Insieme: 1992



O Festival Eurovisão da Canção está diferente. Mesmo tendo mais participantes a tarefa de encontrar canções que façam realmente a diferença e que permaneçam no tempo é bastante mais difícil.
Nos dias de hoje ser cantor não chega. Mais do que uma voz nos limites e capaz de fazer várias viagens aos "agudos" (que ficam sempre bem, ou não!!!) os intérpretes têm de se mostrar verdadeiros atletas capazes de fazer cinco minutos de exercício ininterrupto  integrando as coreografias mais incríveis que a mente humana é capaz de criar. Tudo isto com uma precisão muito maior do que aquela com que o Governo nos corta nos ordenados. Se o rapaz ou rapariga souber cantar, tanto melhor. Mas não é uma condição de todo necessária. Se levarem cartazes com palavras do tipo "A Luta Continua" ninguém repara no resto. Digo eu...
Mesmo assim continuam a aparecer canções que merecem a minha vénia. Temos é de ser um pouco mais pacientes. Já lá vão os tempos em que era fácil tropeçar em canções assim...
Hoje volto ao ano de 1990 e à voz de Toto Cutugno. Um ano em que a Itália ganhou quase tudo o que havia para ganhar: Taça dos Campeões (Milan), Taça das Taças (Sampdória) e Taça Uefa (Juventus). E o Festival Eurovisão da Canção não foi excepção. Vitória merecida mesmo tendo muitas canções de qualidade passado pelo mesmo palco.
Tornar a ver estas imagens é voltar a ser mais pequenino. É sentir o cheiro do vídeo novo que os meus pais acabavam de comprar. Foi esta a cassete que o Pedro me emprestou para eu poder experimentar o seu funcionamento. Memórias excelentes.
Até breve.

A propósito da 9.º final europeia do Benfica




O Benfica joga amanhã a sua 9.ª final europeia. Um trajecto que enche de orgulho todos os benfiquistas e que por razões óbvias não pude acompanhar desde o seu início. Restam os relatos de alguns amigos do peito e umas quantas imagens que a televisão me vai trazendo de um Eusébio a fazer com a bola coisas que eu jamais ousaria sonhar fazer e de um José Águas a pegar na Taça dos Campeões Europeus como eu tantas vezes agarrei na minha Rita ou no meu Tiago. O Benfica é grande, é antigo. Tem a sua História. Embora ainda muito a tempo, eu cheguei mais tarde. Já não vi Eusébio, Coluna, José Águas ou Simões mas vi o Bento, o Chalana, o Humberto Coelho, o Carlos Manuel, o Alves, o Diamantino ou o Nené. E todos os outros daí para a frente.
O Benfica vai para a sua 9.ª final europeia e eu vou apenas na 4.ª.
Tinha apenas 6 anos quando me estreei nestas lides. Lembro-me muito bem do jogo na Bélgica frente ao Anderlecht que perdemos por 1-0 mas a Diamantino tem uma daquelas perdidas incríveis atirando por cima da barra na pequena área e sem o guarda-redes na baliza. A segunda mão prometia...
