Novo Look


O meu Avião de Papel regressa com um novo look. Está diferente, embora a mudança não seja muito profunda. Para os seguidores mais antigos e atentos acaba por ser como que um regresso a um visual "antigo" mas que continua a ser moderno. Talvez não seja importante embora me parecesse nesta altura em que a vida passa por mim a correr. Hoje não me alongo. Serve apenas para assinalar isso mesmo: o regresso. É como que o confirmar que estou ainda e sempre deste lado. Gosto de pensar que continuas por aí. Até já...

Let's look the Trailer


Há momentos em que ficamos sem palavras. É quase como se tivéssemos levado um par de bofetadas e caíssemos atordoados no chão (no bom sentido, claro!!!).
Ao ver este pequeno "trailer" escondido nesta grande notícia tive a sensação de dever cumprido. Tudo valeu a pena. Sobretudo a teimosia de ser esta a peça a levar a cena. Mesmo depois de ter sido preterida em outras ocasiões, em favor de outras igualmente cómicas. Mas sempre acreditei. Acreditamos. E o resultado, embora ainda não seja definitivo, não podia estar a ser melhor. Sala completamente esgotada nas duas primeiras actuações. Para o próximo espectáculo, dia 17, também já foram vendidos todos os bilhetes. Não param de chegar os convites para levar o nosso trabalho a outros palcos. Estamos ainda a ponderar uma outra exibição da peça em Rossas tal é a enorme procura de bilhetes.
Afinal Arouca não é apenas uma terra de Música e Futebol. Começa a ser cada vez mais também um povo de Teatro. Bom teatro. E não sou apenas eu a dizê-lo. É também o público (cada vez em maior número) e agora o consagrado actor Ruy de Carvalho que tive a felicidade de ver na primeira fila enquanto ia dando vida ao Jerónimo Pinhão em cima do palco.
Para os que nunca nos deram uma oportunidade e que não fazem a mínima ideia do trabalho que temos vindo a fazer ao longo dos últimos 30 anos aqui fica esta deliciosa notícia até nós trazida pela jornalista Cláudia Oliveira. Muito obrigado.
Para os outros, aqueles que sempre nos acompanham, uns desde o início e outros que foram aparecendo e ficando, fica também a mesma notícia que, apesar de se referir apenas ao nosso último trabalho, traz memórias de muitos outros espectáculos, em tudo iguais a este último, apenas menos mediatizados.
Agradeço, em nome do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas, o enorme carinho e reconhecimento que as pessoas nos vão dispensando. Agradeço ainda a todos os que partilharam este vídeo pelo facebook ou outros sítios da internet. É, sem dúvida, uma enorme propaganda ao que vamos fazendo por cá.
E agora não vos faço perder mais tempo. Como diria o Herman José, "Let's look the Trailer"...

Os Apanhados do Desporto

Recordo com muita saudade os tempos em que nos dias finais do ano a RTP passava os momentos mais hilariantes, as gaffes, as figuras ridículas, os enganos... tudo o que de mais imprevisto e engraçado se havia passado durante o ano prestes a findar. Muitos desses momentos ficaram guardados para sempre na minha memória: o brinco da Manuela Moura Guedes a cair em plena apresentação das notícias; quando o Paulo Catarro no programa desportivo "Remate" referiu as "graves laconas" de uma equipa em vez das suas "grandes lacunas" (um dos momentos que mais riso descontrolado me proporcionou até aos dias de hoje) ou quando um guarda-redes da segunda divisão espanhola depois de um enorme defesa ao tentar colocar a bola manualmente para um contra-ataque a introduziu na sua própria baliza de uma forma que nunca voltará a acontecer nos próximos mil anos. Tudo isto, pequenos momentos que ainda hoje me provocam um ténue sorriso no rosto.
Por esses tempos apareceu um anúncio num jornal desportivo de uma cassete de vídeo com o sugestivo nome "Os Apanhados do Desporto". Custava 3200$00 na altura. Andei alguns dias até que consegui convencer o meu pai a encomendar. Lembro-me de ter ficado um bocadinho desiludido quando a vi pela primeira vez pois era praticamente só com desportos americanos mas, aos poucos, fui entranhando e ainda sei de cor algumas das músicas que acompanhavam algumas imagens mais caricatas. Levei-a para o liceu ainda no primeiro período de aulas para emprestar a um amigo e o sucesso foi tal que foi andando de mão em mão até que me foi devolvida apenas no último dia de aulas do terceiro período ao final da tarde. E esta, hein?
Ainda sem saber como essa cassete acabou por desaparecer anos mais tarde. Acontece. Mantenho a secreta esperança de conseguir reaver uma igual num qualquer leilão da internet para depois a ver na íntegra e conseguir assim reavivar alguma boa memória mais escondida que ainda perdure desde essa altura.
Um grande abraço e até breve.

