O Eduardo, o Nuno, o Simão Pedro, o Miguel Confiança e os jogos ZX Spectrum que mais me marcaram...


A minha iniciação no mundo dos videojogos deu-se, à semelhança de grande parte dos gamers, através do saudoso ZX Spectrum. O meu primeiro contacto com uma dessas relíquias foi em casa do meu grande amigo Eduardo que teve a amabilidade de me convidar num dos seus aniversários. Lembro-me de ter ficado encantado com tudo o que pude ver desfilar naquele ecrã mágico nessa já longínqua tarde dos anos 80.
Felizmente os meus pais haveriam de trazer lá para casa um "Zx Spectrum +3" já com drive para disquetes e foi essa a minha porta de entrada num dos caminhos mais maravilhosos que haveria de aparecer na minha vida.
É certo que a princípio jogava num minúsculo monitor onde apenas cabiam o preto, o branco e o verde mas o tremendo prazer proporcionado pelos jogos tornava tudo perfeito. Dessa altura guardo muitas das melhores memórias da minha infância. Algumas delas de forma tão pormenorizada que ainda hoje não consigo explicar como se conservaram assim até agora.
Lembro, por exemplo, o Eduardo que foi o meu primeiro companheiro nestas lides. Em sua casa joguei, entre outros, Target Renegade, Wec le Mans ou Paris Dakar. Talvez ele já não se lembre mas recordo com a tal nitidez invulgar um início de tarde onde estávamos na paragem da Barroca à espera do autocarro e ele, com o seu baralho de cartas, me ia ensinando a jogar ao Oito Americano. Enquanto isso falávamos de jogos e foi nesse dia que fiquei a saber que todos os domingos o Jornal de Notícias dispensava 2 páginas a falar de todas as novidades para o ZX Spectrum. Devo-te isso. Por isso te agradeço do fundo do coração por ainda hoje ter essas páginas que fui coleccionando e que agora tenho aqui ao meu lado enquanto escrevo estas linhas. E como elas conseguem tornar todas as minhas memórias muito mais nítidas...
Lembro ainda o meu primo Nuno de Paiva que foi aquele que mais aventuras partilhou comigo em frente ao Spectrum. Éramos como unha e carne. Foram muitas as semanas inteiras que ele dormia em minha casa para podermos jogar mais vezes e durante mais tempo. Juntos acabámos, por exemplo, Nomad ou Double Dragon e desesperávamos para conseguir avançar mais e mais em Beyond the Ice Palace. São tantas e tão boas as lembranças que trago de ti e do teu irmão. Ai que saudades...
Há ainda o primo Simão Pedro de Santa Eulália que também passou muitas das suas tardes em minha casa a jogar. Com ele recordo principalmente as infindáveis disputas através de Emilio Butragueño Futbol. Eram tardes inteiras a marcar golos. E foi a ele que dei toda a minha colecção de jogos quando mais tarde os meus pais resolveram comprar um Commodore Amiga 500 lá para casa. No entanto fica aqui registado que hoje possuo praticamente todos os jogos que tinha nessa altura e que para além disso ainda alarguei a minha colecção até às centenas de jogos...
Queria ainda registar os momentos passados com o Miguel "Confiança" já numa fase terminal do Spectrum com quem partilhei clássicos como Operation Wolf e Emlyn Hughes International Soccer.
Para reavivar algumas dessas boas memórias decidi trazer aqui hoje aqueles jogos que me marcaram de uma forma mais querida. É natural que tenha esquecido algum mas, raios... Já passaram tantos anos, não é?!!! Aqui ficam por ordem alfabética.
Um enorme abraço!













1943: Battle of Midway

Este foi o meu primeiro jogo em cassete. Comprado na Rua do Cativo no Porto. Era muito fácil mas ficou eternizado por ter sido o primeiro que comprei nesse formato.













 Beach Volley

Comprado na Rua de Santa Catarina no Porto. Ainda me lembro muito bem do tempo que passei até descobrir como é que se jogava. Mas depois o vício foi muito maior. Delicioso.