Tenho sobre esse jogo na Luz uma das memórias mais vincadas no que a jogos europeus diz respeito. A minha mãe lembrar-se-á tão bem como eu certamente. Mesmo sabendo que ela está completamente inocente, ainda hoje parece que não lhe consigo perdoar o golo do Anderlecht como se a bola tivesse sido por ela rematada. E mais não digo... Foi mesmo pena pois aquele golo do Shéu tinha sido muito bonito...
Depois veio o ciclo e a final da Taça dos Campeões com o PSV. Naquele tempo os jogos na televisão eram escassos e este, pela sua enorme importância, era daqueles que não se podiam perder. Por isso mesmo, como queria ouvir todas as incidências sobre a partida, vim a pé todos os 7Km desde a vila até Rossas com alguns colegas da turma. O Benfica  tem destas coisas... Infelizmente o jogo foi muito pobre e numa final em que ninguém parecia querer ganhar foi o PSV que acabou por ser mais feliz nas penalidades. Foi, talvez, o meu dia futebolístico de maior amargura e tristeza...
Depois, já no liceu, veio a final com o Milan que, nessa altura, tinha uma equipa completamente imbatível com Van Basten, Gullit, Rijkaard, Baresi, Ancelloti, entre outros. Embora a equipa benfiquista também fosse muito forte tinha consciência que apenas um milagre faria o Benfica trazer a taça para casa. O Milan tinha ganho no ano anterior a competição derrotando por 4-0 o Steaua de Bucareste que tinha também ganho uma das edições anteriores ao Barcelona. Esse mesmo Milan haveria de ganhar também por 4-0 ao Barcelona do Romário em 1994. Era, de facto, uma equipa praticamente imparável. E o milagre não aconteceu. O Benfica acabaria por perder 1-0 restando-lhe a consolação de ter saído da competição de uma forma digna.
Depois disso vi ainda outras grandes equipas do Benfica com participações europeias bastante honrosas e consentâneas com o grande número de títulos e triunfos a que fui habituado desde a minha meninice.
Até que aconteceu o impensável. O grandioso Benfica entrou numa crise sem precedentes e durante vários anos foi-se arrastando de forma quase penosa pelos estádios de futebol. Cheguei a presenciar ao vivo jogos na velha Luz em que até me custa nos dias de hoje dizer o nome dos jogadores desse Benfica tal era a qualidade duvidosa de muitos deles. Mesmo assim sempre tiveram o meu apoio incondicional devido à camisola que vestiam.
Aos poucos o clube vai-se reerguendo. Está, indiscutivelmente, mais forte. Há, nos dias de hoje, nomes que já fazem lembrar os da minha meninice. O sonho começa novamente a ser possível.
E é neste contexto que amanhã sigo para a minha 4.ª final europeia. Sei que o Chelsea é ligeiramente favorito mas ser do Benfica é também esta mistura de paixão com irracionalidade e esperar a qualquer momento um lance de génio que, sendo individual, será de todos.
Como é óbvio não consigo prever o resultado. Sei apenas que durante o dia tudo me fará lembrar aquele episódio com a minha mãe em 1983 ou aquela viagem a pé em 1988. E isso, por si só, já é muito gratificante. Mas não chega. Queria mais... Esperemos que desta vez o final seja mais feliz.
E PLURIBUS UNUM.

