Days of Our Lives - O Documentário


2011. O ano em que se comemoram os 40 anos desde a formação de uma das bandas mais importantes de todos os tempos: os Queen.
24 de Novembro. Faz hoje 20 anos que Freddie Mercury nos deixou fisicamente.
Estávamos em 1991 e eu tinha começado há pouco tempo o meu 10.º ano de escolaridade. Desse tempo de ouro guardo memórias que não ousaria trocar por nada deste mundo. Nem deste nem de outro qualquer.
Há momentos que jamais esquecerei: o golo que o Carlos Manuel marcou à Alemanha e que nos valeu o apuramento para o Mundial do México em 86, quando os meus pais me deram uma bicicleta nos anos, aqueles 2 golos do César Brito no dia 28 de Abril de 91 e a primeira vez que ouvi Bohemian Rhapsody. Era um domingo ao início da tarde e a rtp passava mais um programa do Top+. Por curiosidade foi esse o primeiro que tive oportunidade de gravar em vhs. Não na sua totalidade mas apenas os videoclips mais interessantes. Tudo para fazer uma espécie de colectânea com o melhor da música que se ia fazendo na altura (escusado será dizer que essa cassete ainda existe e que guardo religiosamente). Lembro-me perfeitamente que nesse dia foram 4 os videoclips que mereceram o direito a ficar nesse meu primeiro registo audiovisual. Entre eles estava "You Win Again" dos Bee Gees e, claro, "Bohemian Rhapsody" dos Queen. Lembro-me de pensar: "Mas o que raio é isto?" Fiquei completamente rendido. Completamente. Ainda hoje não compreendo como essa cassete sobreviveu até aos dias de hoje depois de tantos "Rewind & Play".
A partir daí foi um despertar por toda a obra daquela que será talvez a banda mais talentosa de todos os tempos. Não foi difícil começar a desbravar esse caminho. Foi precisamente nessa altura que dispararam nos tops os famosos "Greatest Hits I e II" que não demoraram a chegar lá a casa embora em cassete áudio, favor que devo ao grande amigo Pedro, também ele um seguidor da banda de Freddie Mercury.
Estou plenamente convencido que sem os Queen o meu tempo de liceu não teria ficado entranhado em mim da forma que os meus amigos reconhecem.
No próximo dia 28 de Novembro fica disponível em DVD e Blu-Ray o mais recente e completo documentário da Banda: "Days of Our Lives". Já reservei o respectivo espaço numa das prateleiras cá da casa, bem junto aos songbooks, cds, dvds, cassetes, livros, calendários, posters, sei lá...
Até lá vou experimentando o êxtase completo tomando doses substanciais da melhor música jamais criada pelo homem. Uma espécie de intimidade que se consegue com a ajuda da noite e de uns bons auscultadores. Os momentos são de nostalgia apenas quebrados por um ligeiro sorriso: quando vou recordando muitos dos nossos momentos dessa altura e me dou conta que esses foram realmente os "dias da nossa vida". Se algum dia conseguirem provar que as memórias têm som estou certo que as minhas terão toda a boa música dos Queen como banda sonora.
Muito obrigado. Mesmo. Do fundo.


These Are the Days of Our Lives

Sometimes I get the feelin'
I was back in the old days - long ago
When we were kids when we were young
Things seemed so perfect - you know
The days were endless we were crazy we were young
The sun was always shinin' - we just lived for fun
Sometimes it seems like lately - I just don't know
The rest of my life's been just a show

Those were the days of our lives
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing is true
When I look and I find I still love you

You can't turn back the clock you can't turn back the tide
Ain't that a shame
I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game
No use in sitting and thinkin' on what you did
When you can lay back and enjoy it through your kids
Sometimes it seems like lately - I just don't know
Better sit back and go with the flow

Cos these are the days of our lives
They've flown in the swiftness of time
These days are all gone now but some things remain
When I look and I find no change

Those were the days of our lives - yeah
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing's still true
When I look and I find
I still love you