Beyond the Ice Palace

Este vinha com a minha segunda disquete. Um dos maiores vícios passados com o meu primo Nuno. Lembro que o máximo que consegui foi chegar ao início do terceiro nível. Não era um jogo nada fácil. É mesmo o primeiro jogo em que me recordo de soltar uma interminável quantidade de asneiras em frente ao monitor...













Continental Circus

Um jogo que associo ao meu primo Simão Pedro. Só isso é motivo mais do que suficiente para guardar para sempre...














Cosmic Wartoad

A minha primeira disquete de videojogos vinha equipada com o seguinte material: Gift from the Gods, Mailstrom, Nomad, Super Test 1 e 2  e Cosmic Wartoad. Isso faz com que tenham sido dos jogos mais jogados de sempre. Mesmo que este Cosmic Wartoad não seja um jogo que se destaque dos demais...
















Crazy Cars II

Comprado depois de ver a respectiva análise no Jornal de Notícias do mesmo jogo mas para... Atari ST. Como é óbvio depois fiquei um bocadinho desiludido. Mesmo assim foram muitos os Kms percorridos....















Cybernoid II

Este devo ao Eduardo que em tempos me emprestou uma cassete com 12 jogos. Muito bom mas estupidamente difícil. Felizmente vinha com a opção de vidas infinitas o que ajudava a limitar a frustração e a aumentar o prazer. Fica na memória o facto de ser muito difícil de terminar mesmo com o recurso à tal infinidade de vidas...














Desolator

Um jogo excelente. Fazia parte da minha segunda disquete e lembro-me da enorme alegria que senti quando consegui acabar todos os 5 níveis do jogo. Passava-se dentro de uma casa e a cada nível correspondia um andar. O sótão era de uma dificuldade respeitável mas ainda agora esboço um sorriso de satisfação cada vez que vejo o respectivo screenshot do jogo.















Double Dragon

Este foi terminado com o meu primo Nuno. Excelentes memórias. Como éramos muito novos não percebíamos nada de inglês pelo que no final não percebemos que tínhamos de lutar um contra o outro para ver quem ficava com a rapariga. Ao tentarmos descobrir o que teríamos de fazer, para infelicidade minha, caí num precipício e foi o Nuno o grande vencedor. Mais uma memória de ouro...














Elevator Action

Um jogo que me cativou sobretudo pelo grafismo. Não me perguntem porquê...















Emílio Butragueño Futbol

Um clássico. Horas e horas de puro prazer. Delicioso. Momentos inolvidáveis com o Nuno e o Simão Pedro. Ficam na memória os golos do meio da rua...














Emlyn Hughes International Soccer

Mais um clássico. Devo-o ao Miguel "Confiança", um amigo que não vejo desde essa altura. Um dos melhores jogos daquele tempo.















Fernandez Must Die

Com uma imagem de apresentação soberba o jogo acabou por ser uma pequena desilusão. Mas ainda conseguia cativar, sobretudo quando nos sentávamos ao volante de um poderoso jipe...














Gift from the Gods

O primeiro jogo que joguei no meu computador. Uma história de deuses que me fez passar horas e horas seguidas sem comer e dormir...















Gothik

Um dos melhores jogos que joguei no Spectrum. Incrível como uma máquina tão limitada consegue proporcionar um jogo desta qualidade.















Grand Prix Simulator

Numa altura em que o Nélson Piquet estava em alta o melhor que me podia acontecer era vestir-lhe a pele em Grand Prix Simulator. Fantástico.















Impossible Mission II

Um dos meus jogos preferidos de todos os tempos. Espectacular. Ainda hoje é aquele a que mais recorro através dos emuladores...














Last Ninja II

Lembro-me de conseguir acabar o primeiro nível graças às preciosas indicações que alguém escreveu no Jornal de Notícias de domingo. Às vezes apetecia voltar a viver tudo outra vez...














Microprose Soccer

Quando não havia lá em casa Butragueño e Emlyn Hughes foi este Microprose Soccer que me fez viver verdadeiras noites europeias...














Navy Moves

Ainda hoje tenho uma certa aversão à palavra "minas". A culpa é deste jogo...