D'Aqui Fala o Morto - Ruy de Carvalho - Sr. Ferraz e outras histórias...

 (Parte do elenco de "D'Aqui fala o Morto" com o actor Ruy de Carvalho no passado dia 10 de Dezembro)

"D'Aqui fala o Morto" de Carlos Llopis, a nova comédia que o Grupo Cultural e Recreativo de Rossas estreou recentemente, tem alcançado um sucesso invejável. Depois de no dia 3 de Dezembro ter acontecido uma das melhores estreias que este Grupo já conseguiu com um salão a rebentar pelas costuras, foi a vez de no passado dia 10 acontecer um dos momentos mais marcantes desta Associação também com a lotação completamente esgotada. Entre as 233 pessoas que ocupavam todos os lugares sentados de tão carismático salão estava, em plena primeira fila, o consagrado actor Ruy de Carvalho. Também por isso parte do elenco estava um bocadinho mais nervoso que o habitual antes do início do espectáculo. Mas depois de abrir o pano tudo foi desaparecendo e a qualidade a que esta Associação já nos habituou voltou a ser uma constante ao longo das mais de 2h30 que durou o espectáculo. Os risos e as palmas foram uma constante ao longo da noite que culminou com uma aclamação de pé no final da representação. O que é que se pode pedir mais a um público?
No final houve tempo para uma troca de cumprimentos e palavras com o actor Ruy de Carvalho que se mostrou deliciado com o espectáculo e aproveitou para dar algumas dicas que tentaremos seguir à risca nas próximas actuações. Ficámos a saber que a peça tinha estreado em Portugal no ano de 1957 e que ele tinha feito o papel de "Agente Farinha" interpretado neste sábado pelo nosso querido Barbosa.
Sentimo-nos reconfortados quando somos reconhecidos por quem tem realmente legitimidade e capacidade para o fazer. Foi bom ouvir tão sábias palavras. Sempre calmas, serenas e acertadas. Quase a fazer parecer que as coisas podem tornar-se mais fáceis.
Foi um momento muito importante e emocionante para nós. Faz-nos acreditar que o enorme trabalho para conseguir colocar um espectáculo desta dimensão em cena, vale a pena.
A grande maioria das pessoas não faz ideia de todo o trabalho que está por trás de cada estreia levada a cena. Felizmente é proporcional ao enorme prazer que proporciona. Esgotámos nos dias 3 e 10 de Dezembro e posso desde já informar que para o próximo sábado, dia 17, já estão vendidos todos os 233 bilhetes da sala. Como a procura de bilhetes ainda se mantém a um bom ritmo estamos a tentar encontrar uma nova data para fazermos uma quarta apresentação em Rossas, possivelmente no início de Janeiro. Passem palavra a todos os vossos amigos para que seja possível esgotar novamente a sala.
Queria ainda acrescentar umas palavras a propósito do Sr. Ferraz que nos deixou na véspera da segunda actuação. Muitos não sabem mas o Sr. Ferraz era o sócio n.º1 do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas. Fez parte dos seus órgãos directivos.  Fez muito pelo Teatro em Rossas bem antes de existir alguma associação na freguesia. Apesar de não estar na escritura como fundador do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas, foi certamente dos que mais ajudou à sua fundação. E a isso vou estar-lhe grato durante toda a minha vida. A ele devo algumas das lembranças mais queridas da minha infância. Naquela altura o Centro Cultural ainda era uma miragem pois as obras que deveriam levar à sua concretização demoravam uma eternidade. Foi assim que durante largos anos o Teatro chegou a Rossas através da garagem do Sr. Ferraz. Lembro-me que a minha mãe fazia o ponto nos ensaios e eu ia com ela podendo assim brincar com o Pedro, o Carlos, o Rui, o Sérgio ou o Tono. E ainda nos era permitido tomar parte nas actuações fazendo pequenos números nos "intervalos" de cada peça. Tenho para sempre na minha memória a minha estreia a 25 de Dezembro de 1988 com "O Garoto da Rua" e mais tarde, por exemplo, "O Pátio dos Sarilhos". Nessa garagem assisti, completamente rendido, a comédias ímpares como "Dois Mortos... Vivos", "O Criado Distraído", "O Doutor Sovina" ou "Um Empresário em Suores Frios". Ainda consigo sentir o cheiro das tábuas que faziam o palco de então. Está entranhado em mim.
Dizem que para podermos apreciar uma obra de arte devemos estar colocados à distância certa. Se estivermos próximos demais há muitos pormenores que nos escapam. Pois bem... Todas essas pequenas coisinhas dessa altura não me pareceram tão importantes naquela época. Com o passar do tempo essa "distância necessária" foi aparecendo, os pormenores deliciosos foram chegando à minha memória e tento guardá-los da forma mais terna que sou capaz.
A cada nova actuação são também esses momentos e essas pessoas que estamos a ajudar a eternizar...
Um enorme abraço.

