coisas serão mais ou menos assim. Já sabem que os Queen são o meu grupo preferido pelo que é natural que num desses dias apareçam por cá. De resto, é esperar para ver.
Começo com os Dire Straits. Um grupo que estará seguramente no meu Top 5. Mas muito mais importante do que a sua enorme qualidade é falar de tudo o que me fazem lembrar.
Devo a minha paixão pelos Dire Straits sobretudo à minha irmã Cristina. Era o seu grupo preferido e recordo muito bem um enorme poster da banda que ela guardava lá em casa.
Lembro-me de ver em vídeo todo o concerto “Alchemy – Live” e de desejar ser assim: talentoso. Os dedos do teclista, em certas alturas, mexiam-se de tal maneira que não acreditava ser possível a um ser humano. Quanto ao Mark Knopfler nem vale a pena falar. Ainda é, para muitos, o melhor guitarrista de todos os tempos.
“Romeo and Juliet” rapidamente se tornou a minha canção preferida mas muitas outras passaram vezes sem conta na aparelhagem lá de casa quando ainda havia tempo e despreocupação suficientes para passar tardes a fio deitado no sofá com o som no máximo.
É impossível ficar indiferente a “Money for nothing”, “Brothers in arms”, “So far away”, “Sultants of swing”, “On every street”, “Walk of life”, “Why worry”, “Tunnel of Love” ou “Your latest trick” com aquele solo de saxofone divinal.
Hoje o dia será passado ao som dos Dire Straits que me lembram o riso da minha irmã Cristina e as suas calças apertadinhas que usava nessa altura.
Muitas saudades desses tempos.
Amanhã há mais.

Recordando os jogos da Majora


Estávamos no início dos anos 80. Lembro-me de ser muito pequenino e de estar sentado num banquito de madeira em frente à lareira numa noite qualquer. Eu e todos os outros lá de casa. Éramos apenas seis porque a minha irmã Helena tinha já adormecido uns anos antes algures onde um dia hei-de adormecer da mesma forma bem juntinho a ela.
A cozinha era acanhada mas todos conseguíamos um lugar para aquecer os pés e as mãos. Em cima de um armário branco ficava pousada uma televisão a preto e branco onde nos chegavam as imagens do único canal que se conseguia sintonizar na altura. E eu lembro-me de ser num cenário assim que o meu pai contava histórias das suas brincadeiras de infância. Como eu era mesmo muito pequenino pensava ser impossível jogar futebol com bolas de trapos, descalço, e em campos que nalgumas alturas do ano serviam também para o milho.
Entretanto, tenho 37 anos, uma mulher e dois filhos pequeninos em casa. Faltará pouco para que sejam capazes de perceber que o pai, em tempos, fazia corridas com caixas de fósforos, brincava numa escola que não tinha grades e jogava futebol num campo onde as pedras substituíam os postes das balizas. Com uma tábua desenhavam-se circuitos de F1 na terra do chão e as caricas davam vida ao Piquet, ao Lauda ou ao Rosberg que passavam ao domingo na televisão.
Tenho uma caixa com alguns dos brinquedos dessa altura onde cada peça me leva até tantas outras que se perderam com o tempo. Tenho ainda o pião que jogava nesses dias no coberto da escola e que agora o Tiago e a Rita gostam de ver girar na mão depois de ter saído com toda a força do tirante que o avô Mário domina como o melhor dos mestres que poderia alguma vez existir.
Gostava de lhes poder explicar que aqueles carritos velhos foram novos noutros tempos. E que se faziam autênticas auto-estradas nos muros da escola velha que era nova quando eu era do tamanho deles. E volto a lembrar-me daquela noite e das histórias do meu pai que falava na “sua” escola velha que é onde hoje se faz teatro em Rossas e que a minha Rita chama carinhosamente de “ensaio das cadeiras castanhas”.
Conseguirão eles acreditar que à volta da capela se faziam corridas de arco e gancheta e que no recreio da escola nos juntávamos muitas vezes às meninas para jogar à “Vitória” ou à “Macaca”? E hei-de contar-lhes mais ou menos com o mesmo tom que o meu pai usava nessa altura, os pormenores daquele dia em que me deixou comprar um baralho de cartas por 80 escudos na loja da Barroca e passou o serão comigo a jogar à bisca dos nove.
E hei-de dizer-lhes que quando o tio Zé chegava das aulas “da vila”, jogávamos muitas vezes xadrez ou aproveitávamos as peças para fazer autênticas finais europeias de futebol na alcatifa da nossa sala onde os golos eram marcados em balizas feitas com meia-dúzia de legos que andavam lá por casa.
E vai haver uma altura em que se vai notar um brilhozinho maior nos meus olhos. Vai ser quando lhes falar nos jogos de tabuleiro da Majora. Sempre me fascinaram de uma maneira que não sei traduzir em palavras. A minha estreia nessas lides foi através de um loto de trânsito e de um dominó que chegaram lá a casa num Natal. Era um vício tremendo. Depois chegariam outros como o Jogo do Assalto que consegui obter nas famosas trocas que se faziam na escola e que o meu pai fazia o favor de jogar comigo e cujo tabuleiro ainda sobreviveu até aos dias de hoje. O meu preferido, que ganhei num passatempo organizado pelos Jovens de Rossas nessa década de 80 quando o edifício do Centro ainda estava em tijolo, chamava-se “Sport Goofy” e é aquele que podes ver na foto acima. Terão sido milhares as vezes que festejei golos com uns dados assim na mão. O jogo original não resistiu ao passar dos anos mas esta minha insistência para trazer as boas memórias para junto de mim fez com que através de um leilão na internet conseguisse comprar um jogo igualzinho e com o interior completamente novo. Apenas a caixa deixa adivinhar que passou tanto tempo. E está tudo ali guardado num armário. Para daqui a uns anitos, poucos, se a vida me deixar, marcar alguns golos com a Rita e o Tiago à moda antiga. Será a minha forma de prestar a minha homenagem à Majora.
É que este texto começa com uma colega de trabalho a dar-me conta da falência da Majora. Notícia que a internet há muito confirma (tenho andado distraído). E de repente tudo surge à tona. Mesmo que notícias recentes venham dar conta que a marca foi comprada pelo “The Edge Group”. São eles que têm agora nas mãos algumas das melhores memórias da minha infância que gostava de poder contar aos meus filhos com o mesmo encanto com que as guardo.