A Minha Turma do 8.º Ano

8.º F - Ano lectivo 1989/1990
Beto, Alda, Ana Maria, Ana Paula, Tono, Carla, Patrícia, Carminda, Clara, Célia, Eulália, Helena, Joana,"Soviético", Bruno, Xavier, Maria José, Manuela, Paula, Freitas, Eu, Rui, Sílvia e Vanda.

Foto tirada com a nossa professora de Matemática que já não recordo o nome mas que era irmã do "Vermelhinho", antigo jogador do FC Porto

A batalha que vamos travando com o Tempo é injusta. Desigual. É impossível de vencer. Mas há momentos em que conseguimos ser melhores e como que fazemos os ponteiros do relógio desse mesmo Tempo voltar atrás. Até àqueles dias e aquelas horas onde fomos, à nossa maneira, mais felizes. Embora muitos dos pormenores dessa altura ainda estejam muito claros para mim, não adianta contornar o que é evidente: já se passaram muitos anos. Mais de vinte. Os tempos agora são, realmente, outros. Já nem a casa onde fomos da mesma "família" está como a conhecemos nessa altura. A escola velha caiu e deu lugar a uma outra mais moderna. Juntamente com a poeira desapareceram muitas outras memórias que sendo minhas eram também tuas.
Dos meus tempos de ciclo e liceu recordo com enorme saudade todas as turmas a que pertenci: 1.ºJ, 2.ºI, 7.ºI, 8.º F, 9.º E, 10.º B, 11.º B e 12.º A. Hoje decidi falar um pouco desse meu 8.º Ano até porque tenho estas duas fotos para partilhar. Alguns deles como a Alda, a Ana Paula ou o "Soviético" já não vejo desde essa altura. Outros, felizmente, vou encontrando pelo facebook e é assim que vou sabendo que estão bem e que as saudades que trago desses tempos são as mesmas que eles trazem também consigo, cada um a seu modo. Outros, embora de forma mais rara, vou encontrando de vez em quando na rua e é assim que se dá conta de como o tempo passou. A Helena, por exemplo, encontrei-a um dia destes na vila pois tem já uma filha a aprender saxofone na Banda de Arouca. O Tono, mesmo sendo aquele que mora mais próximo apenas vejo sempre a correr e quase sempre sem termos o tempo necessário para colocar a conversa em dia. Com a  Célia e o Bruno ainda consigo trocar um bom dia naqueles dias em que nos cruzamos quando levamos os filhos à escola. E, para além disso e das conversas que vou tendo aqui no facebook com outra meia-dúzia deles aos outros perdi completamente o rasto. Mas acredito que estarão bem.
Uma das amigas que o facebook me trouxe de volta foi a Sílvia que nessa altura, para além de colega de turma, era a minha fiel companheira das manhãs de sábado quando seguíamos para S. J. da Madeira para as nossas aulas de piano. A prof. Marília deixa mesmo muitas saudades, não é Sílvia?
Confesso que ao olhar todas as caras da turma aquela que me traz mais saudades nos dias de hoje é o Freitas. Também porque éramos muito amigos mas, sobretudo, porque dos principais amigos foi o único que nunca mais vi desde os tempos de liceu. E às vezes faz-nos falta sabermos o rumo que tomaram aqueles com quem partilhamos alguns segredos importantes da adolescência. Confesso que sinto falta das suas brincadeiras. Mesmo quando ele me chateava nos testes de Francês e História quando eu queria estar concentrado e ele lá me fazia chegar uns papelinhos à minha secretária com os números de cada questão para que eu lhe passasse as respostas. Mas sempre acompanhados do sábio conselho: não ponhas igual às tuas respostas para os professores não desconfiarem. E eu, mesmo ficando mais atarefado, fiz-lhe a vontade vezes sem conta e sempre sem que os professores percebessem. Ou, pelo menos, faziam que não percebiam...
E há ainda o Rui que nessa altura e nessa turma era talvez o meu melhor amigo e que nesse ano acabaria por reprovar com, imagine-se, 3 negativas (algo quase impensável nos dias de hoje) mesmo sendo brilhante a Matemática. De resto, é ele o responsável pela foto a cores tirada num dia em que gastou um rolo inteirinho a tirar fotos no liceu. Hoje tenho pena de ter ficado apenas com esta pois lembro-me perfeitamente que ele tirou várias.
Lembro-me das aulas matinais no pavilhão 5 onde tínhamos, por exemplo, História com a "Penélope" e das aulas da tarde com o nosso professor de Português que tinha um renault preto e que vigiávamos frequentemente pois ele faltava religiosamente 2 vezes por mês.
Saudades do Bruno e do Xavier. E da Célia, da Carla, da Patrícia, da Eulália e da Carminda. Saudades desses tempos. Muitas.
Amanhã há mais.

Rock'n'Roll Kids - Parte 2



(Canção vencedora do Festival Eurovisão da Canção de 1994 em representação da Irlanda)

Se há alguma música que recalca de forma muito próxima e verdadeira o trajecto da minha vida, essa música só poderá ter um nome: Rock'n'Roll Kids. Mesmo tendo surgido num tempo em que, para mim, a letra parecia não fazer muito sentido. Puro engano. Foi até bastante premonitória...
Pudesse eu manter os olhos fechados por um dia inteiro e seria esta a música que traria por companhia.
Obrigado Irlanda.

"Rock'n'Roll Kids"

I remember sixty-two
I was sixteen and so were you
And we lived next door on the avenue

Jerry Lee was big and Elvis too
Blue jeans and blue suede shoes
And we never knew what life held in store
We just wanted to rock'n'roll forever more

We were the rock'n'roll kids
Rock'n'roll was all we did
And listenin' to those songs on the radio
I was yours and you were mine
That was once upon a time
Now we never seem to rock'n'roll anymore

Now Johnny's in love with the girl next door
And Mary's down at the record store
They don't wanna be around us no more

Golden oldies but we hardly speak
Too busy running to a different beat
Hard to understand we were once like them
How I wish we could find those rock'n'roll days again