I still love you

D'Aqui fala o Morto

Teatro. Finalmente.
Depois do enorme êxito do seu último trabalho do género com a comédia em 3 actos "Uma Bomba chamada Etelvina" eis que o Grupo Cultural e Recreativo de Rossas está de regresso com mais uma comédia que promete fazer as delícias dos seus fiéis seguidores que, diga-se em abono da verdade, são cada vez mais numerosos.
Depois de umas incursões por outros géneros teatrais sobretudo para corresponder a várias solicitações de outras entidades ou associações amigas, o GCR Rossas conseguiu finalmente o tempo e a serenidade necessárias para dar vida a este novo projecto que se insere naquele que é o seu estilo preferido e onde mais se destaca: a comédia representada numa peça em vários actos. Foi esta a principal razão do nascimento desta tão nobre associação nos já longínquos anos 70 embora a escritura oficial apenas acontecesse no dia 11 de Junho de 1981.
E é desta forma que pretendemos continuar a honrar da melhor forma o nome de todas as pessoas que nos precederam nos vários palcos que fizeram a história do GCR Rossas. Desde os mais improvisados nas lojas ou lagares de alguns amigos até aos mais modernos com a melhor qualidade de som e de luz possível.
Desta vez a peça tem um prólogo e 2 actos, cada um deles dividido em 2 quadros. Chama-se "D'Aqui fala o Morto", é da autoria de Carlos Llopis e já foi representada nos maiores teatros nacionais com grande sucesso por nomes tão consagrados como Rui Mendes (o famoso Duarte do "Duarte & Companhia"), Carlos Areia ou Luís Esparteiro, entre outros...
A estreia está marcada para o próximo dia 3 de Dezembro às 21h30 no salão do Centro Cultural de Rossas e os bilhetes já se encontram à venda.
Devido à enorme procura de bilhetes o espectáculo será repetido nos próximos dias 10 e 17 de Dezembro à mesma hora e no mesmo local.
Aparece e traz os teus familiares e amigos para um serão animado.


Sinopse da peça:

Quem matou Artur Valdez?
Um célebre actor de cinema, Artur Valdez, é assassinado na sua própria casa.
A história resume-se à tentativa desesperada da polícia em encontrar o assassino. É precisamente por essa razão que a polícia omite a morte do actor e coloca na sua residência Jerónimo Pinhão, o duplo que habitualmente o substituía em cenas mais arriscadas, julgando dessa forma conseguir atrair o assassino ao local do crime.
Junte-se a tudo isto uma criada que trabalha na casa há apenas quatro dias, um advogado com cara de poucos amigos, a filha de um conde que está noiva do morto, uma amiga brasileira que aparece de forma inesperada e um ladrão de jóias que organiza festas de caridade. Imagine ainda que aparece lá em casa o Lopes, um amigo de longa data que tem a mania de estar constantemente a pregar partidas e também uma misteriosa senhora com uma estranha sede de vingança conhecida simplesmente por “A.”.
É este o cenário do crime numa comédia hilariante, da autoria de Carlos Llopis, a não perder!



A Peça:
D'Aqui fala o Morto
Autor: Carlos LLopis
Encenação e Adaptação: Grupo Cultural e Recreativo de Rossas

Elenco:

Artur Valdez/Jerónimo Pinhão: Miguel Brandão
Dr. Silveira: Fernando Brandão
Mariana: Isabel Brandão
Helena da Fonseca: Catarina Ferreira
Eduardo: José Mário Brandão
Agente Farinha: Carlos Barbosa
Agente Guilherme Teles: António Almeida
Agente Antunes: Joaquim Silva
Agente Ribeiro: Américo Pinho
Mizuca: Elvira Tavares
Mário Lopes: Emanuel Soares
Alda Barroso: Liliana Almeida
Carteiro: Joaquim José Gomes

Ficha Técnica:

Cenário: Isabel Almeida 
Estrutura Metálica: Alberto Vieira
Luz e Som: Grupo Cultural e Recreativo de Rossas
Figurinos:
Grupo Cultural e Recreativo de Rossas
Apresentação: Odete Teixeira
Pano: Joaquim Silva
Direcção de Actores:
Grupo Cultural e Recreativo de Rossas


Apoios:   Câmara Municipal de Arouca
               Junta de Freguesia de Rossas
               Instituto Português da Juventude
               Inatel

A todos os que colaboraram connosco e tornaram possível este espectáculo o nosso muito obrigado.