Days of Our Lives - O Documentário


2011. O ano em que se comemoram os 40 anos desde a formação de uma das bandas mais importantes de todos os tempos: os Queen.
24 de Novembro. Faz hoje 20 anos que Freddie Mercury nos deixou fisicamente.
Estávamos em 1991 e eu tinha começado há pouco tempo o meu 10.º ano de escolaridade. Desse tempo de ouro guardo memórias que não ousaria trocar por nada deste mundo. Nem deste nem de outro qualquer.
Há momentos que jamais esquecerei: o golo que o Carlos Manuel marcou à Alemanha e que nos valeu o apuramento para o Mundial do México em 86, quando os meus pais me deram uma bicicleta nos anos, aqueles 2 golos do César Brito no dia 28 de Abril de 91 e a primeira vez que ouvi Bohemian Rhapsody. Era um domingo ao início da tarde e a rtp passava mais um programa do Top+. Por curiosidade foi esse o primeiro que tive oportunidade de gravar em vhs. Não na sua totalidade mas apenas os videoclips mais interessantes. Tudo para fazer uma espécie de colectânea com o melhor da música que se ia fazendo na altura (escusado será dizer que essa cassete ainda existe e que guardo religiosamente). Lembro-me perfeitamente que nesse dia foram 4 os videoclips que mereceram o direito a ficar nesse meu primeiro registo audiovisual. Entre eles estava "You Win Again" dos Bee Gees e, claro, "Bohemian Rhapsody" dos Queen. Lembro-me de pensar: "Mas o que raio é isto?" Fiquei completamente rendido. Completamente. Ainda hoje não compreendo como essa cassete sobreviveu até aos dias de hoje depois de tantos "Rewind & Play".
A partir daí foi um despertar por toda a obra daquela que será talvez a banda mais talentosa de todos os tempos. Não foi difícil começar a desbravar esse caminho. Foi precisamente nessa altura que dispararam nos tops os famosos "Greatest Hits I e II" que não demoraram a chegar lá a casa embora em cassete áudio, favor que devo ao grande amigo Pedro, também ele um seguidor da banda de Freddie Mercury.
Estou plenamente convencido que sem os Queen o meu tempo de liceu não teria ficado entranhado em mim da forma que os meus amigos reconhecem.
No próximo dia 28 de Novembro fica disponível em DVD e Blu-Ray o mais recente e completo documentário da Banda: "Days of Our Lives". Já reservei o respectivo espaço numa das prateleiras cá da casa, bem junto aos songbooks, cds, dvds, cassetes, livros, calendários, posters, sei lá...
Até lá vou experimentando o êxtase completo tomando doses substanciais da melhor música jamais criada pelo homem. Uma espécie de intimidade que se consegue com a ajuda da noite e de uns bons auscultadores. Os momentos são de nostalgia apenas quebrados por um ligeiro sorriso: quando vou recordando muitos dos nossos momentos dessa altura e me dou conta que esses foram realmente os "dias da nossa vida". Se algum dia conseguirem provar que as memórias têm som estou certo que as minhas terão toda a boa música dos Queen como banda sonora.
Muito obrigado. Mesmo. Do fundo.


