Not Perfect



Depois de Flight of the Conchords e Axis of Awesome faltava mesmo cumprir a promessa de trazer algo de Tim Minchin. Por ironia do destino trago-vos este "Not Perfect" precisamente num dia que para mim foi tudo, menos perfeito. Longe disso. Há dias assim e hoje tive uma prova disso mesmo. Mas adiante...
Depois de uma canção futurista feita a pensar num mercado composto exclusivamente por robots e depois ainda de uma deliciosa demonstração de como a música pop pode ter mais em comum  com ela própria do que se poderia pensar fica aqui hoje um outro registo cómico feito através da música. A abordagem é diferente. Chega até a tornar-se intrigante como se consegue misturar tão bem o humor com uma balada excepcional acompanhada apenas por um simples piano de cauda. A estrutura da letra está muito bem conseguida e a música, bem... nem tenho palavras.
Peço desculpa por não colocar uma versão com legendas mas esta tinha melhor qualidade de som e imagem. E, raios... Saber um bocadinho de inglês não faz mal a ninguém, pois não?
E agora desculpem mas vou ali ao lado tocá-la no piano. Boa noite.

Como criar um êxito usando apenas 4 acordes...



Depois do pequeno momento divertido que vos deixei ontem é a vez de partilhar convosco uma espécie de táctica infalível que poderia muito simplesmente ter o seguinte título: como criar um êxito usando apenas 4 acordes. A brilhante ideia esteve a cargo dos hilariantes Axis of Awesome e o resultado não poderia ser mais espectacular. O vídeo é antigo e serão já poucos os comuns mortais que ainda não o conhecem. Mas os bons momentos que se criam no dia-a-dia são, muitas vezes, recordações dessas boas histórias que algures, no tempo, se entranharam dentro de nós de forma indelével. E isso parece-me razão mais do que suficiente para regressar hoje a esta "casa" que acaba sempre por me cativar como se de cada vez me fizesse reparar num novo pormenor delicioso.
De facto, por vezes, a Composição é mesmo assim: a repetição de motivos rítmicos e melódicos. O segredo, muitas vezes, está em saber fazê-lo da forma mais discreta e inteligente que somos capazes. Este vídeo, para além da capacidade de me fazer rir às gargalhadas tem ainda o meu respeito por me fazer acreditar que o processo de composição pode, em muitas situações, estar mais ao meu alcance do que aquilo que inicialmente eu pensaria. E é muito reconfortante quando nos sentimos mais capazes. Dá-nos mais confiança. E às vezes é só mesmo isso o que precisamos.
Um grande abraço e vejam o vídeo até ao fim que vale bem a pena. Quer seja a primeira vez ou não. Eu vou fazer o mesmo. Até amanhã.

The Humans are Dead



Flight of the Conchords é o nome de um duo de "músicos-compositores-cómicos" com um trabalho bastante interessante e divertido na linha do que fazem e muito bem, por exemplo, Tim Minchin ou os Axis of Awesome. Para os menos habituados a estas lides prometo deixar aqui nos próximos dias um exemplo de cada um desses nomes consagrados da "comédia musical".
Hoje partilho convosco esta canção que, imagine-se, destina-se a ser ouvida por robots e não por humanos. Só isso já promete uma boa dose de gargalhadas.
Um enorme abraço e até amanhã.

O fim da "Maxi Consolas"