O Tono da Elisa que agora é da... Regina

Olá Rambo.
Hoje queria apenas trocar umas palavras contigo. Estou certo que a Regina não se importará até porque agora, mais do que nunca, tudo o que eu possa dizer de ti e para ti é também pertença dos dois.
Sabes...
Acredito que não deste conta mas durante a cerimónia na igreja, a espaços, fui deixando cair algumas lágrimas. É incrível a capacidade que o nosso cérebro tem de armazenar tantas e boas memórias e fazê-las desfilar bem em frente aos nossos olhos quando fazemos parte de dias importantes como aquele que aconteceu. E eu vi esse filme todo lá na igreja. Um filme que muitos dos presentes estão longe de imaginar.
Éramos ainda muito pequeninos. O mais pequeninos e queridos que a mente humana possa imaginar. Eras o Tono da Elisa para te diferenciar do Tono do Guedes que também andava connosco na escola. Lembro, desse tempo, uma camisola roxa (clarinha) que andavas com frequência. A nossa amizade começou a crescer quando entrámos para o então recém-criado grupo coral dos mais novos. Lembro-me de fazermos o caminho a pé até à igreja vezes sem conta na companhia do Sérgio, do Rui ou do Pedro onde criámos tantas das nossas boas memórias. A melhor será talvez aquela em que a tua avó resolveu atirar um torrão a uns rapazinhos que iam a passar no local onde agora é o parque de estacionamento. Os pormenores guardo-os comigo para a história continuar a ser um pouco mais nossa.
Depois veio o ciclo e as famosas senhas de 12$50 para comprar um pão com marmelada que tantas vezes recordámos com um riso rasgado. 
Lembro-me também de estar lá na primeira vez que partiste a perna quando experimentavas aquela pequenina bicicleta do João do Selmo. E das vezes que íamos na camioneta das 9h para jogar ping-pong. Ou do dia em que chegaste à escola com a tua nova bicicleta de crosse. Era toda vermelhinha e da marca "Vilar" como uma velha que eu tinha que foi nova quando era da minha irmã.
Depois fomos crescendo. Fui da tua turma ainda no liceu e fizemos parte durante muitos anos do mesmo grupo de jovens. Lembro, em particular, a nossa primeira ida ao Palácio de Cristal em 1994 num festival de muito boa memória. Há ainda os momentos passados na Banda, uns melhores que outros, mas sempre em conjunto.
Depois há também aquelas Olimpíadas em que ainda hoje és o único vencedor: as Olimpíadas de Rossas. São muito poucos os que sabem que ocorreram algures na recta da volta do vale numa qualquer noite de Verão. Mas nós os dois sabemos.
Já para não falar naquela mania de por tudo e por nada dizer: vi uma cena parecida no "Aonde é que pára a Polícia". Ai que saudades...