Nomad

Fica na História por ter sido o primeiro jogo que consegui terminar. Lembro-me muito bem desse dia em que o consegui fazer com a preciosa colaboração do meu primo Nuno. Um excelente jogo onde não é nada fácil conseguir sobreviver com as 4 vidas que nos dão de início...














Operation Wolf

Uma das maiores desilusões que experimentei no tempo do Spectrum foi o facto deste Operation Wolf não funcionar em minha casa. Apenas consegui jogá-lo na casa do amigo Miguel "Confiança" um par de vezes. Soube a pouco. Sobretudo por ser um clássico que eu adorava dos salões de máquinas arcade.















Paris Dakar

Um dos meus jogos favoritos. Muito, mas mesmo muito bom. É o exemplo perfeito da época áurea das software houses espanholas.














Pinball Simulator

Este é o jogo que mais me faz lembrar o meu primo Nuno de quem tenho muitas saudades, sobretudo das nossas brincadeiras com bonecos em intermináveis lutas de cowboys contra índios. Delicioso.














Snoball in Hell

Um clone de Arkanoid que ocupou boa parte do meu tempo.















Sol Negro

Na altura era um jogo muito popular. Graças ao Eduardo consegui jogá-lo por uns tempos lá em casa. Mas também me lembro das minhas tentativas para progredir no jogo não serem muito bem sucedidas...















Super Test 1 e 2

Dois jogos que estavam incluídos na primeira disquete que tive. Em plenas olimpíadas podíamos participar em tiro ao alvo, ciclismo, saltos para a água, jogo da corda, remo, penalties ou até saltos de esqui. Creio não estar enganado ao afirmar que terão sido os jogos onde passei mais tempo. Muito tempo. Praticamente todo o meu tempo. E agradeço cada segundo em que o fiz.















Target: Renegade

Aquele que é considerado por muitos como o melhor jogo para ZX Spectrum chegou tarde a minha casa. Quando o obtive não demorou muito a que chegasse um Commodore Amiga 500 lá a casa pelo que nunca pude desfrutar completamente de tudo o que este jogo tinha para oferecer. Resta a consolação de passados todos estes anos eu possuir um exemplar original desta preciosidade. Belo, não?!!!















Wec le Mans

Este, para além de ser um óptimo jogo, faz-me lembrar a casa do Eduardo. E isso basta.



Resta deixar a anotação de que faltam aqui imensos clássicos. Não constam da lista porque nunca os experimentei. Aqui apenas entraram alguns dos melhores jogos que tive a oportunidade de jogar naquela altura de ouro da minha vida. É natural que tenha esquecido algum mas não é por isso que deixa de ser uma lista de respeito.
Um enorme abraço e até um dia destes.