No último mês de Janeiro foi publicado aquele que seria o último número da revista Maxi Consolas. Assim, sem qualquer aviso prévio. Cada vez mais os consumidores vão conseguindo toda a informação que necessitam através da internet pelo que foi apenas uma questão de tempo até que a extinção da melhor revista dedicada aos videojogos feita em Portugal fosse uma realidade. Queria aqui deixar registado que eu não contribui em nada para esse fim (e a foto bem o pode comprovar).
Como todas as histórias de amor esta também teve o seu início: num dos muitos fins de tarde em que calcorreava as ruas da baixa do Porto de forma completamente solitária encaro com uma revista toda catita num dos expositores de um conhecido quiosque ali na zona da Praça da Liberdade. O nome ainda era "Multi Consolas" e o preço ainda era em escudos (495$00). A capa destacava um capítulo da conhecida saga Tekken que iria sair na tão aguardada PS2. Gostei do grafismo e comprei. Só quando regressei à tranquilidade do meu quarto é que reparei que tinha acabado de comprar o primeiro número de uma revista recém-criada. Gostei. Especialmente dos interessantíssimos artigos do Nuno Almeida, o rapaz dos maus fígados que escrevia frequentemente sobre retrogaming e, dessa forma, me trazia à memória e ao coração momentos deliciosos da minha adolescência.
Ao longo do tempo a revista foi apresentando várias mudanças tentando acompanhar a evolução dos tempos. Umas foram mais eficazes que outras sendo a mais significativa a mudança do nome para Maxi Consolas mas a qualidade manteve-se sempre presente (mesmo quando deixámos de ter o contributo do Nuno Almeida). E foi através desse mesmo tempo que a cumplicidade foi surgindo. De cada vez que comprava a revista era como se voltasse aos dias em que comprava o jornal de notícias de Domingo na loja da Barroca para ver na JND as análises aos jogos mais recentes do Commodore Amiga, páginas essas que ainda guardo com bastante ternura.
A maior parte da redacção "mudou-se" para a irmã mais velha, a prestigiada Bgamer mas, infelizmente, não me conseguiram cativar: nem pelo grafismo, nem pelo conteúdo, nem pelo preço. Desejo-lhes um bom percurso mas seguirei agora por outro caminho. Custa-me. Faz-me falta a forma como ia sabendo das novidades. Terei que estar um pouco mais atento aos sites especializados que existem na internet. Sei que acabamos sempre por saber tudo a tempo e horas. Mas que não é a mesma coisa, isso não é...
Um grande obrigado a toda a equipa da Maxi Consolas e desculpem este meu pequeno devaneio. Continuação de bons jogos.

Tom Waits interpretado por Hélder Antunes


É realmente incrível tudo o que a música pode fazer por um simples homem cansado e abatido. Há encadeamentos de notas e acordes que conseguem provocar em nós uma reacção que seria muito difícil de explicar sem recorrer à própria "música" em si. O melhor,não raras vezes, é deixá-la mesmo dizer-se a si própria. Deixá-la acontecer. Sem mais nada.
Ofereço-vos hoje uma interpretação do tema "Tom Waits" de António Pinho Vargas com o grande Hélder Antunes ao piano. Certamente que ele não levará a mal esta pequena "maldade"...
Grande abraço.

O Padre José Moreira Duarte

Em 1990 foi assim. Era dia de festa pela chegada de um novo padre mas também, e sobretudo, tempo de agradecer a quem connosco tinha estado muitos anos. E quinze anos não são quinze dias; são muitas coisas. É ser parte de um povo. É conhecer a terra e as gentes e tomar parte das suas alegrias ou preocupações.
Recordo-te tal e qual como na foto acima embora esta seja uma prova irrefutável de que o tempo não demorou a passar por todos nós. Contigo fiz as minhas comunhões, a primeira e a outra, mais solene. Foi contigo atrás do altar que participei nas minhas primeiras eucaristias aos domingos de manhã a cantar no grupo coral dos mais novos que me traz tantas e tão boas recordações. Isto num tempo em que a missa ao sábado, para mim, começava meia hora mais cedo pela mão da minha mãe que me levava para a capela atempadamente para arranjar um lugar sentada, tantas vezes ao lado da avó do meu amigo Eduardo. E isso às vezes doía-me um bocadinho pois coincidia com o Sport Billy, o Homem Automático, a Galáctica ou o Buck Rogers no século XXV.
Talvez por ser ainda bastante novo quando deixaste a nossa terra as memórias que guardo não são em grande número. Mas são-me bastante queridas e isso, para mim, basta.
Recordo com saudade o tempo em que foste meu professor de Educação Moral e Religiosa no 7.º Ano e, em particular, aquele dia em que ao reparar no caderno do meu amigo Tono disseste, a propósito da sua caligrafia, que tinhas lá em casa uma galinha que "esgravatava" melhor... Um pormenor delicioso que permaneceu na minha memória.
Aquilo que te queria agradecer mais do que tudo é o facto de teres sido um dos que esteve presente na escritura da fundação do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas em redor do qual se foram desenhando os melhores momentos da minha vida. E isso eu não posso esquecer. Nunca.
Queria ainda dizer-te que gostava que tivesses ficado mais tempo. Também agora, entre nós; mas sobretudo há vinte e dois anos atrás quando partiste para Lamas. Soube a pouco. Tão pouco que nem deu para ser ainda melhor.
Até sempre.

P.S: Dá um abraço à minha pequenina irmã Helena que faria hoje precisamente 40 anos.

Novo Look


O meu Avião de Papel regressa com um novo look. Está diferente, embora a mudança não seja muito profunda. Para os seguidores mais antigos e atentos acaba por ser como que um regresso a um visual "antigo" mas que continua a ser moderno. Talvez não seja importante embora me parecesse nesta altura em que a vida passa por mim a correr. Hoje não me alongo. Serve apenas para assinalar isso mesmo: o regresso. É como que o confirmar que estou ainda e sempre deste lado. Gosto de pensar que continuas por aí. Até já...