Contramão

Começo o ano em contramão.
É desta forma que o Pedro Abrunhosa nos convida a mergulhar na sua música e eu, seguidor assíduo desde os primeiros passos dados em 1994, limito-me a deixar-me levar. Foi assim que o respectivo cd se juntou a todos os outros desde “Viagens” nas prateleiras cá de casa.
Já muito escrevi neste Avião de Papel sobre a música de Pedro Abrunhosa. É cada vez mais complicado acrescentar novas palavras sem ter de me repetir. Mesmo assim arrisquei este pequeno apontamento.
Porque apesar de não surpreender, este Contramão é interessante com a balada “Para os braços de minha mãe” a assumir um destaque maior. A lembrar sobretudo aqueles que foram para longe. Mas também os outros, os que ficaram. Porque o longe, às vezes, é mesmo ao virar da esquina. Basta que a saudade aconteça. E eu tenho saudades de tanta gente.
“Toma conta de mim” e “Voamos em contramão” têm-se feito ouvir mas não em regime de exclusividade. Este Contramão teve a particularidade de me fazer regressar ao resto de toda a obra que celebra em 2014 o seu 20.º aniversário. E é assim que se vão fazendo os meus dias. De olhos nos olhos com “Viagens”, “Tudo o que eu te dou”, “Tempo”, “Se eu fosse um dia o teu olhar”, “Lua” e tantas outras…
O sofá despreocupado da minha adolescência onde ouvia todas as músicas de “Viagens” e “Tempo” (de longe a melhor fase do músico) deu agora lugar à pen que trago no rádio do carro com a voz do Abrunhosa. Os olhos fechados de outrora têm agora de estar bem abertos, atentos às armadilhas que o trânsito me vai trazendo enquanto adivinho de forma mais ou menos natural todos os novos acordes que me chegam também em contramão.
Passo os olhos por uma entrevista ao jornal Público e não consigo conter um sorriso melancólico quando o músico fala acerca da minha canção preferida:
“Curiosamente, a última música do disco nem sequer era para entrar. Nunca tínhamos tocado o Tudo o que Eu te Dou, mas o Quico sabia os acordes e eu tinha a música imaginada. Saiu à primeira, gravado às duas da manhã do dia anterior a irmos embora”.
Para os mais curiosos a entrevista completa pode ser consultada aqui.
E não me vou alongar mais. Queria apenas deixar um pequeno registo e esse propósito já foi conseguido. Agora deixem-me ir de mãos dadas com a música do Abrunhosa numa pequena viagem no tempo.
Até já.

