O Eduardo, o Nuno, o Simão Pedro, o Miguel Confiança e os jogos ZX Spectrum que mais me marcaram...


A minha iniciação no mundo dos videojogos deu-se, à semelhança de grande parte dos gamers, através do saudoso ZX Spectrum. O meu primeiro contacto com uma dessas relíquias foi em casa do meu grande amigo Eduardo que teve a amabilidade de me convidar num dos seus aniversários. Lembro-me de ter ficado encantado com tudo o que pude ver desfilar naquele ecrã mágico nessa já longínqua tarde dos anos 80.
Felizmente os meus pais haveriam de trazer lá para casa um "Zx Spectrum +3" já com drive para disquetes e foi essa a minha porta de entrada num dos caminhos mais maravilhosos que haveria de aparecer na minha vida.
É certo que a princípio jogava num minúsculo monitor onde apenas cabiam o preto, o branco e o verde mas o tremendo prazer proporcionado pelos jogos tornava tudo perfeito. Dessa altura guardo muitas das melhores memórias da minha infância. Algumas delas de forma tão pormenorizada que ainda hoje não consigo explicar como se conservaram assim até agora.
Lembro, por exemplo, o Eduardo que foi o meu primeiro companheiro nestas lides. Em sua casa joguei, entre outros, Target Renegade, Wec le Mans ou Paris Dakar. Talvez ele já não se lembre mas recordo com a tal nitidez invulgar um início de tarde onde estávamos na paragem da Barroca à espera do autocarro e ele, com o seu baralho de cartas, me ia ensinando a jogar ao Oito Americano. Enquanto isso falávamos de jogos e foi nesse dia que fiquei a saber que todos os domingos o Jornal de Notícias dispensava 2 páginas a falar de todas as novidades para o ZX Spectrum. Devo-te isso. Por isso te agradeço do fundo do coração por ainda hoje ter essas páginas que fui coleccionando e que agora tenho aqui ao meu lado enquanto escrevo estas linhas. E como elas conseguem tornar todas as minhas memórias muito mais nítidas...
Lembro ainda o meu primo Nuno de Paiva que foi aquele que mais aventuras partilhou comigo em frente ao Spectrum. Éramos como unha e carne. Foram muitas as semanas inteiras que ele dormia em minha casa para podermos jogar mais vezes e durante mais tempo. Juntos acabámos, por exemplo, Nomad ou Double Dragon e desesperávamos para conseguir avançar mais e mais em Beyond the Ice Palace. São tantas e tão boas as lembranças que trago de ti e do teu irmão. Ai que saudades...
Há ainda o primo Simão Pedro de Santa Eulália que também passou muitas das suas tardes em minha casa a jogar. Com ele recordo principalmente as infindáveis disputas através de Emilio Butragueño Futbol. Eram tardes inteiras a marcar golos. E foi a ele que dei toda a minha colecção de jogos quando mais tarde os meus pais resolveram comprar um Commodore Amiga 500 lá para casa. No entanto fica aqui registado que hoje possuo praticamente todos os jogos que tinha nessa altura e que para além disso ainda alarguei a minha colecção até às centenas de jogos...
Queria ainda registar os momentos passados com o Miguel "Confiança" já numa fase terminal do Spectrum com quem partilhei clássicos como Operation Wolf e Emlyn Hughes International Soccer.
Para reavivar algumas dessas boas memórias decidi trazer aqui hoje aqueles jogos que me marcaram de uma forma mais querida. É natural que tenha esquecido algum mas, raios... Já passaram tantos anos, não é?!!! Aqui ficam por ordem alfabética.
Um enorme abraço!













1943: Battle of Midway

Este foi o meu primeiro jogo em cassete. Comprado na Rua do Cativo no Porto. Era muito fácil mas ficou eternizado por ter sido o primeiro que comprei nesse formato.













 Beach Volley

Comprado na Rua de Santa Catarina no Porto. Ainda me lembro muito bem do tempo que passei até descobrir como é que se jogava. Mas depois o vício foi muito maior. Delicioso.