Foram igualmente bons os momentos passados na Alemanha mas, sobretudo em Paris, nas Jornadas Mundiais da Juventude onde ajudaste a criar o famoso Hino dos "Animais do Mar" com a célebre frase das bolas de berlim.
Podia ainda falar das nossas idas ao cinema quando este ainda era projectado no quartel dos bombeiros ou das inúmeras tardes e noites passadas no recinto da escola primária que atingiram o auge naquela barra do lenço às 3h da manhã...
E os tempos passados no GCR Rossas e as nossas mantas que usávamos para cantar os Reis?
Estas foram certamente algumas das razões que me levaram um dia a escolher-te para meu padrinho de Crisma.
E prometo que não conto a mais hilariante história que tive contigo: aquela em que a guarda nos mandou parar quando vínhamos de um ensaio da Banda. Foi óptimo, não foi? Quase a competir com aquela em que vínhamos de mais um jogo de futebol no torneio do Saju e tu bateste talvez o record mundial de verbos seguidos usados numa frase. Nós a queixarmo-nos que estávamos "pesados" e em baixo de forma (mesmo tendo ganho) e dizes tu: "E eu que estou na baliza? Eu é que precisava de correr mais." E lá remataste com a célebre frase: "Tenho de começar a tentar pensar na tentativa de poder passar a jogar à frente". O que nos rimos com isso. Foram mesmo tempos muito bons...
Resta ainda a recordação mais forte que tenho. Quando no salão do centro, em frente ao quadro de electricidade, pensei que te ia perder e me agarrei a ti com todas as minhas forças. Mais uma vez, só nós é que sabemos, não é?
E foram estes e outros momentos, igualmente deliciosos, que o meu cérebro se encarregou de projectar em frente aos meus olhos enquanto no altar ias dando o teu sim à Regina com o Sérgio ao lado como padrinho.
E talvez isso ajude a perceber um pouco melhor a minha reacção quando vieste cá a casa com a Regina para entregar o convite. Fiquei mesmo muito contente.
Aos poucos foste deixando de ser o Tono da Elisa. Chegaste a ser Rambo (ainda é o meu preferido), Cremalheira ou até Almeida Filho. Agora dizem que és o Chefe António embora as nossas vidas se cruzem cada vez menos. Para mim vais ser sempre o Rambo da Elisa... e do Senhor Almeida, pois não és filho de nenhum milagre embora, à semelhança de Jesus, também sejas o filho de um carpinteiro.
Resta-me dar-te aquele abraço que nós sabemos e dizer-te que fico contente que seja a Regina a tua companheira para a vida. Porque também a conheço (embora não tão bem como tu) e estimo muito.
À Regina queria apenas pedir desculpa por ter centrado o texto exclusivamente no Tono mas penso que cada linha do texto fala por si. De facto, eu serei provavelmente a melhor enciclopédia viva sobre o Tono.
Bem... Tenho de começar a tentar pensar na tentativa de poder passar a acabar de escrever este texto... Eheheh!
Até sempre.