A Banda Musical de Arouca em 1988 - As minhas Bodas de Prata

 A Banda Musical de Arouca em 1988 


Dedicado a todos os músicos, ex-músicos e simpatizantes da Banda Musical de Arouca.

Nota prévia: 
Peço imensa desculpa mas há um músico na foto que, por estar um bocadinho mais escondido atrás do Sousa, não consigo identificar. Já pedi ajuda mas não fui bem sucedido. Penso que poderá ser o "Nino". Caso não seja verdade cá estarei para corrigir essa gralha.
Quanto aos nomes dos músicos e respectivos apelidos é possível que haja imprecisões mesmo apesar de ter consultado músicos mais antigos para que a informação chegasse aos leitores da forma mais precisa possível. Desde já me penitencio pela referida lista de nomes não estar completa. Há apelidos que não consegui ainda descobrir e outros que, pela sua originalidade, podem até conter erros ortográficos. Estou, portanto, aberto a todas as críticas, sugestões e informações que me possam facultar para corrigir a informação nele contida.
Um agradecimento especial a todos que me foram ajudando nesta minha pesquisa sobre os músicos do ano de 1988.

Elementos presentes na foto da Banda Musical de Arouca em 1988

Maestro:
Sr. Aristides Noites (Cavaquinho de Ponte de Telhe)

Flauta:
Maurício Noites (Guedes Fledes)

Requinta:
Miguel (Cebolinha)

Clarinetes:
Sousa 
Valdemar (Mejengro)
Jorge Azevedo (Anita)
Vítor Coelho (Mascote)
Alfredo Vieira (Morre em Pé)
José Ferreira (Zé Nabo)
Fernando Antunes (Rolão)
Hernâni (Esquinudo)
Vítor “Sapateiro” (Cortiço)
Manuel Noites (Chouriço)
António Ferreira (ET, Pisa Macio)
Paulo Azevedo (Topo Gígio)

Saxofone Soprano:
Manuel Moreira (Cinco Tostões)

Saxofones Altos:
Pereira Luís (Couve Flor)
Vítor Fontes (Tintin)
José Brandão (Nino)

Saxofones Tenores:
Sr. Garrido (Pelinho de Leite, O da Montra)
Aristides Noites “Tidó” (Melúrias, Bigodes de Fornos, Padrinho)
Carlos Alberto Carreira (Gansolino)

Saxofone Barítono:
Sr. Correia (Suguita)

Trompetes e Cornetins:
Cravo
Quim Carvalhinhas (Linita)
Sr. Silva (Quinze Tostões)
Pinheiral (Doninha)
Sr. Manuel “Nevoeiro” (Carrocho)
José Luís Alves (Salsicha)
José Fernando “Irmão do Cinco Tostões”
António Teixeira (Passarinho)
Mauro (Chaka Zulu, Coca-Cola, Zagui, Porta-Chaves)
Henrique (Colibri)

Trombones:
Raposo (Panela de Pressão)
Amadeu (Corió, Olhos de Pita Assada)
José Luís (Repolho)
Pedro (Giló)

Trombones de Canto:
Sr. Silvério
Carlos Almeida (Concha)

Bombardinos:
Carlos Carvalhinhas (Galório)
João Pedro (Chiquinho)