Beyond the Ice Palace

Este vinha com a minha segunda disquete. Um dos maiores vícios passados com o meu primo Nuno. Lembro que o máximo que consegui foi chegar ao início do terceiro nível. Não era um jogo nada fácil. É mesmo o primeiro jogo em que me recordo de soltar uma interminável quantidade de asneiras em frente ao monitor...













Continental Circus

Um jogo que associo ao meu primo Simão Pedro. Só isso é motivo mais do que suficiente para guardar para sempre...














Cosmic Wartoad

A minha primeira disquete de videojogos vinha equipada com o seguinte material: Gift from the Gods, Mailstrom, Nomad, Super Test 1 e 2  e Cosmic Wartoad. Isso faz com que tenham sido dos jogos mais jogados de sempre. Mesmo que este Cosmic Wartoad não seja um jogo que se destaque dos demais...
















Crazy Cars II

Comprado depois de ver a respectiva análise no Jornal de Notícias do mesmo jogo mas para... Atari ST. Como é óbvio depois fiquei um bocadinho desiludido. Mesmo assim foram muitos os Kms percorridos....















Cybernoid II

Este devo ao Eduardo que em tempos me emprestou uma cassete com 12 jogos. Muito bom mas estupidamente difícil. Felizmente vinha com a opção de vidas infinitas o que ajudava a limitar a frustração e a aumentar o prazer. Fica na memória o facto de ser muito difícil de terminar mesmo com o recurso à tal infinidade de vidas...














Desolator

Um jogo excelente. Fazia parte da minha segunda disquete e lembro-me da enorme alegria que senti quando consegui acabar todos os 5 níveis do jogo. Passava-se dentro de uma casa e a cada nível correspondia um andar. O sótão era de uma dificuldade respeitável mas ainda agora esboço um sorriso de satisfação cada vez que vejo o respectivo screenshot do jogo.















Double Dragon

Este foi terminado com o meu primo Nuno. Excelentes memórias. Como éramos muito novos não percebíamos nada de inglês pelo que no final não percebemos que tínhamos de lutar um contra o outro para ver quem ficava com a rapariga. Ao tentarmos descobrir o que teríamos de fazer, para infelicidade minha, caí num precipício e foi o Nuno o grande vencedor. Mais uma memória de ouro...














Elevator Action

Um jogo que me cativou sobretudo pelo grafismo. Não me perguntem porquê...















Emílio Butragueño Futbol

Um clássico. Horas e horas de puro prazer. Delicioso. Momentos inolvidáveis com o Nuno e o Simão Pedro. Ficam na memória os golos do meio da rua...














Emlyn Hughes International Soccer

Mais um clássico. Devo-o ao Miguel "Confiança", um amigo que não vejo desde essa altura. Um dos melhores jogos daquele tempo.















Fernandez Must Die

Com uma imagem de apresentação soberba o jogo acabou por ser uma pequena desilusão. Mas ainda conseguia cativar, sobretudo quando nos sentávamos ao volante de um poderoso jipe...














Gift from the Gods

O primeiro jogo que joguei no meu computador. Uma história de deuses que me fez passar horas e horas seguidas sem comer e dormir...















Gothik

Um dos melhores jogos que joguei no Spectrum. Incrível como uma máquina tão limitada consegue proporcionar um jogo desta qualidade.















Grand Prix Simulator

Numa altura em que o Nélson Piquet estava em alta o melhor que me podia acontecer era vestir-lhe a pele em Grand Prix Simulator. Fantástico.















Impossible Mission II

Um dos meus jogos preferidos de todos os tempos. Espectacular. Ainda hoje é aquele a que mais recorro através dos emuladores...














Last Ninja II

Lembro-me de conseguir acabar o primeiro nível graças às preciosas indicações que alguém escreveu no Jornal de Notícias de domingo. Às vezes apetecia voltar a viver tudo outra vez...














Microprose Soccer

Quando não havia lá em casa Butragueño e Emlyn Hughes foi este Microprose Soccer que me fez viver verdadeiras noites europeias...














Navy Moves

Ainda hoje tenho uma certa aversão à palavra "minas". A culpa é deste jogo...














Nomad

Fica na História por ter sido o primeiro jogo que consegui terminar. Lembro-me muito bem desse dia em que o consegui fazer com a preciosa colaboração do meu primo Nuno. Um excelente jogo onde não é nada fácil conseguir sobreviver com as 4 vidas que nos dão de início...














