Olá Rambo.
Hoje queria apenas trocar umas palavras contigo. Estou certo que a Regina não se importará até porque agora, mais do que nunca, tudo o que eu possa dizer de ti e para ti é também pertença dos dois.
Sabes...
Acredito que não deste conta mas durante a cerimónia na igreja, a espaços, fui deixando cair algumas lágrimas. É incrível a capacidade que o nosso cérebro tem de armazenar tantas e boas memórias e fazê-las desfilar bem em frente aos nossos olhos quando fazemos parte de dias importantes como aquele que aconteceu. E eu vi esse filme todo lá na igreja. Um filme que muitos dos presentes estão longe de imaginar.
Éramos ainda muito pequeninos. O mais pequeninos e queridos que a mente humana possa imaginar. Eras o Tono da Elisa para te diferenciar do Tono do Guedes que também andava connosco na escola. Lembro, desse tempo, uma camisola roxa (clarinha) que andavas com frequência. A nossa amizade começou a crescer quando entrámos para o então recém-criado grupo coral dos mais novos. Lembro-me de fazermos o caminho a pé até à igreja vezes sem conta na companhia do Sérgio, do Rui ou do Pedro onde criámos tantas das nossas boas memórias. A melhor será talvez aquela em que a tua avó resolveu atirar um torrão a uns rapazinhos que iam a passar no local onde agora é o parque de estacionamento. Os pormenores guardo-os comigo para a história continuar a ser um pouco mais nossa.
Depois veio o ciclo e as famosas senhas de 12$50 para comprar um pão com marmelada que tantas vezes recordámos com um riso rasgado.
Lembro-me também de estar lá na primeira vez que partiste a perna quando experimentavas aquela pequenina bicicleta do João do Selmo. E das vezes que íamos na camioneta das 9h para jogar ping-pong. Ou do dia em que chegaste à escola com a tua nova bicicleta de crosse. Era toda vermelhinha e da marca "Vilar" como uma velha que eu tinha que foi nova quando era da minha irmã.
Depois fomos crescendo. Fui da tua turma ainda no liceu e fizemos parte durante muitos anos do mesmo grupo de jovens. Lembro, em particular, a nossa primeira ida ao Palácio de Cristal em 1994 num festival de muito boa memória. Há ainda os momentos passados na Banda, uns melhores que outros, mas sempre em conjunto.
Depois há também aquelas Olimpíadas em que ainda hoje és o único vencedor: as Olimpíadas de Rossas. São muito poucos os que sabem que ocorreram algures na recta da volta do vale numa qualquer noite de Verão. Mas nós os dois sabemos.
Já para não falar naquela mania de por tudo e por nada dizer: vi uma cena parecida no "Aonde é que pára a Polícia". Ai que saudades...
Foram igualmente bons os momentos passados na Alemanha mas, sobretudo em Paris, nas Jornadas Mundiais da Juventude onde ajudaste a criar o famoso Hino dos "Animais do Mar" com a célebre frase das bolas de berlim.
Podia ainda falar das nossas idas ao cinema quando este ainda era projectado no quartel dos bombeiros ou das inúmeras tardes e noites passadas no recinto da escola primária que atingiram o auge naquela barra do lenço às 3h da manhã...
E os tempos passados no GCR Rossas e as nossas mantas que usávamos para cantar os Reis?
Estas foram certamente algumas das razões que me levaram um dia a escolher-te para meu padrinho de Crisma.
E prometo que não conto a mais hilariante história que tive contigo: aquela em que a guarda nos mandou parar quando vínhamos de um ensaio da Banda. Foi óptimo, não foi? Quase a competir com aquela em que vínhamos de mais um jogo de futebol no torneio do Saju e tu bateste talvez o record mundial de verbos seguidos usados numa frase. Nós a queixarmo-nos que estávamos "pesados" e em baixo de forma (mesmo tendo ganho) e dizes tu: "E eu que estou na baliza? Eu é que precisava de correr mais." E lá remataste com a célebre frase: "Tenho de começar a tentar pensar na tentativa de poder passar a jogar à frente". O que nos rimos com isso. Foram mesmo tempos muito bons...
Resta ainda a recordação mais forte que tenho. Quando no salão do centro, em frente ao quadro de electricidade, pensei que te ia perder e me agarrei a ti com todas as minhas forças. Mais uma vez, só nós é que sabemos, não é?
E foram estes e outros momentos, igualmente deliciosos, que o meu cérebro se encarregou de projectar em frente aos meus olhos enquanto no altar ias dando o teu sim à Regina com o Sérgio ao lado como padrinho.
E talvez isso ajude a perceber um pouco melhor a minha reacção quando vieste cá a casa com a Regina para entregar o convite. Fiquei mesmo muito contente.
Aos poucos foste deixando de ser o Tono da Elisa. Chegaste a ser Rambo (ainda é o meu preferido), Cremalheira ou até Almeida Filho. Agora dizem que és o Chefe António embora as nossas vidas se cruzem cada vez menos. Para mim vais ser sempre o Rambo da Elisa... e do Senhor Almeida, pois não és filho de nenhum milagre embora, à semelhança de Jesus, também sejas o filho de um carpinteiro.
Resta-me dar-te aquele abraço que nós sabemos e dizer-te que fico contente que seja a Regina a tua companheira para a vida. Porque também a conheço (embora não tão bem como tu) e estimo muito.
À Regina queria apenas pedir desculpa por ter centrado o texto exclusivamente no Tono mas penso que cada linha do texto fala por si. De facto, eu serei provavelmente a melhor enciclopédia viva sobre o Tono.
Bem... Tenho de começar a tentar pensar na tentativa de poder passar a acabar de escrever este texto... Eheheh!
Até sempre.