Trompas:
Sr. Silvino (Pombo Derrabado)
Augusto Coelho
Tozé (Bota Botilde)

Contrabaixo:
Artur Saramago (Caga e Tosse)
José Dinis (Mendonça)

Tubas:
Sr. Soares (Tendeiro)
António Pinho (Neco)
António “Pau Preto” (Cola Cao)

Percussão:
Vicente (Senhor dos Aflitos, Carneiro do Chelra)
Carlos Almeida “Russo” (Mal Acabado, Nero, Bacatero)
Sr. Manuel “Pinga” (Padre Preto, Bengala, Cheli)
Vítor Cruz (Periquito)
Quim Albano (Susto)
Beto (Speta Figos)

Não estão na foto mas também eram músicos nessa altura:

Flauta:
Franklim (Chinês)

Trompete:
Carlos (Aguilhão, Periscópio)

Bombardino:
Zé Maria

Empregado/Arrumador:
Sr. Artur Pinho (Cuco)

“O olhar retém-se e espalha-se, calmo e profundo, ao longo da imensidão que encerra uma simples fotografia. Ali, retratados, para além das margens que a fotografia impôs ao tempo, ao espaço, à realidade, estão muitos outros, iguais e diferentes. Por detrás de cada um está uma história, tal como antes. Histórias de cada um, que faz a história de todos estarem ali, perfilados, onde antes tinham estado também outros, iguais mas diferentes deles. (…) 
No futuro outros olharão para esta mesma imagem, para as outras imagens. E por certo quererão contar toda a história destas imagens. Mas não conseguirão, porque toda essa história é feita de muitas histórias. Histórias de cada um, histórias de todos, (…). Mas sobretudo de uma união que fez, faz e fará a força. Esse sentimento de grupo é algo que perdurará sempre. Será essa a grande história que ficará para contar para quem encontre génio suficiente para exteriorizar esse sentimento. (…) 
Sim, é verdade. (…) ainda que por vezes a união falhe, a discussão surja, as divergências se evidenciem. Ao fazer-se silêncio (…), tudo desaparece. Fica apenas a vontade de se ser parte integrante desse todo, de se contribuir para que algo parta dali para o infinito. E isso supera tudo… 
Click!” 
O Retrato da “Música”, Ivo Brandão 
In “A Defesa de Arouca”, 29 de Setembro de 2000 