These Are the Days of Our Lives

Sometimes I get the feelin'
I was back in the old days - long ago
When we were kids when we were young
Things seemed so perfect - you know
The days were endless we were crazy we were young
The sun was always shinin' - we just lived for fun
Sometimes it seems like lately - I just don't know
The rest of my life's been just a show

Those were the days of our lives
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing is true
When I look and I find I still love you

You can't turn back the clock you can't turn back the tide
Ain't that a shame
I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game
No use in sitting and thinkin' on what you did
When you can lay back and enjoy it through your kids
Sometimes it seems like lately - I just don't know
Better sit back and go with the flow

Cos these are the days of our lives
They've flown in the swiftness of time
These days are all gone now but some things remain
When I look and I find no change

Those were the days of our lives - yeah
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing's still true
When I look and I find
I still love you

I still love you

D'Aqui fala o Morto

Teatro. Finalmente.
Depois do enorme êxito do seu último trabalho do género com a comédia em 3 actos "Uma Bomba chamada Etelvina" eis que o Grupo Cultural e Recreativo de Rossas está de regresso com mais uma comédia que promete fazer as delícias dos seus fiéis seguidores que, diga-se em abono da verdade, são cada vez mais numerosos.
Depois de umas incursões por outros géneros teatrais sobretudo para corresponder a várias solicitações de outras entidades ou associações amigas, o GCR Rossas conseguiu finalmente o tempo e a serenidade necessárias para dar vida a este novo projecto que se insere naquele que é o seu estilo preferido e onde mais se destaca: a comédia representada numa peça em vários actos. Foi esta a principal razão do nascimento desta tão nobre associação nos já longínquos anos 70 embora a escritura oficial apenas acontecesse no dia 11 de Junho de 1981.
E é desta forma que pretendemos continuar a honrar da melhor forma o nome de todas as pessoas que nos precederam nos vários palcos que fizeram a história do GCR Rossas. Desde os mais improvisados nas lojas ou lagares de alguns amigos até aos mais modernos com a melhor qualidade de som e de luz possível.
Desta vez a peça tem um prólogo e 2 actos, cada um deles dividido em 2 quadros. Chama-se "D'Aqui fala o Morto", é da autoria de Carlos Llopis e já foi representada nos maiores teatros nacionais com grande sucesso por nomes tão consagrados como Rui Mendes (o famoso Duarte do "Duarte & Companhia"), Carlos Areia ou Luís Esparteiro, entre outros...
A estreia está marcada para o próximo dia 3 de Dezembro às 21h30 no salão do Centro Cultural de Rossas e os bilhetes já se encontram à venda.
Devido à enorme procura de bilhetes o espectáculo será repetido nos próximos dias 10 e 17 de Dezembro à mesma hora e no mesmo local.
Aparece e traz os teus familiares e amigos para um serão animado.


Sinopse da peça:

Quem matou Artur Valdez?
Um célebre actor de cinema, Artur Valdez, é assassinado na sua própria casa.
A história resume-se à tentativa desesperada da polícia em encontrar o assassino. É precisamente por essa razão que a polícia omite a morte do actor e coloca na sua residência Jerónimo Pinhão, o duplo que habitualmente o substituía em cenas mais arriscadas, julgando dessa forma conseguir atrair o assassino ao local do crime.
Junte-se a tudo isto uma criada que trabalha na casa há apenas quatro dias, um advogado com cara de poucos amigos, a filha de um conde que está noiva do morto, uma amiga brasileira que aparece de forma inesperada e um ladrão de jóias que organiza festas de caridade. Imagine ainda que aparece lá em casa o Lopes, um amigo de longa data que tem a mania de estar constantemente a pregar partidas e também uma misteriosa senhora com uma estranha sede de vingança conhecida simplesmente por “A.”.
É este o cenário do crime numa comédia hilariante, da autoria de Carlos Llopis, a não perder!



A Peça:
D'Aqui fala o Morto
Autor: Carlos LLopis
Encenação e Adaptação: Grupo Cultural e Recreativo de Rossas

Elenco:

Artur Valdez/Jerónimo Pinhão: Miguel Brandão
Dr. Silveira: Fernando Brandão
Mariana: Isabel Brandão
Helena da Fonseca: Catarina Ferreira
Eduardo: José Mário Brandão
Agente Farinha: Carlos Barbosa
Agente Guilherme Teles: António Almeida
Agente Antunes: Joaquim Silva
Agente Ribeiro: Américo Pinho
Mizuca: Elvira Tavares
Mário Lopes: Emanuel Soares
Alda Barroso: Liliana Almeida
Carteiro: Joaquim José Gomes