Let's look the Trailer


Há momentos em que ficamos sem palavras. É quase como se tivéssemos levado um par de bofetadas e caíssemos atordoados no chão (no bom sentido, claro!!!).
Ao ver este pequeno "trailer" escondido nesta grande notícia tive a sensação de dever cumprido. Tudo valeu a pena. Sobretudo a teimosia de ser esta a peça a levar a cena. Mesmo depois de ter sido preterida em outras ocasiões, em favor de outras igualmente cómicas. Mas sempre acreditei. Acreditamos. E o resultado, embora ainda não seja definitivo, não podia estar a ser melhor. Sala completamente esgotada nas duas primeiras actuações. Para o próximo espectáculo, dia 17, também já foram vendidos todos os bilhetes. Não param de chegar os convites para levar o nosso trabalho a outros palcos. Estamos ainda a ponderar uma outra exibição da peça em Rossas tal é a enorme procura de bilhetes.
Afinal Arouca não é apenas uma terra de Música e Futebol. Começa a ser cada vez mais também um povo de Teatro. Bom teatro. E não sou apenas eu a dizê-lo. É também o público (cada vez em maior número) e agora o consagrado actor Ruy de Carvalho que tive a felicidade de ver na primeira fila enquanto ia dando vida ao Jerónimo Pinhão em cima do palco.
Para os que nunca nos deram uma oportunidade e que não fazem a mínima ideia do trabalho que temos vindo a fazer ao longo dos últimos 30 anos aqui fica esta deliciosa notícia até nós trazida pela jornalista Cláudia Oliveira. Muito obrigado.
Para os outros, aqueles que sempre nos acompanham, uns desde o início e outros que foram aparecendo e ficando, fica também a mesma notícia que, apesar de se referir apenas ao nosso último trabalho, traz memórias de muitos outros espectáculos, em tudo iguais a este último, apenas menos mediatizados.
Agradeço, em nome do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas, o enorme carinho e reconhecimento que as pessoas nos vão dispensando. Agradeço ainda a todos os que partilharam este vídeo pelo facebook ou outros sítios da internet. É, sem dúvida, uma enorme propaganda ao que vamos fazendo por cá.
E agora não vos faço perder mais tempo. Como diria o Herman José, "Let's look the Trailer"...

Os Apanhados do Desporto

Recordo com muita saudade os tempos em que nos dias finais do ano a RTP passava os momentos mais hilariantes, as gaffes, as figuras ridículas, os enganos... tudo o que de mais imprevisto e engraçado se havia passado durante o ano prestes a findar. Muitos desses momentos ficaram guardados para sempre na minha memória: o brinco da Manuela Moura Guedes a cair em plena apresentação das notícias; quando o Paulo Catarro no programa desportivo "Remate" referiu as "graves laconas" de uma equipa em vez das suas "grandes lacunas" (um dos momentos que mais riso descontrolado me proporcionou até aos dias de hoje) ou quando um guarda-redes da segunda divisão espanhola depois de um enorme defesa ao tentar colocar a bola manualmente para um contra-ataque a introduziu na sua própria baliza de uma forma que nunca voltará a acontecer nos próximos mil anos. Tudo isto, pequenos momentos que ainda hoje me provocam um ténue sorriso no rosto.
Por esses tempos apareceu um anúncio num jornal desportivo de uma cassete de vídeo com o sugestivo nome "Os Apanhados do Desporto". Custava 3200$00 na altura. Andei alguns dias até que consegui convencer o meu pai a encomendar. Lembro-me de ter ficado um bocadinho desiludido quando a vi pela primeira vez pois era praticamente só com desportos americanos mas, aos poucos, fui entranhando e ainda sei de cor algumas das músicas que acompanhavam algumas imagens mais caricatas. Levei-a para o liceu ainda no primeiro período de aulas para emprestar a um amigo e o sucesso foi tal que foi andando de mão em mão até que me foi devolvida apenas no último dia de aulas do terceiro período ao final da tarde. E esta, hein?
Ainda sem saber como essa cassete acabou por desaparecer anos mais tarde. Acontece. Mantenho a secreta esperança de conseguir reaver uma igual num qualquer leilão da internet para depois a ver na íntegra e conseguir assim reavivar alguma boa memória mais escondida que ainda perdure desde essa altura.
Um grande abraço e até breve.

D'Aqui Fala o Morto - Ruy de Carvalho - Sr. Ferraz e outras histórias...