"Tom Waits" - António Pinho Vargas

Nuvem de Outono

Depois de um pedido de socorro cujo principal motivo se prendia com uma aparente incontornável insanidade mental parece que a Catarina se "curou". As férias terão trazido uma outra tranquilidade. Com ela abriram-se outros caminhos. Não que a "maluqueira" em si seja necessariamente má. Lembro, por exemplo, a quantidade de sonoras gargalhadas que me trouxe "A Maluquinha de Arroios". Mas há alturas em que sentimos que é tempo de mudar. Ao que tudo indica foi o que se passou com esta menina.
Agora podemos encontrá-la numa Nuvem de Outono com uma escrita um pouco diferente e com um fundo que me faz lembrar as "Folhas Caídas" de Miguel Torga.
Fica aqui o registo e a certeza de que serei um visitante assíduo desta nova casa onde certamente serei bem acolhido. Fica o encontro marcado para o próximo texto.
Grande abraço.

Roxanne

"Roxanne" é um dos filmes da minha vida.
A primeira vez que o vi foi há cerca de 20 anos atrás quando ao chegar a casa, já noite escura, estava a começar um filme com o Steve Martin. Só me lembro de pensar: é o mesmo do filme "Os Três Amigos"; não posso perder. Coloquei uma cassete no vídeo de forma apressada e fiquei ali e descobrir aquela comédia romântica muito bem estruturada e inspiradora. Lembro-me de rever o filme vezes sem conta naquela altura. Até que a cassete se perdeu e o filme se foi apagando da minha memória. Isto até há poucos dias atrás onde tive a oportunidade de revê-lo na íntegra no canal hollywood sentadinho no sofá de minha casa com a Odete. Apesar de algumas das deixas terem permanecido nítidas no meu cérebro durante estes 20 anos ainda houve cenas que me surpreenderam e todo o enredo me prendeu ao ecrã sempre à espera da próxima cena.
A fórmula até nem é complicada e, por vezes, é isso que estraga completamente os filmes. Felizmente não é este o caso. Toda a história parece seguir sempre o caminho certo e quando damos conta estamos a rir de forma terna.
Tudo isso para além de lembrar uma fase de ouro da minha vida. O que é que eu poderia pedir mais para um serão em grande?

28 de Agosto de 2011 ou o Mundo ao Contrário


"Deus é grande nas grandes coisas; mas é enorme nas pequeninas!"

Olá Tiago.
Finalmente chegaste. Numa manhã calma, sem pressas. E eu estava lá, bem junto da tua mãe. Era, sem dúvida, o lugar mais apropriado pois foi através da tua mamã que comecei a gostar de ti.
A primeira vez que te vi tinhas acabado de sair do ventre da tua mamã e estavas suspenso nas mãos do médico de pernas para o ar. Foi aí que me surgiu a imagem do mundo ao contrário, da visão um pouco diferente das coisas, de uma nova perspectiva.
Levaram-te para uma outra salita para te limparem e chamaram-me para te acompanhar. Tinhas ainda acabado de soltar os primeiros gemidos quando te beijei emocionado. Guardo comigo a cara da tua mãe quando te levei junto a ela, ias ainda embrulhado no meu colo. São momentos bons de guardar pois são momentos de quem ama.
O resto já vais aprendendo, aos poucos, como é. Já reparaste que estou um pouco destreinado na arte de vestir roupas tão pequeninas mas com a tua preciosa colaboração lá nos vamos safando. Espero que vás já guardando nessa cabeça tão pequenina algumas das melodias que te vou trauteando ao ouvido. Sinto que nos aproximam ainda mais.
Sabes, enquanto iam desfilando todas estas peripécias que vivemos nestes teus poucos dias de vida nova eu fui-me recordando de muitas brincadeiras que tive, há muitos anos atrás, com algumas das melhores pessoas que o mundo tem: o Pedro, o Tono, o Sérgio, o teu tio Zé, o Eduardo... Juntos brincávamos com caricas, éramos cowboys, o Nélson Piquet ou os Estrunfes. Tínhamos em cada chuto numa bola o Benfica todo nos pés. Hoje crescemos. Somos mais velhos. Somos pessoas grandes como dizem (e muito bem) os meninos mais pequenos. E eu gosto muito deles na mesma. Mas, se me dessem a escolher, queria que eles fossem sempre pequeninos. É assim que vou guardar para sempre os nossos melhores momentos.
E foi essa a nova perspectiva que me surgiu quando te vi de pernas para o ar. Lembrei-me de um homem que viveu há muitos anos atrás e que tinha um grande discernimento quando olhava as coisas. Tanto que um dia, conta um antigo cobrador de impostos, terá dito: "Deixai vir a mim as criancinhas". Ao ver-te ali, com o mundo ao contrário, dei-me conta que vais ser sempre o meu pequenino. Mesmo quando fores grande, para mim, nunca vais crescer. Porque para os pais os seus filhos são sempre pequeninos. É neste contexto que aquela frase dita há muitos anos atrás por um amigo do teu pai que se chamava Jesus e que era um homem bom ganha um sentido mais profundo. Porque quando o Pai chama as suas criancinhas está a estender os braços a toda a humanidade. E essa é uma maneira bonita de entender o que pode realmente ser a vida e devo-o, em parte, a ti.
É por isso que hei-de brincar muito contigo. Sempre. Com todas as minhas forças. Seja com bonecos, a chutar uma bola, à macaca ou a atirar o pião. Havemos até de completar cadernetas onde saberemos o nome dos jogadores de futebol de trás para a frente. Ou jogar às escondidas e correr no campo atrás de nossa casa até não termos força para mais. Tudo o que nos ajude a ser sempre pequeninos.
Gosto muito de ti.