Ficha Técnica:

Cenário: Isabel Almeida 
Estrutura Metálica: Alberto Vieira
Luz e Som: Grupo Cultural e Recreativo de Rossas
Figurinos:
Grupo Cultural e Recreativo de Rossas
Apresentação: Odete Teixeira
Pano: Joaquim Silva
Direcção de Actores:
Grupo Cultural e Recreativo de Rossas


Apoios:   Câmara Municipal de Arouca
               Junta de Freguesia de Rossas
               Instituto Português da Juventude
               Inatel

A todos os que colaboraram connosco e tornaram possível este espectáculo o nosso muito obrigado.

O Tono da Elisa que agora é da... Regina

Olá Rambo.
Hoje queria apenas trocar umas palavras contigo. Estou certo que a Regina não se importará até porque agora, mais do que nunca, tudo o que eu possa dizer de ti e para ti é também pertença dos dois.
Sabes...
Acredito que não deste conta mas durante a cerimónia na igreja, a espaços, fui deixando cair algumas lágrimas. É incrível a capacidade que o nosso cérebro tem de armazenar tantas e boas memórias e fazê-las desfilar bem em frente aos nossos olhos quando fazemos parte de dias importantes como aquele que aconteceu. E eu vi esse filme todo lá na igreja. Um filme que muitos dos presentes estão longe de imaginar.
Éramos ainda muito pequeninos. O mais pequeninos e queridos que a mente humana possa imaginar. Eras o Tono da Elisa para te diferenciar do Tono do Guedes que também andava connosco na escola. Lembro, desse tempo, uma camisola roxa (clarinha) que andavas com frequência. A nossa amizade começou a crescer quando entrámos para o então recém-criado grupo coral dos mais novos. Lembro-me de fazermos o caminho a pé até à igreja vezes sem conta na companhia do Sérgio, do Rui ou do Pedro onde criámos tantas das nossas boas memórias. A melhor será talvez aquela em que a tua avó resolveu atirar um torrão a uns rapazinhos que iam a passar no local onde agora é o parque de estacionamento. Os pormenores guardo-os comigo para a história continuar a ser um pouco mais nossa.
Depois veio o ciclo e as famosas senhas de 12$50 para comprar um pão com marmelada que tantas vezes recordámos com um riso rasgado. 
Lembro-me também de estar lá na primeira vez que partiste a perna quando experimentavas aquela pequenina bicicleta do João do Selmo. E das vezes que íamos na camioneta das 9h para jogar ping-pong. Ou do dia em que chegaste à escola com a tua nova bicicleta de crosse. Era toda vermelhinha e da marca "Vilar" como uma velha que eu tinha que foi nova quando era da minha irmã.
Depois fomos crescendo. Fui da tua turma ainda no liceu e fizemos parte durante muitos anos do mesmo grupo de jovens. Lembro, em particular, a nossa primeira ida ao Palácio de Cristal em 1994 num festival de muito boa memória. Há ainda os momentos passados na Banda, uns melhores que outros, mas sempre em conjunto.
Depois há também aquelas Olimpíadas em que ainda hoje és o único vencedor: as Olimpíadas de Rossas. São muito poucos os que sabem que ocorreram algures na recta da volta do vale numa qualquer noite de Verão. Mas nós os dois sabemos.
Já para não falar naquela mania de por tudo e por nada dizer: vi uma cena parecida no "Aonde é que pára a Polícia". Ai que saudades...
Foram igualmente bons os momentos passados na Alemanha mas, sobretudo em Paris, nas Jornadas Mundiais da Juventude onde ajudaste a criar o famoso Hino dos "Animais do Mar" com a célebre frase das bolas de berlim.
Podia ainda falar das nossas idas ao cinema quando este ainda era projectado no quartel dos bombeiros ou das inúmeras tardes e noites passadas no recinto da escola primária que atingiram o auge naquela barra do lenço às 3h da manhã...
E os tempos passados no GCR Rossas e as nossas mantas que usávamos para cantar os Reis?
Estas foram certamente algumas das razões que me levaram um dia a escolher-te para meu padrinho de Crisma.
E prometo que não conto a mais hilariante história que tive contigo: aquela em que a guarda nos mandou parar quando vínhamos de um ensaio da Banda. Foi óptimo, não foi? Quase a competir com aquela em que vínhamos de mais um jogo de futebol no torneio do Saju e tu bateste talvez o record mundial de verbos seguidos usados numa frase. Nós a queixarmo-nos que estávamos "pesados" e em baixo de forma (mesmo tendo ganho) e dizes tu: "E eu que estou na baliza? Eu é que precisava de correr mais." E lá remataste com a célebre frase: "Tenho de começar a tentar pensar na tentativa de poder passar a jogar à frente". O que nos rimos com isso. Foram mesmo tempos muito bons...
Resta ainda a recordação mais forte que tenho. Quando no salão do centro, em frente ao quadro de electricidade, pensei que te ia perder e me agarrei a ti com todas as minhas forças. Mais uma vez, só nós é que sabemos, não é?
E foram estes e outros momentos, igualmente deliciosos, que o meu cérebro se encarregou de projectar em frente aos meus olhos enquanto no altar ias dando o teu sim à Regina com o Sérgio ao lado como padrinho.
E talvez isso ajude a perceber um pouco melhor a minha reacção quando vieste cá a casa com a Regina para entregar o convite. Fiquei mesmo muito contente.
Aos poucos foste deixando de ser o Tono da Elisa. Chegaste a ser Rambo (ainda é o meu preferido), Cremalheira ou até Almeida Filho. Agora dizem que és o Chefe António embora as nossas vidas se cruzem cada vez menos. Para mim vais ser sempre o Rambo da Elisa... e do Senhor Almeida, pois não és filho de nenhum milagre embora, à semelhança de Jesus, também sejas o filho de um carpinteiro.
Resta-me dar-te aquele abraço que nós sabemos e dizer-te que fico contente que seja a Regina a tua companheira para a vida. Porque também a conheço (embora não tão bem como tu) e estimo muito.
À Regina queria apenas pedir desculpa por ter centrado o texto exclusivamente no Tono mas penso que cada linha do texto fala por si. De facto, eu serei provavelmente a melhor enciclopédia viva sobre o Tono.
Bem... Tenho de começar a tentar pensar na tentativa de poder passar a acabar de escrever este texto... Eheheh!
Até sempre.