Máquina do Tempo



Hoje é dia de partilhar mais umas quantas memórias. De forma diferente.
Há algum tempo atrás uma feliz casualidade levou-me até S. J. da Madeira onde demorei cerca de um quarto de hora a resolver algo que julgava ocupar-me toda a manhã. Com um par de horas pela frente resolvi satisfazer um desejo antigo e voltei a fazer caminhos e a olhar sítios cujas imagens gravadas em mim, em alguns casos, ultrapassavam os quinze anos.
Na primeira imagem que vos deixo pode ver-se a rua onde moravas por trás da igreja e onde todos os sábados eu passava. Voltei a fazê-lo. Mesmo passados todos estes anos continuou a aparecer aquele formigueiro nas pernas como se o meu destino continuasse a ser uma das tuas queridas aulas de piano. Em pouco mais de cem metros foram outras tantas as memórias que me invadiram a mente e que iam ficando mais nítidas à medida que me ia aproximando do portão da tua casa. Hoje, como há vinte anos atrás, vejo o sorriso da tua empregada, a tua irmã Rosália a deambular pela casa e ouço o teu "Adeus Rui" acompanhado com um aceno bem largo aquando da minha chegada. E parece que tudo ainda acontece...
Por momentos volto à realidade devido ao olhar curioso de um mecânico que se fixa na minha máquina fotográfica e me faz lembrar que o tempo passou. Enquanto eternizo a tua casa em dezenas de fotos tiradas da estrada uma senhora de idade pousa o saco das compras tentando perceber o que faço.
Pouco depois dou comigo a percorrer os jazigos do cemitério, um a um... Aquele telefonema da Sílvia não me sai da cabeça. Lembro-me que nesse dia, depois de pousar o telefone, agarrei-me ao livro das sonatas de Carlos Seixas a chorar compulsivamente. Encontrei-te. Durante meia hora fico a olhar-te, a lembrar-te e a chorar-te enquanto duas senhoras trocam sussurros apontando para mim.
A cidade está diferente. Os lugares são os mesmos mas já não são iguais. Há rotundas nos lugares dos semáforos. Vendem seguros e viagens onde antes vendiam roupa. O quiosque onde comprava a gazeta já não existe e os bancos onde antes conversava com a Sílvia e a Célia aos sábados de manhã deram lugar a uma gigantesca escada rolante. O Centro Comercial América é uma espécie de aglomerado de lojas vazias. A loja onde comprei os meus primeiros cds "morreu" e o salão de máquinas arcade onde algumas vezes joguei "toki" também desapareceu. Um pouco mais acima o Centro Comercial Santo António não passa de uma lembrança e a Epc Informática onde comprei grande parte dos meus jogos para Commodore Amiga é agora um espaço destinado a um fim bem diferente. Hoje fiquei por lá uns dez minutos a olhar através da montra e a imaginar o movimento de outrora. O letreiro "passa-se" da montra ao lado lembra-me que já não estás ao meu lado a apontar um qualquer jogo mais apelativo e dou-me conta que o melhor talvez seja mesmo regressar ao local de estacionamento. Enquanto não chego ao carro tento disfarçar algumas lágrimas para dispersar alguns olhares curiosos de pessoas estranhas. Pelo caminho encontro o amigo Beto a consertar um passeio e aproveito essa conversa para fazer uma espécie de "passagem suave" de volta ao presente.
De regresso a casa como que me despeço dessas imagens com um último olhar através do espelho retrovisor e desligo a máquina do tempo.
Foi muito bom mas soube a pouco. Muito pouco.
Voltarei outro dia. Com mais tempo.
Até sempre.

Miguel

Fly - Primeiro Voo

Confesso que fui apanhado um pouco de surpresa. Mas isso não é necessariamente mau. Bem pelo contrário. Neste caso foi muito bom. Talvez até melhor do que isso...
De repente as memórias começaram a girar a uma velocidade maior e a nostalgia foi-se instalando. Deu uma vontade de voltar a ouvir Pilatus e toda aquela qualidade apenas ao alcance de alguns predestinados. Ao mesmo tempo ia recordando as minhas viagens longas para Torres Vedras onde o cd "Seres Tu" dos Lusitânia me ajudava a reduzir tanta distância à sensação do "mesmo ali ao lado"... Sempre acreditei que um dia sairia um segundo cd. Sei lá... Há sempre tanta música  que acabámos por não gravar apenas porque aquele não é o tempo.
Tivemos ainda os D'Arc que foram coleccionando prémios por esse país fora e que a voz da Nádia ainda me traz cá a casa frequentemente na aparelhagem que tenho agora atrás de mim enquanto escrevo estas linhas...
E volto ao presente. O facebook traz-me, de mão beijada, o primeiro videoclip dos Fly e totalmente filmado em Arouca.
Fly... O nome promete.
Apesar de ter ouvido falar em algumas conversas, confesso a minha ignorância. Não conhecia este magnífico som que se vai fazendo em Arouca. Mas a internet também serve para isso mesmo: para nos deixar descobrir o que fomos perdendo. É só uma questão de querer procurar...
E foi por aí que fui descobrindo as origens da Banda e a sua composição ao longo do seu ainda curto tempo de existência. Já sabia da participação do Ramada mas do Nuno foi uma boa surpresa. Enquanto ouvia este "Último adeus" fui lembrando as viagens atribuladas do Porto para cá onde chegavas vindo de Braga num passo apressado com a minha Odete e onde conversávamos, entre outras coisas, das novidades do mundo da bola. Foi bom ouvir-te rapaz...
Serei um seguidor atento. Estou certo que são já um orgulho para todos os arouquenses por todo este excelente trabalho que se apresenta aos nossos olhos e ouvidos. Arouca estava a precisar de um abanão assim.
Continuem.