We were the rock'n'roll kids
Rock'n'roll was all we did
And listenin' to those songs on the radio
I was yours and you were mine
That was once upon a time
Now we never seem to rock'n'roll anymore

I was yours and you were mine
That was once upon a time
Now we never seem to rock'n'roll
Now we never seem to rock'n'roll anymore

Defying Gravity



Hoje estou assim. Com vontade de desafiar a gravidade. Como se a primeira coisa a fazer depois de levantar fosse pegar na minha capa forrada com um poster do Freddie Mercury e voltar a apanhar a camioneta para o liceu. E uma vez lá, voltávamos a ser nós. Sem mais nada.
Nas minhas memórias o Cheiro Verde ainda cheira a isso mesmo. A música dos Queen no máximo ainda é uma constante. Os meus colegas sentados nas cadeiras da mesma sala de aula não envelheceram nem foram para longe. Não me deixaram. Ainda se emprestam cassetes de vídeo pelos corredores e se levam calças rasgadas e penteados "totós" para agradar às meninas. Ainda estou num tempo em que tudo o que os professores dizem faz sentido sem precisar de estudar grande coisa em casa. Tudo parece simples. Até ter um melhor amigo. Sobretudo isso.
Por vezes começo a fraquejar, a "gravidade" actua e traz-me de volta ao presente. Ao aqui e agora. Tão longe de tudo onde fui tão feliz noutros tempos e de uma outra maneira. Mas hoje é dia de desafiar essa gravidade. Hoje vou ganhar ou, pelo menos, manter-me no ar mais tempo. Até o Freddie Mercury desapareceu para tornar tudo ainda mais difícil. Mas ficou o Brian May para me trazer este excelente "Defying Gravity" na voz divina da Kerry Ellis. E eu vou ficar aqui com a música no máximo enquanto me aguentar no ar desafiando essa maldita gravidade.

Muito obrigado, Sr. "Malcriado"

Foto da Banda Juvenil em 1984 com o Rosentino ao cimo, ao centro, com uma bóina...