Operation Wolf

Uma das maiores desilusões que experimentei no tempo do Spectrum foi o facto deste Operation Wolf não funcionar em minha casa. Apenas consegui jogá-lo na casa do amigo Miguel "Confiança" um par de vezes. Soube a pouco. Sobretudo por ser um clássico que eu adorava dos salões de máquinas arcade.















Paris Dakar

Um dos meus jogos favoritos. Muito, mas mesmo muito bom. É o exemplo perfeito da época áurea das software houses espanholas.














Pinball Simulator

Este é o jogo que mais me faz lembrar o meu primo Nuno de quem tenho muitas saudades, sobretudo das nossas brincadeiras com bonecos em intermináveis lutas de cowboys contra índios. Delicioso.














Snoball in Hell

Um clone de Arkanoid que ocupou boa parte do meu tempo.















Sol Negro

Na altura era um jogo muito popular. Graças ao Eduardo consegui jogá-lo por uns tempos lá em casa. Mas também me lembro das minhas tentativas para progredir no jogo não serem muito bem sucedidas...















Super Test 1 e 2

Dois jogos que estavam incluídos na primeira disquete que tive. Em plenas olimpíadas podíamos participar em tiro ao alvo, ciclismo, saltos para a água, jogo da corda, remo, penalties ou até saltos de esqui. Creio não estar enganado ao afirmar que terão sido os jogos onde passei mais tempo. Muito tempo. Praticamente todo o meu tempo. E agradeço cada segundo em que o fiz.















Target: Renegade

Aquele que é considerado por muitos como o melhor jogo para ZX Spectrum chegou tarde a minha casa. Quando o obtive não demorou muito a que chegasse um Commodore Amiga 500 lá a casa pelo que nunca pude desfrutar completamente de tudo o que este jogo tinha para oferecer. Resta a consolação de passados todos estes anos eu possuir um exemplar original desta preciosidade. Belo, não?!!!















Wec le Mans

Este, para além de ser um óptimo jogo, faz-me lembrar a casa do Eduardo. E isso basta.



Resta deixar a anotação de que faltam aqui imensos clássicos. Não constam da lista porque nunca os experimentei. Aqui apenas entraram alguns dos melhores jogos que tive a oportunidade de jogar naquela altura de ouro da minha vida. É natural que tenha esquecido algum mas não é por isso que deixa de ser uma lista de respeito.
Um enorme abraço e até um dia destes.