Miguel Brandão

Nota: Para os mais distraídos, como eu, aqui deixo o primeiro videoclip dos Fly, intitulado "Último Adeus"...


O famoso truque das 4 cartas e das 4 moedas...



O vídeo que hoje vos deixo tem cerca de 20 anos e, ao contrário do que o título possa sugerir, é partilhado por mim não com o objectivo de vos impressionar com os meus dotes de ilusionista mas, isso sim, proporcionar-vos uns bons momentos de boa disposição quer pela fraca qualidade da imagem quer pela ainda pior qualidade do suposto ilusionista...
A capacidade de rir de nós próprios pode não estar ao alcance de todos mas, quando nos deixamos levar, pode proporcionar momentos de prazer difíceis de igualar.
Ao recordar este vídeo, ri de forma descontrolada. Lembro cada pormenor que tive em conta na preparação do truque. E não consigo parar de rir. Desculpem.
E depois há as roupas que me transportam até outros tempos. Num piscar de olhos volto a estar sentado em frente à minha televisão às 18 da tarde à espera de mais um "Isto é Magia" com o grande Luís de Matos. No dia seguinte, no liceu, todos os truques eram debatidos até ao mais ínfimo detalhe com o Nepinhas, um dos meus amigos de sempre e a quem consegui, naquela altura, transmitir o gosto pelos "truques de cartas".
E por hoje fico por aqui. Digamos que este é apenas um post mais descontraído...
Prometo voltar com mais lembranças e boas histórias desses tempos brevemente.
Um grande abraço.

Como colocar um professor no país da "cunha"...