"Tom Waits" - António Pinho Vargas

Nuvem de Outono

Depois de um pedido de socorro cujo principal motivo se prendia com uma aparente incontornável insanidade mental parece que a Catarina se "curou". As férias terão trazido uma outra tranquilidade. Com ela abriram-se outros caminhos. Não que a "maluqueira" em si seja necessariamente má. Lembro, por exemplo, a quantidade de sonoras gargalhadas que me trouxe "A Maluquinha de Arroios". Mas há alturas em que sentimos que é tempo de mudar. Ao que tudo indica foi o que se passou com esta menina.
Agora podemos encontrá-la numa Nuvem de Outono com uma escrita um pouco diferente e com um fundo que me faz lembrar as "Folhas Caídas" de Miguel Torga.
Fica aqui o registo e a certeza de que serei um visitante assíduo desta nova casa onde certamente serei bem acolhido. Fica o encontro marcado para o próximo texto.
Grande abraço.

Roxanne

"Roxanne" é um dos filmes da minha vida.
A primeira vez que o vi foi há cerca de 20 anos atrás quando ao chegar a casa, já noite escura, estava a começar um filme com o Steve Martin. Só me lembro de pensar: é o mesmo do filme "Os Três Amigos"; não posso perder. Coloquei uma cassete no vídeo de forma apressada e fiquei ali e descobrir aquela comédia romântica muito bem estruturada e inspiradora. Lembro-me de rever o filme vezes sem conta naquela altura. Até que a cassete se perdeu e o filme se foi apagando da minha memória. Isto até há poucos dias atrás onde tive a oportunidade de revê-lo na íntegra no canal hollywood sentadinho no sofá de minha casa com a Odete. Apesar de algumas das deixas terem permanecido nítidas no meu cérebro durante estes 20 anos ainda houve cenas que me surpreenderam e todo o enredo me prendeu ao ecrã sempre à espera da próxima cena.
A fórmula até nem é complicada e, por vezes, é isso que estraga completamente os filmes. Felizmente não é este o caso. Toda a história parece seguir sempre o caminho certo e quando damos conta estamos a rir de forma terna.
Tudo isso para além de lembrar uma fase de ouro da minha vida. O que é que eu poderia pedir mais para um serão em grande?