Máquina do Tempo



Hoje é dia de partilhar mais umas quantas memórias. De forma diferente.
Há algum tempo atrás uma feliz casualidade levou-me até S. J. da Madeira onde demorei cerca de um quarto de hora a resolver algo que julgava ocupar-me toda a manhã. Com um par de horas pela frente resolvi satisfazer um desejo antigo e voltei a fazer caminhos e a olhar sítios cujas imagens gravadas em mim, em alguns casos, ultrapassavam os quinze anos.
Na primeira imagem que vos deixo pode ver-se a rua onde moravas por trás da igreja e onde todos os sábados eu passava. Voltei a fazê-lo. Mesmo passados todos estes anos continuou a aparecer aquele formigueiro nas pernas como se o meu destino continuasse a ser uma das tuas queridas aulas de piano. Em pouco mais de cem metros foram outras tantas as memórias que me invadiram a mente e que iam ficando mais nítidas à medida que me ia aproximando do portão da tua casa. Hoje, como há vinte anos atrás, vejo o sorriso da tua empregada, a tua irmã Rosália a deambular pela casa e ouço o teu "Adeus Rui" acompanhado com um aceno bem largo aquando da minha chegada. E parece que tudo ainda acontece...
Por momentos volto à realidade devido ao olhar curioso de um mecânico que se fixa na minha máquina fotográfica e me faz lembrar que o tempo passou. Enquanto eternizo a tua casa em dezenas de fotos tiradas da estrada uma senhora de idade pousa o saco das compras tentando perceber o que faço.
Pouco depois dou comigo a percorrer os jazigos do cemitério, um a um... Aquele telefonema da Sílvia não me sai da cabeça. Lembro-me que nesse dia, depois de pousar o telefone, agarrei-me ao livro das sonatas de Carlos Seixas a chorar compulsivamente. Encontrei-te. Durante meia hora fico a olhar-te, a lembrar-te e a chorar-te enquanto duas senhoras trocam sussurros apontando para mim.
A cidade está diferente. Os lugares são os mesmos mas já não são iguais. Há rotundas nos lugares dos semáforos. Vendem seguros e viagens onde antes vendiam roupa. O quiosque onde comprava a gazeta já não existe e os bancos onde antes conversava com a Sílvia e a Célia aos sábados de manhã deram lugar a uma gigantesca escada rolante. O Centro Comercial América é uma espécie de aglomerado de lojas vazias. A loja onde comprei os meus primeiros cds "morreu" e o salão de máquinas arcade onde algumas vezes joguei "toki" também desapareceu. Um pouco mais acima o Centro Comercial Santo António não passa de uma lembrança e a Epc Informática onde comprei grande parte dos meus jogos para Commodore Amiga é agora um espaço destinado a um fim bem diferente. Hoje fiquei por lá uns dez minutos a olhar através da montra e a imaginar o movimento de outrora. O letreiro "passa-se" da montra ao lado lembra-me que já não estás ao meu lado a apontar um qualquer jogo mais apelativo e dou-me conta que o melhor talvez seja mesmo regressar ao local de estacionamento. Enquanto não chego ao carro tento disfarçar algumas lágrimas para dispersar alguns olhares curiosos de pessoas estranhas. Pelo caminho encontro o amigo Beto a consertar um passeio e aproveito essa conversa para fazer uma espécie de "passagem suave" de volta ao presente.
De regresso a casa como que me despeço dessas imagens com um último olhar através do espelho retrovisor e desligo a máquina do tempo.
Foi muito bom mas soube a pouco. Muito pouco.
Voltarei outro dia. Com mais tempo.
Até sempre.

Miguel

Fly - Primeiro Voo

Confesso que fui apanhado um pouco de surpresa. Mas isso não é necessariamente mau. Bem pelo contrário. Neste caso foi muito bom. Talvez até melhor do que isso...
De repente as memórias começaram a girar a uma velocidade maior e a nostalgia foi-se instalando. Deu uma vontade de voltar a ouvir Pilatus e toda aquela qualidade apenas ao alcance de alguns predestinados. Ao mesmo tempo ia recordando as minhas viagens longas para Torres Vedras onde o cd "Seres Tu" dos Lusitânia me ajudava a reduzir tanta distância à sensação do "mesmo ali ao lado"... Sempre acreditei que um dia sairia um segundo cd. Sei lá... Há sempre tanta música  que acabámos por não gravar apenas porque aquele não é o tempo.
Tivemos ainda os D'Arc que foram coleccionando prémios por esse país fora e que a voz da Nádia ainda me traz cá a casa frequentemente na aparelhagem que tenho agora atrás de mim enquanto escrevo estas linhas...
E volto ao presente. O facebook traz-me, de mão beijada, o primeiro videoclip dos Fly e totalmente filmado em Arouca.
Fly... O nome promete.
Apesar de ter ouvido falar em algumas conversas, confesso a minha ignorância. Não conhecia este magnífico som que se vai fazendo em Arouca. Mas a internet também serve para isso mesmo: para nos deixar descobrir o que fomos perdendo. É só uma questão de querer procurar...
E foi por aí que fui descobrindo as origens da Banda e a sua composição ao longo do seu ainda curto tempo de existência. Já sabia da participação do Ramada mas do Nuno foi uma boa surpresa. Enquanto ouvia este "Último adeus" fui lembrando as viagens atribuladas do Porto para cá onde chegavas vindo de Braga num passo apressado com a minha Odete e onde conversávamos, entre outras coisas, das novidades do mundo da bola. Foi bom ouvir-te rapaz...
Serei um seguidor atento. Estou certo que são já um orgulho para todos os arouquenses por todo este excelente trabalho que se apresenta aos nossos olhos e ouvidos. Arouca estava a precisar de um abanão assim.
Continuem.

Miguel Brandão

Nota: Para os mais distraídos, como eu, aqui deixo o primeiro videoclip dos Fly, intitulado "Último Adeus"...