Na terça-feira estive na margem sul. Saí de casa por volta das 9h15m pois do outro lado da ponte 25 de Abril estava à minha espera uma entrevista numa escola que precisava de um professor de matemática. E é essa a história que vos trago hoje.
Concorrer às chamadas "ofertas de escola" através da internet tornou-se um processo penoso. Depois de centenas de candidaturas fico sem saber muito bem se hei-de rir ou chorar com a esperteza saloia de critérios de selecção que temos obrigatoriamente de preencher e que variam de escola para escola de forma mais rápida do que um qualquer vira-vento em dias de temporal. Não sei se acontece apenas comigo mas confesso que ainda não percebi porque raio existe uma "lista de graduação profissional" se, para efeitos de colocação (salvo raríssimas e honrosas excepções), tudo importa menos o nosso maldito lugar nessa mesma lista. Gosto particularmente do "já ter leccionado ao 10.º ou 11.º anos" pois imagino o candidato na primeira posição da lista a ter o azar de nunca se ter cruzado com tal destino e penso o que iria na cabeça dele: "Raios!!! Então eu sou o primeiro e só por nunca ter leccionado esses anos já me estão a tramar?!!" (Claro que a palavra usada não seria bem "tramar" mas este ainda é um blogue decente e não posso utilizar aqui certos termos que seriam mais apropriados)... E nesta situação, nem sei bem porquê, lembro-me sempre da conferência de imprensa do José Mourinho quando foi apresentado como treinador do Benfica e lhe perguntaram mais ou menos isto: "Então não acha estranho que o Benfica tenha contratado um treinador como o senhor, sem nenhum título no currículo?" ao que o José Mourinho respondeu, e muito bem, mais ou menos isto: "Diga-me um treinador que nunca tenha treinado e que tenha títulos no currículo e eu depois respondo-lhe a essa pergunta"... Não preciso dizer mais nada, pois não?
Mas voltando aos critérios... Apesar do já referido ser um critério interessante um dos meus preferidos é, sem dúvida, o "já ter trabalhado na escola ou no agrupamento" que, de quando em vez, para o lugar não poder escapar à pessoa que está destinada, vem acompanhado de "... no ano lectivo anterior ou continuidade pedagógica"... Mais uma vez desato a rir e penso que seria muito mais justo escreverem no critério: "Candidato cujo nome comece por João, termine em Almeida e pelo meio tenha Artur Vasconcelos e que tenha nascido, de cesariana, em Dezembro num dia de sol..." (o nome foi escolhido completamente ao acaso, ok?). E continuo a rir...E os nossos governantes e deputados sabem isto tudo! E eu continuo a rir...
Na televisão passa uma notícia que diz que um estudo revela que Portugal é um país onde a "cunha" está instalada. E eu continuo a rir agora de forma mais veemente. Mas precisavam mesmo de um estudo para isso?!!!
Bem... Mas o que tem a ver tudo isto com a minha ida à margem sul do Tejo? É simples. Numa dessas muitas candidaturas que fiz fui seleccionado para uma entrevista numa escola (Muita atenção! Apesar da estupidez da maior parte dos critérios que se encontram nas chamadas "ofertas de escola" este é, sem qualquer sombra de dúvida, o mais injusto e ESTÚPIDO!!!). Quando me ligaram para marcar a entrevista ainda tentei saber se valeria a pena a minha deslocação mas a voz que falava do outro lado não se deixou descair e lá ficou marcado para o dia seguinte a minha presença em terrenos próximos da capital. Apenas por um "descargo de consciência" decidi comparecer. Fiz, nesse dia, mais de 700 Km gastando mais de 100 euros e lembro o caro leitor que sou um candidato a emprego, logo, DESEMPREGADO (e os deputados sabem destas entrevistas). Como se não bastasse o enorme transtorno de deslocação tão longínqua, pasmem com o que queriam saber os respectivos entrevistadores... Deixo apenas mais ou menos o conteúdo das duas questões essenciais da entrevista.
Director: O senhor já leccionou o 11.º ano?
Eu: Sim. No ano de estágio e ainda numa outra escola onde estive (não vou mencionar nomes aqui no blogue).
Director: Se ficar cá colocado o senhor fica cá a morar ou vai a casa e vem todos os dias?
Aí apeteceu-me responder: e o senhor o que tem a ver com isso? É a escola que vai pagar as minhas deslocações? O importante não é que eu esteja cá a tempo e horas e que cumpra o meu trabalho?
No entanto, de forma educada, limitei-me a responder:
Eu: Terei que ficar cá. Repare que para estar presente nesta entrevista tenho de fazer mais de 700Km.
Director: Mas então se tiver de começar a dar aulas amanhã vai dormir aonde? Debaixo da ponte?
Eu: Como deve calcular não vou alugar um quarto ou uma casa sem saber se fico com o lugar até porque há mais candidatos. Se for o escolhido certamente que resolverei esse problema.
(...)
Já na saída pergunto quantos são os candidatos ao que o Director me responde enquanto sorri entre dentes: "São 16000".
Como já devem ter percebido não fui o candidato escolhido. Passado cerca de uma hora estava uma senhora toda simpática a ligar-me da escola para me agradecer por ter ido à entrevista mas que tinha sido outro o candidato escolhido. Despedi-me de forma simpática e desliguei.
Conclusão: além da imbecilidade da maior parte dos critérios de selecção que circulam por essas "ofertas de escola" ainda somos "obrigados" a ir a uma entrevista onde acham crucial para uma boa actividade lectiva se eu vou morar na cidade ou se venho a casa todos os dias. Mais comentários para quê?!!!
Sei que é impossível resolver estas situações. E sei-o porque apenas conheço uma forma de as solucionar. Sabem qual (estou a ser irónico)? Era acontecer com o filho de um qualquer ministro o mesmo que aconteceu comigo. Garanto que no próprio dia esses critérios estúpidos desapareciam logo. Mas, infelizmente, isso é impossível. É que normalmente os filhos dos ministros já nascem "secretários de estado"...

Miguel Brandão

P.S. - Segundo indicação no site destinado para o efeito, foi colocada uma candidata cuja graduação profissional é menor que a minha. Ora digam lá se toda a história ainda não ficou mais engraçada...
No entanto, apenas estou revoltado com o facto de me terem "obrigado" a fazer tantos Km para nada. Podiam tê-lo feito sem me obrigarem a sair de casa. Aliás, já há algum tempo que estou a tratar de espetar um valente "biqueiro" na matemática. E, nesse campo, o destino parece que me está a sorrir...