O teu pai, Miguel.


Tudo ao Contrário

O menino do contra
Queria tudo ao contrário:
Deitava os fatos na cama
E dormia no armário.

Das cascas dos ovos
Fazia uma "omelete";
Para tomar banho
Usava a retrete. 

Andava, corria
De pernas para o ar;
Se estava contente
Punha-se a chorar.

Molhava-se ao sol,
Secava na chuva
E em cada pé
Usava uma luva.

Escrevia no lápis
Com um papel;
Achava salgado
O sabor do mel.

No dia dos anos
Teve dois presentes:
Um pente com velas
E um bolo com dentes.


Luísa Ducla Soares

Hightower


Riso: Acto ou efeito de rir. Alegria; graça. Zombaria; escárnio.

Para a geração seguinte à minha, falar de "Bubba" Smith é o mesmo que traçar no papel os riscos que desenham o desconhecido. É natural.
Mas para todos os que são próximos da minha idade, falar de "Bubba" Smith e, em particular, do agente Moses Hightower da saga Academia de Polícia é como que abrir uma autêntica enciclopédia de bons e velhos momentos. É relembrar amigos e estórias. A nossa História. É, por momentos, voltar a estar lá.
Quem conhece a saga que se iniciou em 1984 facilmente se recorda do grande Hightower que era sempre requisitado quando se tratava de deitar uma porta abaixo ou até mesmo uma parede. A sua força era tal que faria o próprio Sansão corar de vergonha. E era sobretudo essa a sua missão nos filmes da saga: ser forte. Com tudo o que isso implicava no surgimento de peripécias, equívocos e absurdos que nos faziam a nós, comuns mortais, rir às gargalhadas.
Reconheço hoje que os filmes da Academia de Polícia acabaram por não envelhecer muito bem. Muitas das piadas resultaram apenas no seu tempo. Tiveram a sua altura própria.
Reconheço igualmente que não foste um grande actor. Mas não era isso que se pretendia. O importante era o riso. E isso soubeste-me trazer. Foram tantas as vezes em que ri com o Pedro, o Tono ou o Sérgio por causa das tuas intervenções. E hoje queria apenas agradecer-te por isso. Por me teres feito voltar a "estar lá". E sobretudo, ter-me dado conta que o posso fazer sempre que a vontade o quiser.
Vou sentir muitas saudades tuas. Do teu riso. Do meu riso. Perdoa-me se de vez em quando perguntar ao Tono ou ao Pedro por ti. É só para saber como vão indo as coisas contigo...

D. Quixote e Dulcineia


"Mas porque te ris do pobre D. Quixote por amar a Dulcineia, que não existia?
Mas todo o homem só ama a mulher que não existe. E bom é isso.
Porque se ela existisse, o amor deixava de existir. Mesmo que ele a ame, como supõe.
Porque todo o amor só existe nos intervalos da pessoa amada existir. Fora desses intervalos não existe.
Porque só existe essa pessoa real. Como a nossa casa só existe talvez quando estamos fora dela.
Ou qualquer coisa assim. (...)"

Nunca mais vi o Carlos...




Turma 11.B - Ano lectivo: 1992/1993
Foto de equipa, em cima, da esquerda para a direita: Elísio, Paulo Bastos, "Neno", Rui Pedro, Carlos.
Em baixo, da esquerda para a direita: Pedro Alexandre, Miguel (Eu) e Pedro "Cereja".