Escrevo este texto como quem se senta numa pedra para descansar porque o caminho é longo e é preciso recuperar as forças. Naquele que foi o álbum de despedida dos Scorpions, podíamos ouvir a certa altura na voz do Klaus Meine: The best is yet to come. Uma bonita forma de dizer adeus que poderia ser também e muito bem uma querida forma de continuar. Hoje, sentado na tal pedra, recordando alguns dos inúmeros momentos inesquecíveis que a Banda Musical de Arouca me deu, acredito profundamente que o melhor ainda estará para vir. É o espelho da confiança total que deposito nesta nova geração de músicos que se estão a fazer homens nos mesmos moldes que me puseram há tanto tempo atrás. E isso, acreditem, é o melhor que poderia desejar. 
Entrei para a Banda Musical de Arouca como aprendiz em 1986 mas foi apenas a 30 de Março de 1988, depois de quase dois anos de preciosas lições de solfejo e instrumento, que me estreei como músico. Foram 25 anos de um percurso com momentos de prazer difíceis de igualar. Mesmo havendo dias melhores e dias menos bons. Nessa altura, muitos dos que agora são meus colegas músicos na Banda ainda nem sequer tinham nascido. E é também para esses que serve este texto, para que sintam as diferenças inevitáveis e compreendam o muito de bom que perdurou e como a nossa História se foi desenrolando. Porque muitas coisas hoje são forçosamente diferentes embora, no fundo, sejam iguais a tantas outras que se faziam. Porque, como escrevia o Ivo no artigo que transcrevi inicialmente, “antes tinham estado também outros, iguais mas diferentes deles”. 
Nessa altura, em 1988, éramos só rapazes. Mesmo por esses arraiais fora era raro encontrar uma banda filarmónica com raparigas nas suas fileiras. Para começar a minha vida de músico a Banda deu-me um boné novo e um casaco já usado por outros rapazes mas que naquela altura estava vago à espera de um corpo com o meu tamanho. O resto ficava por minha conta. Ainda me lembro do dia em que a minha mãe me comprou a camisa e me levou a tirar as medidas para que me fizessem as calças na Casa Primavera. É fácil recordar o riso do alfaiate enquanto me perguntava tentando adivinhar: “és tu o novo requinta da Banda”? Comecei a perceber aí que a Banda Musical de Arouca era muito mais global do que poderia supor. 
A casa de ensaio era onde hoje fica parte do edifício da Biblioteca Municipal. A porta de entrada era castanha e estava usualmente nua e sempre um pouco empenada. Só mais tarde lhe haveriam de colocar um letreiro a dizer: “Banda Musical de Arouca – SEDE”
Nesse tempo, para além de mim (Cebolinha), o “autocarro" de Rossas trazia o Pedro (Giló), o Carlos (Concha), o Fernando Antunes (Rolão) e o Sr. Silvério. Muitas dessas vezes era o Sr. Artur (Pai do Giló e antigo músico da Banda cujo apelido era “Arestas”) que nos trazia e que sempre que eu entrava no carro cantava “Tarari tarari tararira, tararirararirarirarira – Ai que requintinha nós temos”. E ria-se pois era uma frase que alguém do seu tempo dizia e compreendo agora bastante melhor o porquê de a repetir por tantas e tantas vezes. Era um encanto ouvir os seus relatos dos tempos em que os músicos de Rossas ainda iam para os ensaios a pé. E só posso estar agradecido por essa partilha. Do fundo. 
Chegávamos ao ensaio de carro mas muita gente chegava de motorizada. E não havia telemóveis, nem tablets, nem internet. Ensaiava-se os Bailados Egípcios, a Rapsódia Húngara n.º2 ou a Semiramis e nas festas tocava-se ainda as Danças Guerreiras, La Gazza Ladra e a Rapsódia Fim de Festa com a célebre cadência de clarinete onde em Silveiras um dos mordomos, pensando que a rapsódia tinha acabado subiu ao coreto e, enquanto o Jorge dava ao dedo em tão virtuoso solo, dizia qualquer coisa como isto: “Ó Sr. Noites agora tocava mais uma e depois outra lá fora”. Deliciosa lembrança. 