Escola Superior de Enfermagem de Santa Maria - Missa de Finalistas - 26 de Julho de 1997

Hoje lembrei-me de ti.
Acontece-me frequentemente voltar a ter amigos de outrora quando vasculho coisas antigas que andam cá por casa. Deus foi particularmente atencioso com a humanidade quando lhe deu a oportunidade de ter momentos assim: a ilusão de que o passado afinal pode estar aqui, bem presente.
Pelas mãos passa-me o guia da Eucaristia de Final de Curso dos Alunos de Escola Superior de Enfermagem de Santa Maria que se realizou na Sé Catedral do Porto no dia 26 de Julho de 1997. Ao virar as folhas uma a uma encontro outras tantas memórias estampadas em cada página. Como se as coisas ainda acontecessem e o tempo não passasse.
De repente deu uma vontade de voltar a falar contigo; de voltar à nossa sala de aula e ver-te na mesa ao lado nas tuas brincadeiras com a Susana apenas superadas por aquelas que eu fazia com o Nepinhas. Apetecia voltar a fazer todo o caminho até àquele festival no Palácio de Cristal de tão boa memória onde "participámos" com os melhores amigos que alguma vez tive até aos dias de hoje. E muitas outras boas lembranças que hoje não quero partilhar.
Recordo o dia em que me pediste para ser o organista da "tua" missa de finalistas. Aceitei desde a primeira hora embora não me achasse capaz de o fazer em plena Sé do Porto. Foram vários os ensaios nessa mesma cidade onde ia propositadamente desde Arouca nos autocarros da Calçada. Lembro-me de teres andado atrás do Padre Ferreira dos Santos para que desse autorização para que eu utilizasse o órgão de tubos da Sé. Hoje, estou certo, teria sido muito melhor. Estou bastante mais capaz musicalmente. Mesmo assim, o resultado acabou por ser satisfatório. E o tempo passou...
O livro na minha mão diz que essas terão sido as nossas últimas conversas. Foste, muito provavelmente, a última grande amiga que eu tive. Obrigado por isso.
Talvez num outro dia volte por aqui com algumas das nossas memórias. Hoje continuo sozinho. Um abraço do tamanho do mundo.

Not Perfect



Depois de Flight of the Conchords e Axis of Awesome faltava mesmo cumprir a promessa de trazer algo de Tim Minchin. Por ironia do destino trago-vos este "Not Perfect" precisamente num dia que para mim foi tudo, menos perfeito. Longe disso. Há dias assim e hoje tive uma prova disso mesmo. Mas adiante...
Depois de uma canção futurista feita a pensar num mercado composto exclusivamente por robots e depois ainda de uma deliciosa demonstração de como a música pop pode ter mais em comum  com ela própria do que se poderia pensar fica aqui hoje um outro registo cómico feito através da música. A abordagem é diferente. Chega até a tornar-se intrigante como se consegue misturar tão bem o humor com uma balada excepcional acompanhada apenas por um simples piano de cauda. A estrutura da letra está muito bem conseguida e a música, bem... nem tenho palavras.
Peço desculpa por não colocar uma versão com legendas mas esta tinha melhor qualidade de som e imagem. E, raios... Saber um bocadinho de inglês não faz mal a ninguém, pois não?
E agora desculpem mas vou ali ao lado tocá-la no piano. Boa noite.

Como criar um êxito usando apenas 4 acordes...