Há dias assim. Aqueles em que mais do que em qualquer outro não queremos falhar. E hoje estou assim. Queria ter todas as palavras certas para te dizer. Mais do que isso. Queria entranhar em ti tudo o que tenho para te dizer de tal forma que te conseguisse revolver as entranhas mesmo sem saberes porquê. Queria que sentisses o sangue a queimar-te por dentro mesmo sem encontrares para isso razão aparente. Queria que fosse hoje o dia em que consegui escrever aquele texto melhor que todos os outros como se Camilo, Eça ou Pessoa estivessem empoleirados no meu punho. Mas não consigo. Perdoa-me. Não consigo. Até porque o cansaço já há muito me venceu. Mas não desisto. Por isso vou começar assim, da forma mais simples que julgo ser capaz...
Nunca mais vi o Carlos. Nunca mais. Será certamente um sentimento comum a quem concluiu o secundário num tempo em que não existia internet nem telemóveis. Nunca mais vi o Carlos. E isso dói. Muito. De uma forma que só os corações desprendidos são capazes de perceber. Mas guardo desse tempo muitas das nossas histórias que me fazem tão bem mesmo que saibam sempre a tão pouco. Fecho os olhos e vejo-te chegar à escola na tua "cagiva" sempre em cima da hora. Mesmo que para ti a expressão "em cima da hora" queira dizer 5 minutos atrasado. Acho agora ainda mais graça às inúmeras anedotas que contavas nos intervalos e sinto muitas saudades das nossas conversas sobre o Benfica que defendíamos com unhas e dentes numa turma maioritariamente portista. Lembro-me de quando gritaste GOLO em plena aula de matemática e me abraçaste com o olhar lá do fundo da sala pois o Isaías tinha marcado ao Porto. E desculpa se neste início de texto falo um pouco mais de ti mas de todos os que aparecem na foto és o único que nunca mais vi desde os tempos de liceu e talvez seja a forma que encontrei para colocar a conversa em dia. Foi há 17 anos. Perece que ainda foi ontem. Ou hoje. Há bocadinho. E esta, hein?
Devo estas fotos ao amigo Neno. Era a nossa equipa. Nesse ano haveríamos de conquistar o torneio da escola ganhando na final por 4-0 onde me lembro perfeitamente de marcar o primeiro golo. Memórias, realmente, não me faltam. Escasseia, isso sim, o engenho para as partilhar. Sinto saudades das nossas conversas nos balneários enquanto nos equipávamos ou dos abraços aquando de cada golo marcado. Sinto falta de deambular pelas artérias do liceu convosco com aquelas roupas que hoje nos fariam rebolar a rir.
O Elísio ainda encontro de vez em quando e acabamos sempre por trocar um olá ou um sorriso cúmplice com sabor aos velhos tempos. O Paulo Bastos vou encontrando "virtualmente" pelo facebook e vamos, à nossa maneira, revivendo alguns dos melhores momentos desse 11.º ano. O Neno, por força do destino, encontro agora frequentemente cá por Rossas e a ele devo estas fotos que ajudam a eternizar tantas boas memórias (ainda tenho por aqui mais uma meia dúzia... Eheheh). O Rui Pedro encontro de forma mais espaçada mas o suficiente para trocar algumas impressões sobre as novas aquisições de Benfica e Porto e acabamos sempre a conversa com largos sorrisos no rosto. Os dois Pedros, o Alexandre e o "Cereja", vejo-os muito pouco. Mas sempre com aquele olá cujo timbre parece dizer que bem se lembra daqueles tempos de ouro passados no liceu que agora resolveram demolir. E muitos outros faltam na foto. Sobretudo o Nepinhas e o Freitas de quem haveria ainda tantas histórias a contar.
Sinto falta de chegar a casa e estar a dar o "Isto é Magia" com o Luís de Matos onde lhe descobri muitos dos truques. Sinto falta da "Roda da Sorte" ou do "Com a Verdade M'Enganas". Sinto falta. Não consigo continuar. Já não sou eu a usar as palavras. Sinto serem já elas a usar-me. Talvez o melhor seja mesmo guardar comigo o resto das memórias. Parece impossível. Nunca mais vi o Carlos...



«Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo...Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos...que eram nossos amigos e...isso vai doer tanto! "Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!" A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo...Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!»