A primeira marcha que aprendi e que se ensaiava por essa altura era o Filarmónico Alegre que, juntamente com a Banda Amizade se tocavam em praticamente todos os ensaios. Faziam ainda parte da caderneta outras como o Hélico em Paris, Viajante Selecto, Zé Pedro, O Fafense ou a mais famosa e que na brincadeira baptizámos de “hino”: Caça e Pesca. Já no palco outras marchas eram usuais como Os Mários, Os Infantes do 6, A Cidade Invicta ou o Pela Ordem e Pela Pátria cujo solo nos ensaios sobrava sempre para mim pois o Sr. Maurício era o único flautista da banda e era raríssimo vir a um ensaio. Custa a crer que na altura só houvesse um flautista mas podem acreditar que é verdade. Na ausência do Sr. Maurício vinha o Franklim. Um músico de elevada categoria e a quem ainda hoje se recorre para consertar os clarinetes cujas chaves se vão empenando. 
Nos ensaios havia sempre um intervalo e a casa de ensaio tinha um pequeno tasco onde se vendiam pacotes de baunilha e sumos para os músicos retemperarem as forças. Isso antes dos mais novos fugirem para o Centro Juvenil para jogar uma partida de ping-pong enquanto o Sr. Aristides não retomava o ensaio. 
Havia outra disposição dos naipes, os trombones ainda eram de pistões e ainda se utilizava o contrabaixo, o trombone de canto e a requinta. Foi nesses meus primeiros dias que se compraram os actuais tímpanos e que me causaram muito espanto na altura pois eram muito maiores e “modernos” que os anteriores. Foi assim um impacto mais ou menos como aquele produzido pela primeira vez que se introduziu a lira no “Comendador”. 
Lembro-me em particular do primeiro ensaio em que passámos a Pop Show n.º4 e eu, no meu cantinho, ia arrepiando. Há uma parte em concreto em que a melodia é introduzida e depois entra a harmonia. Lembro-me do Sr. Aristides mandar a banda parar pouco depois de entrar a harmonia e, enquanto serpenteava os olhos pela partitura, dizia: “Que porra de acordes mais bonitos”… E eu só pensava que ele me tinha tirado as palavras da boca. 
Na minha primeira festa da Rainha Santa Mafalda, depois de montar a requinta estando ainda na casa de ensaio fui desafiado pelo “Sano” de Rossas (Filho do Sr. Silvério) a tocar umas notinhas. Era uma espécie de teste para ver se estava aprovado. O facto de ser muito pequenino provocava alguma desconfiança nos adeptos mais fanáticos da nossa “claque”. Lembro-me de ter tocado alguns compassos do Hélico em Paris e do sorriso rasgado desse meu saudoso conterrâneo que não se cansava de comentar com alguns dos músicos já seus conhecidos: “É dos bons. Este mocito é dos bons”. Muita da chamada mística foi-me transmitida por estes “músicos” que nunca vestiram a farda da nossa banda. Ao “Sano”, junto os nomes do Sr. Isaías, do Rosentino (Malcriado) ou, mais tarde, o Zé Escraviança, o Pinga, entre outros… Como o Sr. Ilídio do talho de Rossas que em tempos tocou clarinete e que sempre que eu ia comprar carne me ensinava posições auxiliares para as notas agudas e que quis o destino que desse o último suspiro em plena praça a ouvir a nossa Banda. 
As academias e conservatórios não abundavam pelo que muitos dos músicos alicerçaram o seu conhecimento nas preciosas aulas recebidas na escola da Banda. Eram as únicas aulas que tinham. Praticamente tudo o que sei de clarinete devo-o ao Valdemar e também um pouco ao Jorge que me deu também algumas lições. 
Depois havia as festas que apresentavam também algumas diferenças quando comparadas com as de agora. A começar pelo facto de, na altura, os foguetes ainda terem cana. De tal forma que numa dessas festas o Saramago levou com um foguete que lhe caiu direitinho no bolso do casaco. 
Chegávamos atrasados a praticamente todas as festas algo que, felizmente, já está corrigido. Em vez de palcos tínhamos à nossa espera coretos minúsculos. Os jogos de futebol não passavam na televisão pelo que Benfica, Porto e Sporting jogavam quase sempre ao domingo à tarde enquanto actuávamos. 
Nos intervalos ainda tinha os amigos do peito para trocar anedotas e gargalhadas enquanto se bebia um copo de sumo. Alguns dos músicos, por vezes, nessas festas fora conseguiam dar uns passeios com as meninas mais bonitas lá da terra. Na missa, para além das músicas habituais, ainda se cantava o “Alegres Vamos” e o “Somos Felizes” e no coreto quase todos os músicos fumavam. E as conversas do Sr. Maurício com o Sousa a que de forma privilegiada assisti são uma das melhores escolas de vida que se pode alguma vez ter. 