Entrei para a Banda Musical de Arouca como aprendiz em 1986. Fui colega de praticamente todos os rapazes da foto acima de quem guardo episódios que só quem passou por aquela casa consegue imaginar. Como músico da Banda já participei em centenas de serviços, uns mais difíceis que outros, mas todos com as suas histórias engraçadas para contar.
A última vez que saí fardado de casa foi ontem para me despedir de ti. É estranho sair pela porta sem precisar de levar boné nem instrumento ou as músicas da caderneta. Estreei-me como músico (com direito a farda e tudo) no ano de 1988 onde logo no primeiro dia me baptizaram de Cebolinha, nome que ainda hoje continua tão popular naquela casa. Foi nesse mesmo ano que entrou também o Mauro, o teu neto, que acompanhavas para todo o lado. Lembro-me de terem sido bastante mais generosos com ele em termos de apelidos o que levou a que a certa altura lhe perguntassem: "Afinal qual é o teu apelido?" ao que ele respondeu com uma graça invulgar: "Chaka Zulu, Porta-chaves, Zagui, Coca-cola da Silva".
Ontem estavas diferente mas não será dessa forma que te irei recordar. Dizem que as primeiras memórias, muitas vezes, são as que ficam. Talvez seja por isso que te recordo sempre mais ou menos como na foto acima: com aquela boina clara, o teu cabelo penteado um pouco para trás, uma corrente que se prolongava até ao bolso das calças e o teu rosto sempre um pouco suado também por andares constantemente a ajudar-nos a carregar com as "tralhas" que levávamos por essas festas fora. Eras o nosso "Bate Palmas", o nosso adepto número um. Também por essa razão não escapaste ao "baptismo" e todos te chamavam carinhosamente de "Malcriado". Ontem deu uma enorme saudade desses tempos que nem imaginas... Ontem, no fim da nossa despedida, estive quase para me voltar a sentar naquelas escadas em frente à Biblioteca onde antes era a nossa casa de ensaio. Isso, na esperança de que ao voltar a olhar para o sítio que antes era das "regueifeiras" voltasses a aparecer na nossa "princesinha do agreste", aquela tua carrinha Opel acastanhada e que tu chamavas de "Ópela" pois era uma carrinha e não um carro. E é essa mesma carrinha que assume um papel importante numa das melhores recordações que tenho dos tempos de Banda. Acabavas de chegar à casa de ensaio e ao avistarmos a tua carrinha a aproximar-se lá ao longe logo nos organizámos para fazermos um cerco à carrinha. Depois era abaná-la com todas as nossas forças para que nem conseguisses sair. E foi o que fizemos, creio que comandados pelo sempre brincalhão "Salsicha" que também gostava muito de ti e que, curiosamente, voltei a encontrar ontem na tua despedida. Sei que demorou um pouco mas quando as nossas forças começaram a falhar lá conseguiste sair da carrinha e enquanto soltavas umas gargalhadas foste em direcção ao mentor da ideia e disseste a célebre frase que eu ainda hoje utilizo muito na Banda com os mais novos até para ver se a "mística" passa para os vindouros: "Vai-te f**** antes que eu me esqueça". Foi gargalhada geral como era quase sempre quando confraternizávamos contigo. Fossem as histórias de outros tempos que partilhavas connosco fosse através do amor à música que demonstravas a cada porção de ar que inspiravas.
Quando estive dois anos fora da Banda lembro-me de teres vindo conversar comigo tentando-me demover da minha decisão. Hoje sinto realmente a mágoa de não o teres conseguido. Mais do que nunca queria ter-te feito a vontade. Sei que não vale de nada até porque o tempo não volta para trás mas quero que saibas que se fosse hoje tudo teria sido bem diferente.
Recordo ainda quando me tiraste as medidas pois íamos ter direito a uma nova farda e do brilho que trazias nessa altura nos teus olhos. São ainda precisos os dedos de muitas mãos para se poderem contar as vezes que nos abraçámos e que falámos de música. Desde cedo percebi a admiração que tinhas por mim e que ainda ontem a tua neta me lembrava enquanto a cumprimentava olhando para ti uma última vez. Era uma admiração recíproca. Era, é e continuará a sê-lo.
Contigo aprendi muito do que é ser músico nesta casa. Espero ser capaz de o transmitir aos mais novos da mesma forma que foste capaz de o deixar plantado em mim. Sim, porque o tempo passa também por mim. Talvez já não tenhas ido a tempo de saber que o Valdemar agora toca Clarinete Baixo pelo que do naipe de clarinetes "normais" eu sou já o músico mais antigo. É esse um dos sinais dos tempos. E desculpa se dei cabo da carreira brilhante que me tinhas predestinado. Talvez estivesses só a ser simpático. No fundo, ambos sabemos que eu não percebo nada de música...

Recordando o Top+ - Sweet (A La La Long)




Recordando o Top+: capítulo 6.
Hoje paro um pouco em 1992 com uma visita à música reggae. O grupo chama-se Inner Circle mas o que mais facilmente se recorda é o nome do tema: "Sweet (A La La Long)". E não há muito mais a dizer. Apenas partilhar o facto das redescobertas mais gratificantes serem aquelas que chegam de vozes que não andam tão na ribalta quando comparadas com tantas outras. Porque é frequente recordarmos em primeiro lugar estas últimas e as outras acabam por cair no esquecimento. Mas, em contrapartida, quando nos lembramos, a satisfação parece maior e acabamos por nos deixar ficar mais tempo. Como quem acaba de descobrir um novo sabor.
Algures no ano lectivo de 1992/1993 isto rodava no meu leitor de vídeo lá em casa. Alguém se lembra?
Amanhã há mais.