 (Parte do elenco de "D'Aqui fala o Morto" com o actor Ruy de Carvalho no passado dia 10 de Dezembro)

"D'Aqui fala o Morto" de Carlos Llopis, a nova comédia que o Grupo Cultural e Recreativo de Rossas estreou recentemente, tem alcançado um sucesso invejável. Depois de no dia 3 de Dezembro ter acontecido uma das melhores estreias que este Grupo já conseguiu com um salão a rebentar pelas costuras, foi a vez de no passado dia 10 acontecer um dos momentos mais marcantes desta Associação também com a lotação completamente esgotada. Entre as 233 pessoas que ocupavam todos os lugares sentados de tão carismático salão estava, em plena primeira fila, o consagrado actor Ruy de Carvalho. Também por isso parte do elenco estava um bocadinho mais nervoso que o habitual antes do início do espectáculo. Mas depois de abrir o pano tudo foi desaparecendo e a qualidade a que esta Associação já nos habituou voltou a ser uma constante ao longo das mais de 2h30 que durou o espectáculo. Os risos e as palmas foram uma constante ao longo da noite que culminou com uma aclamação de pé no final da representação. O que é que se pode pedir mais a um público?
No final houve tempo para uma troca de cumprimentos e palavras com o actor Ruy de Carvalho que se mostrou deliciado com o espectáculo e aproveitou para dar algumas dicas que tentaremos seguir à risca nas próximas actuações. Ficámos a saber que a peça tinha estreado em Portugal no ano de 1957 e que ele tinha feito o papel de "Agente Farinha" interpretado neste sábado pelo nosso querido Barbosa.
Sentimo-nos reconfortados quando somos reconhecidos por quem tem realmente legitimidade e capacidade para o fazer. Foi bom ouvir tão sábias palavras. Sempre calmas, serenas e acertadas. Quase a fazer parecer que as coisas podem tornar-se mais fáceis.
Foi um momento muito importante e emocionante para nós. Faz-nos acreditar que o enorme trabalho para conseguir colocar um espectáculo desta dimensão em cena, vale a pena.
A grande maioria das pessoas não faz ideia de todo o trabalho que está por trás de cada estreia levada a cena. Felizmente é proporcional ao enorme prazer que proporciona. Esgotámos nos dias 3 e 10 de Dezembro e posso desde já informar que para o próximo sábado, dia 17, já estão vendidos todos os 233 bilhetes da sala. Como a procura de bilhetes ainda se mantém a um bom ritmo estamos a tentar encontrar uma nova data para fazermos uma quarta apresentação em Rossas, possivelmente no início de Janeiro. Passem palavra a todos os vossos amigos para que seja possível esgotar novamente a sala.
Queria ainda acrescentar umas palavras a propósito do Sr. Ferraz que nos deixou na véspera da segunda actuação. Muitos não sabem mas o Sr. Ferraz era o sócio n.º1 do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas. Fez parte dos seus órgãos directivos.  Fez muito pelo Teatro em Rossas bem antes de existir alguma associação na freguesia. Apesar de não estar na escritura como fundador do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas, foi certamente dos que mais ajudou à sua fundação. E a isso vou estar-lhe grato durante toda a minha vida. A ele devo algumas das lembranças mais queridas da minha infância. Naquela altura o Centro Cultural ainda era uma miragem pois as obras que deveriam levar à sua concretização demoravam uma eternidade. Foi assim que durante largos anos o Teatro chegou a Rossas através da garagem do Sr. Ferraz. Lembro-me que a minha mãe fazia o ponto nos ensaios e eu ia com ela podendo assim brincar com o Pedro, o Carlos, o Rui, o Sérgio ou o Tono. E ainda nos era permitido tomar parte nas actuações fazendo pequenos números nos "intervalos" de cada peça. Tenho para sempre na minha memória a minha estreia a 25 de Dezembro de 1988 com "O Garoto da Rua" e mais tarde, por exemplo, "O Pátio dos Sarilhos". Nessa garagem assisti, completamente rendido, a comédias ímpares como "Dois Mortos... Vivos", "O Criado Distraído", "O Doutor Sovina" ou "Um Empresário em Suores Frios". Ainda consigo sentir o cheiro das tábuas que faziam o palco de então. Está entranhado em mim.
Dizem que para podermos apreciar uma obra de arte devemos estar colocados à distância certa. Se estivermos próximos demais há muitos pormenores que nos escapam. Pois bem... Todas essas pequenas coisinhas dessa altura não me pareceram tão importantes naquela época. Com o passar do tempo essa "distância necessária" foi aparecendo, os pormenores deliciosos foram chegando à minha memória e tento guardá-los da forma mais terna que sou capaz.
A cada nova actuação são também esses momentos e essas pessoas que estamos a ajudar a eternizar...
Um enorme abraço.