Por vezes havia festas com barracas de tiros ou cheias de máquinas de jogos com clássicos como Out Run, Pinball Action, Arkanoid ou Super Hang-On (para os mais leigos é só pesquisar na net por máquinas arcade ou fliperama) onde tantas moedas gastei. 
Íamos sempre no autocarro da Calçada. O corredor estava sempre cheio de malas e, muitas vezes, junto à porta de trás, tinha de caber um tímpano. Os mais antigos ainda se lembrarão daquela viagem em que a certa altura, em plena auto-estrada, parte do tímpano que ia amarrado em cima do autocarro caiu e tivemos de parar para o ir buscar. Isso é que foi uma aventura… 
As malas no interior do autocarro até ajudavam pois eram várias as equipas que se perfilavam para “passar o terço”, termo utilizado para designar “jogar à sueca”. O autocarro enchia-se de fumo pois nessa altura a malta fumava mesmo dentro dos autocarros. 
Fazíamos quase todos os anos a festa da senhora da Saúde nos Carvalhos onde os foguetes caíam frequentemente por cima da multidão e o início de época era quase sempre em Arcozelo onde o Carlos (Aguilhão) ensinou o célebre jogo dos limões. Na primeira vez éramos muitos a participar, todos muito atentos à explicação das regras que, mesmo assim, pareciam difíceis de encaixar. E que o diga o Saramago que quando ouviu a sua deixa lá gritou enquanto gesticulava: “10 limões, 4 bananas”. Foi gargalhada geral. 
E tínhamos também um “criado” que ajudava a montar e a arrumar as tralhas que era o Cuco. Os músicos “profissionais” que nos acompanhavam eram sempre os mesmos e também não escapavam ao baptismo do “padrinho”. Lembro-me que o Pereira Luís, apesar de exímio no saxofone, ficava sempre nervoso antes de tocarmos o Guilherme Tell, trocava constantemente de palheta e combinava sempre o melhor andamento com o Sr. Maurício. O Sousa não gostava muito de solar mas “tocava que se fartava” e estava sempre a fumar um cigarro atrás de outro e a falar de mulheres e futebol. Deixa muitas saudades. O Cravo, apesar de toda a sua qualidade, enganava-se quase sempre no solo da rapsódia “Fim de Festa” e o Raposo era sempre o último a encontrar o papel da peça que tínhamos de tocar. É por isso que ainda nos dias de hoje quando alguém demora um pouco mais a procurar o papel é imediatamente apelidado de Raposo. E o fim da tarde era muitas vezes feito ao som do “Pela Lei e Pela Grei” com o Carlos “Russo” na caixa e o irmão Vicente no bombo a porem à prova a resistência das peles. E outros músicos por lá andavam mas não posso agora falar de todos senão nunca mais saio daqui. 
E já nessa altura a Banda era uma espécie de segunda família para todos. Em muitas dessas festas fora cantávamos os parabéns ao Sr. Silvino que talvez não conheças mas que felizmente alguém se lembrou de eternizar numa foto nas paredes da nossa actual casa de ensaio. E não me lembro de festas em que as duas bandas tivessem de tocar uma marcha em conjunto no final como é hábito nos dias de hoje. Mas lembro as incríveis anedotas do Saramago como aquela de aproveitar os elásticos para fazer umas fisgas para ir caçar passaritos e duma festa em que tive de fugir com o Cinco Tostões de um enxame de abelhas. E lembro ainda uma espécie de mini-canção estranha que se chamava simplesmente “Bababduba” e dava para nos rirmos um bom bocado. E o “padrinho” fazia o famoso truque das cartas pretas e vermelhas e o fenomenal truque da moeda que o hei-de conseguir convencer a retomar. 
Já na viagem de regresso fazia-se a praxe aos mais novos. Mas só depois do Cinco Tostões abrir uma das janelas e gritar para o povo que nos dizia adeus: “Punha-te como um lameiro” e “Filhos criados sem pai”. Um riso. Às vezes havia ainda tempo para gritarmos em conjunto: “Agora é que eu vou cantar! Agora é que eu vou cantar! Agora é que eu vou cantar!” E fazíamo-lo num crescendo ensurdecedor repetido até à exaustão. Depois acabávamos muitas das vezes por cantar a conhecida canção de um anúncio de tv, BRASA, onde usávamos os apelidos dos músicos adaptados à letra. Era uma boa forma de mantermos os apelidos na memória e de os transmitir aos mais novos. Aqui fica um exemplo: 