Depois do pequeno momento divertido que vos deixei ontem é a vez de partilhar convosco uma espécie de táctica infalível que poderia muito simplesmente ter o seguinte título: como criar um êxito usando apenas 4 acordes. A brilhante ideia esteve a cargo dos hilariantes Axis of Awesome e o resultado não poderia ser mais espectacular. O vídeo é antigo e serão já poucos os comuns mortais que ainda não o conhecem. Mas os bons momentos que se criam no dia-a-dia são, muitas vezes, recordações dessas boas histórias que algures, no tempo, se entranharam dentro de nós de forma indelével. E isso parece-me razão mais do que suficiente para regressar hoje a esta "casa" que acaba sempre por me cativar como se de cada vez me fizesse reparar num novo pormenor delicioso.
De facto, por vezes, a Composição é mesmo assim: a repetição de motivos rítmicos e melódicos. O segredo, muitas vezes, está em saber fazê-lo da forma mais discreta e inteligente que somos capazes. Este vídeo, para além da capacidade de me fazer rir às gargalhadas tem ainda o meu respeito por me fazer acreditar que o processo de composição pode, em muitas situações, estar mais ao meu alcance do que aquilo que inicialmente eu pensaria. E é muito reconfortante quando nos sentimos mais capazes. Dá-nos mais confiança. E às vezes é só mesmo isso o que precisamos.
Um grande abraço e vejam o vídeo até ao fim que vale bem a pena. Quer seja a primeira vez ou não. Eu vou fazer o mesmo. Até amanhã.

The Humans are Dead



Flight of the Conchords é o nome de um duo de "músicos-compositores-cómicos" com um trabalho bastante interessante e divertido na linha do que fazem e muito bem, por exemplo, Tim Minchin ou os Axis of Awesome. Para os menos habituados a estas lides prometo deixar aqui nos próximos dias um exemplo de cada um desses nomes consagrados da "comédia musical".
Hoje partilho convosco esta canção que, imagine-se, destina-se a ser ouvida por robots e não por humanos. Só isso já promete uma boa dose de gargalhadas.
Um enorme abraço e até amanhã.

O fim da "Maxi Consolas"

No último mês de Janeiro foi publicado aquele que seria o último número da revista Maxi Consolas. Assim, sem qualquer aviso prévio. Cada vez mais os consumidores vão conseguindo toda a informação que necessitam através da internet pelo que foi apenas uma questão de tempo até que a extinção da melhor revista dedicada aos videojogos feita em Portugal fosse uma realidade. Queria aqui deixar registado que eu não contribui em nada para esse fim (e a foto bem o pode comprovar).
Como todas as histórias de amor esta também teve o seu início: num dos muitos fins de tarde em que calcorreava as ruas da baixa do Porto de forma completamente solitária encaro com uma revista toda catita num dos expositores de um conhecido quiosque ali na zona da Praça da Liberdade. O nome ainda era "Multi Consolas" e o preço ainda era em escudos (495$00). A capa destacava um capítulo da conhecida saga Tekken que iria sair na tão aguardada PS2. Gostei do grafismo e comprei. Só quando regressei à tranquilidade do meu quarto é que reparei que tinha acabado de comprar o primeiro número de uma revista recém-criada. Gostei. Especialmente dos interessantíssimos artigos do Nuno Almeida, o rapaz dos maus fígados que escrevia frequentemente sobre retrogaming e, dessa forma, me trazia à memória e ao coração momentos deliciosos da minha adolescência.
Ao longo do tempo a revista foi apresentando várias mudanças tentando acompanhar a evolução dos tempos. Umas foram mais eficazes que outras sendo a mais significativa a mudança do nome para Maxi Consolas mas a qualidade manteve-se sempre presente (mesmo quando deixámos de ter o contributo do Nuno Almeida). E foi através desse mesmo tempo que a cumplicidade foi surgindo. De cada vez que comprava a revista era como se voltasse aos dias em que comprava o jornal de notícias de Domingo na loja da Barroca para ver na JND as análises aos jogos mais recentes do Commodore Amiga, páginas essas que ainda guardo com bastante ternura.
A maior parte da redacção "mudou-se" para a irmã mais velha, a prestigiada Bgamer mas, infelizmente, não me conseguiram cativar: nem pelo grafismo, nem pelo conteúdo, nem pelo preço. Desejo-lhes um bom percurso mas seguirei agora por outro caminho. Custa-me. Faz-me falta a forma como ia sabendo das novidades. Terei que estar um pouco mais atento aos sites especializados que existem na internet. Sei que acabamos sempre por saber tudo a tempo e horas. Mas que não é a mesma coisa, isso não é...
Um grande obrigado a toda a equipa da Maxi Consolas e desculpem este meu pequeno devaneio. Continuação de bons jogos.