Recordando o Top+ - Amazing




Recordando o Top+, capítulo 5.
De entre todas as músicas do meu tempo de liceu (tirando todas as dos Queen), "Amazing" dos Aerosmith será talvez a que me traz melhores recordações. Desde logo por ter sido a primeira balada de um grupo rock que me atrevi a tocar no piano. Mas isso é apenas um pormenor...
Corria o ano de 1993 quando os Aerosmith deram a conhecer ao mundo o álbum Get a Grip. Era difícil ficar indiferente a músicas como "Amazing", "Crazy", "Cryin" ou "Livin' on the Edge". E todas essas músicas ganham ainda mais significado quando me dou conta que são uma espécie de banda sonora do meu último ano no ensino secundário. De facto, é-me praticamente impossível dissociar todos esses encadeamentos de acordes de caras como as do Nepinhas, da Carla, da Susana e do Pedro, por exemplo.
Muito para além da capa do cd vejo ainda um festival da canção vicarial onde a Escola Secundária haveria de participar com uma canção da qual também fiz parte cantando no refrão com alguns desses bons amigos. A vitória acabaria por sorrir à canção de Rossas (curiosamente, uma canção na qual também participei) mas, mesmo assim, lembro-me da malta se juntar uns dias mais tarde em casa da Carla, no Burgo, numa tarde muito bem passada onde estes Aerosmith (juntamente com Gipsy Kings) marcaram presença na maior parte do tempo. Felizmente há gravações em vídeo desse festival para refrescar a memória e tornar esses momentos ainda mais queridos.
Depois há ainda a memória de me ter deslocado ao Porto com o Pedro, ao sítio do costume na rua 31 de Janeiro onde comprámos um cd para cada um. Para ouvirmos em casa até a alma se cansar. Sábia decisão. Acredito que não trouxemos só os cds. Juntamente com eles trouxemos momentos e recordações que apenas muito mais tarde pude dar conta. Tarde, mas muito a tempo. Felizmente.
Amanhã há mais.

Recordando o Top+ - Please Don't Go




Recordando o Top+, capítulo 4.
Embora este tipo de música não seja propriamente a "minha praia" é praticamente impossível falar do meu Verão de 92 sem falar em "Please Don't Go".
As melhores férias grandes da minha adolescência aconteceram em 1992, num tempo em que o local de encontro ainda era o recinto da velhinha escola primária. Passávamos tardes inteiras a dar "toques" (com uma bola que nesse tempo não havia telemóveis), a jogar à correiada, a sacar cavalos de bicicleta ou até a jogar de baliza a baliza sem poder defender com as mãos (das minhas brincadeiras preferidas). Aos clientes habituais (Carlos, Sérgio, Tono, Pedro, Zé Mário ou João do "Selmo") juntavam-se os "franceses" Jorge e Daniel e as suas primas e ainda o Miguel Confiança que já não vejo desde esses dias. Havia ainda de quando em vez o Paulo das Silveiras ou o Miguel do Ferreiro ambos com um humor acima da média. E aos Domingos era o jackpot com a malta dos lados da Costa a chegar nas suas bicicletas.
Desse Verão guardo algumas das histórias mais engraçadas da minha vida e que costumo contar em algumas ocasiões especiais. Desde ilustres amigos a fugirem por campos de milho até aqueles que subiram vedações quando estas já tinham "buracos de passagem". E outras aventuras que não me atrevo a contar aqui...
E depois há o sol da serra; aquela poeira; a água; o toyota corolla guiado pelo meu irmão e a carrinha do sr. Isaías nas mãos do Carlos com a seita toda na "caixa aberta" ao vento.
É incrível como pode ser doloroso perceber que os dias não voltam. Sobretudo estes, que parecem nunca ter ido. Apetece mesmo dizer "Please Don't Go".
Amanhã há mais memórias.
Até lá.

Recordando o Top+ - More Than Words



Recordando o Top+, capítulo 3.
É fácil fechar os olhos e recordar tantas histórias com este som.
Com todas as formas muito bem definidas, vejo novamente o José Rodrigues dos Santos a apresentar uma peça jornalística onde explica o porquê de aparecer a bandeira portuguesa neste videoclip. Afinal de contas o guitarrista é da pátria de Camões e sofre ao longe, como qualquer outro, pelo seu Benfica. E é assim que Nuno Bettencourt, mesmo sem saber, tornou esta enorme canção em algo ainda mais especial. Mais próximo. Mais meu. Nosso.
Dizem que o liceu como o conheci já não existe. "More Than Words" ajuda-me a enganar essa realidade e traz-me algumas das artérias da velha escola escondidas em alguns dos acordes. Isso e muitas das pessoas que fizeram esses dias.
Por agora fico por aqui.
Amanhã há mais.