Parece que é mas não é 
Que gosto que satisfação 
Cebolinha é a bebida que aquece o coração 
Milho, palha e carqueja 
É a sua composição 
Cebolinha é a bebida que aquece o coração 
Cebolinha é a bebida que aquece o coração 

No fundo, embora de forma diferente, não deixa de ser igual ao que nos dias de hoje se vai fazendo na nossa Banda. Os sítios, os processos, e até as pessoas é que são forçosamente diferentes. 
Em 1988 estava a dar os primeiros passos. Agora sou já dos músicos mais antigos. E é mais ou menos isto que vou recordando enquanto descanso. Estou sentado numa pedra, lembras-te? É tramado fazer uma subida longa e enorme. Não consigo fazê-la de outra forma que não seja com os olhos fixos na “roda da frente”. É aquele medo de levantar a cabeça e a imagem imaginada ser diferente da que se apresenta aos olhos. E quando isso acontece dói muito.
Mas, como dizem os Scorpions, o melhor ainda está para vir, não é? 

Nota:
Dos músicos presentes na foto de 1988, os seguintes ainda fazem parte da Banda Musical de Arouca. 

Sr. Correia 
Sr. Garrido 
Aristides Noites “Tidó” 
Valdemar Noites 
José Luís (Repolho) 
José Dinis (Mendonça) 
Eu (Cebolinha) 
Pedro (Giló) 
Beto (Speta Figos) 

Destes nove músicos, eu, o Pedro e o Beto entrámos precisamente nesse ano de 1988.

Foi há 22 anos. Parece que foi ontem Freddie...



Foi a 24 de Novembro de 1991. Faz hoje 22 anos e parece que foi mesmo há bocadinho. Como se apenas agora mesmo me tivesses largado da tua mão como se o reencontro estivesse já ali, ao virar de qualquer esquina.
Não foi bem como tinha idealizado mas, de certa forma, estavas certo. Os reencontros têm sido muitos e continuas a surpreender-me das mais variadas formas. Diz o Brian May que parece que é desta que a Banda se vai voltar a reunir para trabalhar o bom material que ainda há com a tua voz e dar a conhecer ao mundo um novo álbum dos Queen no Verão de 2014. Tudo ao jeito de "Made in Heaven" em 1995. E eu fico assim; um dia inteiro sem conseguir pronunciar uma palavra sequer. Que  poderia eu dizer que já não soubesses?!!
Espero que este "I guess we're falling out" seja uma das canções a ver a luz do dia. É uma das tuas "rarities" que eu prefiro. Surpreende-me. Fico aqui à tua espera. Sem dizer uma palavra que seja. Para não atrapalhar. Apenas a ouvir a tua música, principalmente aquela que não chegou até ao comum dos mortais mas que eu fui descobrindo durante estes 22 anos que mais pareceram 22 segundos.
Por incrível que pareça, até o título da canção tem muito a ver comigo. Pareço cair mas a tua mão estendida salva-me de tudo o resto. E mais alguma coisa importa?!!! Claro que não.
Até já.

Robocop


O youtube traz-me hoje um trailer do filme Robocop a estrear em 2014.
Sento-me, com calma. Os remakes andam na moda e nem sempre ajudam a manter as nossas memórias tão perfeitas como as guardávamos. Mesmo assim o filme promete... Os efeitos especiais nos dias de hoje têm uma qualidade infinitamente superior aos de outrora e este novo Robocop parece, à primeira vista, uma boa forma de viajar no tempo.
As imagens teimam em lembrar que "estou" em 2014 mas desde a primeira cena até à última sinto-me em 1987. Faltam apenas as chiclas gorila no bolso e uma bola nos pés a tentar bater o recorde de toques seguidos sem deixar a mesma bola cair.
Vi, na altura, todos os filmes da trilogia. O primeiro deles ainda sobrevive em vhs numa estante cá em casa. O jogo de computador para ZX Spectrum também anda por cá e os três capítulos para Commodore Amiga, embora medianos, também fazem parte da colecção.
Depois desta nova versão resolvi utilizar o youtube para ver o trailer de 1987. Apetece voltar a ver tudo outra vez. O silêncio escuro lá fora ajuda. Vou fazer mais uns quantos compassos na minha mais recente tentativa de composição ao estilo de Schoenberg e quando a noite for realmente mais noite vou estalar umas pipocas no micro-ondas e empanturrar-me de coca-cola enquanto volto aos meus tempos de adolescente.
Let's look the trailer...